Governo critica sentença de “Mercador da Morte” nos EUA

Ilustração: Reuters

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O Ministério dos Assuntos Estrangeiros russo comprometeu-se a tirar Viktor Bout da prisão nos Estados Unidos, mas os especialistas se dividem quanto à real possibilidade de tal promessa ser cumprida.

Na noite de 5 para 6 de abril, o Tribunal Federal de Nova York condenou o empresário russo Viktor Bout, conhecido como o "Mercador da Morte", a 25 anos de cadeia e a uma multa de US$ 15 milhões por tentar vender um lote de armas à FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

A acusação pediu prisão perpétua para Bout, justificando sua proposta pela quantidade de armas implicadas no processo.

Segundo a defesa, a negociação não foi comprovada e a operação realizada pelas autoridades norte-americanas não passou de uma atitude provocativa. Por esse motivo, os advogados do empresário pediram que ele fosse livrado das denúncias.

O empresário russo Viktor Bout foi preso em Bancoc em março de 2008, a pedido das autoridades dos EUA, sob a acusação de tráfico de armas, conspiração contra os cidadãos norte-americanos e apoio ao terrorismo. Bout negou as acusações, afirmando ser um homem de negócios comum no setor de transporte. Em 2010, Bout foi extraditado da Tailândia para os Estados Unidos e sua história acabou servindo de inspiração para o filme  “O Senhor das Armas”.


A esposa de Viktor Bout, Alla, considera a sentença uma vitória dos advogados de seu marido. “Já que a juíza deu a pena mínima, ela reconheceu a inconsistência das acusações”, afirma.

Segundo ela, a procuradoria não dispõe de  nenhum documento ou extrato bancário favoráveis à acusação. “A juíza tentou ser objetiva na elaboração da sentença apesar de estar cercada pelo rígido sistema judicial norte-americano”, disse Alla Bout.

Em uma declaração oficial divulgada no dia seguinte ao julgamento, a diplomacia russa chamou a sentença concedida ao empresário de “infundada e tendenciosa”.

“O Ministério das Relações Exteriores russo tomará todas as medidas necessárias para trazer Viktor Bout de volta à Rússia e, para isso, irá dispor de todos os mecanismos legais internacionais existentes. Esse assunto continuará, sem dúvida, entre as prioridades da agenda de ambos os países”, segundo o comunicado oficial da diplomacia russa.

O futuro do empresário tem divido a opinião de especialistas, conforme declarações a seguir.

Kirill Kóktitch, cientista político


“A Rússia tinha a possibilidade de influenciar os EUA antes de ser dada a sentença. Infelizmente, o peso da Rússia no cenário político internacional foi insuficiente para resolver essa situação e o país falhou em demonstrar seu vigor.”

Pável Sviatênko, especialista do Instituto de Estratégia Nacional


“Acho que seu destino pode ser objeto de negociações diplomáticas entre os EUA e a Rússia. Para mim é claro que Bout não é um criminoso comum e que ali estão implicados os interesses de vários países. Em casos assim, é comum os países envolvidos trocarem presos ou aliviarem as penas aplicadas.”

Pável Kratchenínnikov, presidente da Comissão Legislativa da Duma de Estado (Câmara Baixa do parlamento russo)

“Compete aos advogados recorrer da sentença e à Rússia, auxiliar na coleta de argumentos para sustentar o recurso. Se tais argumentos existem, a Rússia deve apresentá-los e, assim, ajudar os advogados e a esposa do condenado. Crimes graves não são passíveis de extradição; entretanto, teoricamente, isso é possível. A diplomacia russa deve fazer tudo para conseguir a extradição do cidadão russo, seja ele qual for.”

A reportagem foi realizada com base nas informações divulgadas pela rádio Kommersant FM e agência de notícias RIA Nóvosti.

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