Bricsmart

Ilustração: Andrêi Popov

Ilustração: Andrêi Popov

No final de março, iniciaram-se as negociações de contratos futuros dos índices de ações de bolsas dos Brics.

No último dia 30, a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&Fbovespa) iniciou a negociação de contratos futuros dos índices de ações das bolsas Micex-RTS (Rússia), Bombain Stock Exchange (Índia), Hong Kong Exchanges and Clearing (China) e Johannesburg Stock Exchange (África do Sul). Cada uma dessas bolsas vai negociar o principal índice de ações das demais.

É o primeiro passo do projeto de criação de um índice Bricsmart, a ser negociado nos mercados acionários dos cinco países. E é, sobretudo, a primeira vez que os investidores dos Brics vão poder negociar diretamente papéis uns dos outros, sem a intermediação de uma praça acionária global (Nova York ou Londres).

À medida que esses contratos ganharem liquidez, poderão servir como instrumento de “hedge” parcial e diversificação do portfólio, reduzindo o risco total da carteira, e até – para os investidores mais sofisticados - como parte de estratégias de arbitragem do tipo “long-short”, devido à correlação existente entre esses índices, em particular Ibovespa e Micex.

Conheço melhor os índices Ibovespa e Micex, os quais têm sim forte correlação positiva (ou seja, flutuam mais ou menos da mesma forma), por serem influenciados pelos preços das commodities, os quais, a partir de 2008, passaram a se mover em conjunto. Acredito que o mesmo raciocínio possa valer para o índice sul-africano. Quanto à Índia e China, devido à condição de “emergent markets”, acabam também – embora, em menor grau – mantendo correlação positiva com os demais Brics.

Para além desses aspectos técnicos, o principal mérito desse cruzamento de índices é fazer com que os investidores de cada um dos Brics possam se conhecer melhor entre si. No futuro, poderia haver também a criação de pares de moedas dos Brics, a serem cotadas diretamente e negociadas globalmente, reduzindo o risco cambial do comércio exterior entre os Brics, criando novas possibilidades para os especuladores (que são importantíssimos, por darem liquidez ao mercado) e, em consequência, aumentando a liquidez das moedas dos Brics.

E vamos torcer para que esse processo de interação entre mercados acionários não fique só nos índices e avance rumo às ações de maior liquidez (“blue chips”), depois também para as principais “small caps”, pois sobretudo estas últimas proveriam interessantes oportunidades de diversificação e “hedge”.

Carlos Serapião Jr. mora em Moscou e trabalha na B2U Trading. Formou-se no Instituto Rio Branco e tem mestrado em Finanças pela École Nationale des Ponts et Chaussées.



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