Rússia prestes a concluir reforma das Forças Armadas

Presidente russo, Dmítri Medvedev (à dir.) e o ministro da Defesa, Anatóli Serdiukov (à esq.) Foto: Vladímir Rodionov/RIA Nóvosti

Presidente russo, Dmítri Medvedev (à dir.) e o ministro da Defesa, Anatóli Serdiukov (à esq.) Foto: Vladímir Rodionov/RIA Nóvosti

Atividades revelam o desejo de modernizar o exército e adaptá-lo aos desafios atuais, garantindo a segurança do país e de seus aliados.

O discurso do presidente russo, Dmítri Medvedev, durante uma reunião da cúpula do ministério da Defesa na Academia do Estado Maior General, na última terça-feira (20), despertou grande interesse dos militares.

Não só porque esse foi seu último discurso como Comandante Supremo das Forças Armadas antes de passar a direção, no dia 7 de maio, ao novo presidente, Vladímir Pútin, mas porque Medvedev fez um balanço dos quatro anos de comando à frente das Forças Armadas e da reforma militar realizada sob sua direção.

A afirmação de que a “reforma das Forças Armadas está quase concluída” pode ser analisada como o relatório final do Comandante Supremo sobre o  trabalho realizado.

Apesar de ter apresentado erros durante a realização da reforma, seus resultados são admiráveis.

“As forças nucleares estratégicas foram reforçadas e um sistema único de defesa aeroespacial foi criado, englobando a defesa antiaérea e antimíssil, além de sistemas de aviso prévio contra mísseis e de controle do espaço sideral”, disse Medvedev.

O ministro da Defesa, Anatóli Serdiukov, também falou sobre o cumprimento do plano de entrega de novas armas e material de guerra às tropas.

Segundo ele, dez regimentos de mísseis receberam sistemas Iars e Topol e as tropas de mísseis estratégicos foram equipadas com 39 sistemas adequados a suas funções.

Desse modo, a cota de sistemas de mísseis modernos nas tropas aumentou de 13% para 25%.

Novo aparato militar

Uma vez que quase metade dos mísseis à disposição do exército russo foi colocada em operação na época soviética ou nos primeiros anos do período pós-soviético, a velocidade com que o reequipamento do exército russo foi efetuado chega a ser surpreendente.

As Forças Armadas receberam 12 sistemas tático-operacionais Iskander-M, capazes de carregar munições nucleares.

Três regimentos de defesa antiaérea equipados com o sistema de mísseis S-400 foram colocados em estado de alerta e sete grandes bases aéreas foram criadas.

Além disso, pela primeira vez nos últimos 20 anos, 28 aeródromos foram reformados.

As recém-criadas tropas de defesa aerospacial já entraram em atividade, pondo em operação um radar do sistema de aviso prévio contra mísseis em Lekhtusi, nos arredores de São Petersburgo, e vários radares em Armavir, região de Kaliningrado.

Entre 2008 e 2011, as Forças Armadas receberam, além dos mísseis balísticos intercontinentais e sistemas Iskander, dois submarinos, quatro navios de superfície, cinco vedetas de combate, 374 aeronaves, 106 sistemas de defesa antiaérea da Aeronáutica, 79 sistemas de mísseis antiaéreos do Exército, 713 modelos de mísseis e de peças de artilharia e mais de 2.300 unidades de blindados e armas para blindados.

Nas regiões de Murmansk, Primórski e Kamchatka, bases para submarinos do projeto Borei e Iassen estão sendo construídas, bem como instalações para atender a corvetas e fragatas.

O míssil Bulavá será posto em serviço em outubro de 2012. Com ele, serão entregues à Marinha dois submarinos lança-mísseis atômicos Iúri Dolgorúki e Aleksandr Névski, podendo cada um transportar 16 mísseis Bulavá.

“Cada míssil pode ser armado com até 10 ogivas nucleares de guiamento individual”, disse Serdiukov.

As formações da 130º Brigada de Infantaria Motorizada, da 346ª Brigada de Infantaria Motorizada e do 25º Regimento de Operações Especiais já foram concluídas.

Dentre as próximas medidas, estão programados exercícios estratégicos “Cáucaso-2012” para testar um sistema único de comando das tropas em nível tático e estratégico.

O campo de provas de Achulúk será transformado em um centro de treinamento de tropas de todos os setores das Forças Armadas.

As obras de atualização do posto de comando das tropas de defesa aeroespacial deverão ser concluídas em 2012.

Entretanto, o maior desafio é usar os novos armamentos em conjunto com outras armas e meios de apoio como sistemas de reconhecimento, identificação de alvos, localização, comunicação, luta eletrônica, aeronaves não tripulados e sistemas de comando centrados em rede.

Isto é, a maior dificuldade está em combinar os aparatos de um exército moderno com os de uma legião do século passado – o que o exército russo era até recentemente, sobretudo quando as tropas georgianas agrediram a Força de Paz russa instalada na fronteira com a Ossétia do Sul.

De fato, foi justamente essa campanha que levou os líderes do país a iniciar uma profunda reforma nas Forças Armadas.

Anatóli Serdiukóv prometeu, contudo, que o desafio de criar um exército moderno capaz de garantir a segurança Rússia e de seus aliados será finalizado em 2012. 

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