De lateral a diretor em um ano

No novo cargo, brasileiro deve ser uma espécie de guia do futebol internacional para Suleiman Kerimov, o bilionário  proprietário do clube  Foto: TASS

No novo cargo, brasileiro deve ser uma espécie de guia do futebol internacional para Suleiman Kerimov, o bilionário proprietário do clube Foto: TASS

Lateral esquerdo assinou contrato de 15 milhões de reais há apenas um ano com Anji e já assume novo posto.

Depois de terminar a carreira no gramado, muitos jogadores de futebol brasileiros se dedicam a atividades não relacionadas com o esporte. Raí se dedica a uma entidade filantrópica, Cafu tem uma rede de restaurantes na Itália, e assim por diante.

Um dos maiores casos de sucessos fora do gramado, porém, é o de Leonardo, lateral esquerdo na Copa de 1994, que trabalhou como consultor e técnico do Milan e, desde 2011, é diretor do Paris Saint-German.

Agora o também lateral esquerdo Roberto Carlos, que conquistou o penta com a Seleção em 2002, escolheu um caminho parecido, assumindo a função de diretor do clube russo Anji Makhatchkalá. Considerado o mais ambicioso projeto do futebol euroasiático da atualidade, o clube contava com os dotes de Roberto Carlos em campo somente há pouco mais de um ano. 

“Temos planos ambiciosos, vamos promover a marca do clube em todo o mundo. Queremos ganhar o título de campeão da Rússia e títulos europeus”, escreveu Roberto Carlos em seu microblog após o anúncio da nova posição.

Esse é mais um desafio para Roberto Carlos, que teve uma carreira recheada deles. O brasileiro se mudou para a Europa aos 22 anos, para jogar no Internazionale de Milão. No entanto, após uma ótima temporada na Série A, o clube italiano decidiu vender seu lateral esquerdo ao Real Madrid por seis milhões de dólares. Em 2007, Roberto Carlos foi jogar na Turquia, mas no ano seguinte estava de volta ao Brasil. 

Depois de ingressar no Anji Makhtchkalá, em fevereiro de 2011, seu nome tomou as manchetes da imprensa esportiva quando um torcedor arremesou uma banana em campo perto do jogador. Na época, muitos consideraram absurda a decisão do lateral esquerdo de assinar com um clube da explosiva capital do Daguestão, Makhatchkalá. Agora, porém, que o Anji virou notícia internacional, muitos jogadores gostariam de estar em seu lugar, e aspirantes a futebolistas têm visitado o país em busca da sorte e de um gordo contrato. 

“A assinatura de um contrato com Roberto é um verdadeiro sucesso não só para o Anji mas também para todo o futebol russo”, disse à Gazeta Russa o vice-presidente do Anji, Guérman Tchistiakov. “Como jogador, Roberto Carlos ganhou tudo o que podia e devia ganhar.

Sua experiência vai mostrar aos jogadores mais jovens do Anji que no futebol nada é impossível”, completa.

Segundo Tchistiakov, as diversas conversas que o vice-presidente teve com o jogador o levaram a crer que Roberto Carlos chegou ao Anji Makhatchkalá não apenas pelo dinheiro, apesar do milionário contrato assinado entre as partes. O lateral-esquerdo foi contratado pelo time por uma quantia de 15 milhões de reais ao ano. Assim que ingressou, em fevereiro de 2011, recebeu a faixa de capitão e, em setembro, já era o treinador interino.

“Roberto Carlos realmente quer desenvolver o futebol nessa região. Seu nome e os projetos que planejamos nos ajudarão a atrair para nosso clube jogadores conhecidos e, o mais importante, a formar nossos jovens”, diz Tchistiakov.

Diretoria a vista

Agora, pouco mais de um ano depois de ingressar no time, Roberto Carlos asumirá as funções de diretor do Anji. “No novo posto, Roberto Carlos terá muito trabalho a fazer, mas estou seguro de que ele vai superar esse desafio. Ele é um homem de caráter e de grande capacidade de organização. Acho que Suleiman Kerimov [bilionário russo que é proprietário do clube Anji] fez a escolha certa”, disse Tchistiakov à Gazeta Russa. 

O novo treinador do Anji, o holandês Guus Hiddink, que assumirá as funções de Gadzhi Gadzhiev, demitido em setembro, também apoia o brasileiro no novo cargo. “O Roberto é muito útil ao nosso clube. Foi ele quem me ajudou a treinar o time e me deu muita informação útil sobre sua situação. Ele tem uma credibilidade inabalável. Juntos, vamos construir um novo Anji, mais moderno e competitivo”, declarou.

O passe do brasileiro, que foi apelidado pelo time de “Senhor Artilheiro” foi a primeira grande aquisição do clube de Suleiman Kerimov. A notícia ganhou as manchetes do noticiário esportivo mundial. Em pouco tempo, Roberto Carlos foi seguido pelo camaronês Samuel Eto’o, do Inter de Milão. 

A partir de agora, o novo diretor do Anji deve se tornar uma espécie de guia para Kerimov no futebol internacional. Os contatos e a autoridade de Roberto Carlos no futebol mundial podem finalmente ajudar o Anji a se transformar no clube de referência internacional que há tempos pretende ser.

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