Diretor russo homenageia símbolo sexual de Hollywood

Filme mudo dirigido pelo cineasta de primeira viagem Vladislav Kozlov reconta a história de Rodolfo Valentino, o “amante latino”.

A vida do grande ator de Hollywood e símbolo sexual dos anos 20, Rodolfo Valentino, tornou-se tema de um filme mudo norte-americano realizado por Vladislav Kozlov, diretor russo principiante.

Mas será “Silent Life” (“Vida em silêncio”, em tradução livre) capaz de repetir o sucesso do grande vencedor do Oscar 2012, “O Artista”, também inspirado na história de Valentino?

“Silent Life” é uma obra de época que celebra o 100° aniversário de Hollywood, combinando imagens coloridas com passagens em preto e branco, filmagem convencional e em alta resolução, tradições do passado e do presente. O filme de Kozlov, cuja estreia mundial está marcada para agosto, é uma espécie de homenagem ao surgimento de Hollywood.

Vladislav Kozlov levou seis anos para transformar seu projeto dos sonhos em realidade. Por que a história de uma lenda hollywoodiana, apelidada de “amante latino”, chamou a atenção de um diretor russo? 

Sou fascinado pela personalidade de Rodolfo Valentino desde a infância. Lembro-me quando tinha 16 anos, meu pai disse que éramos parecidos e, desde então, comecei a sonhar com a ideia de representar Valentino em um filme.

O principal conflito dessa história é que Valentino – o primeiro símbolo sexual, o “grande amante” – era adorado por todas as mulheres do planeta, exceto por sua própria esposa.

Essa é a ironia da vida. Você pode ser o “Deus do Amor” nas telas, mas, na intimidade, é apenas um ser humano como os demais. Valentino transformou-se em um poderoso fenômeno cultural, pois foi o primeiro símbolo sexual masculino e exerceu grande influência sobre a cultura pop norte-americana que nós hoje conhecemos.

A mãe de Valentino é retratada pela grande atriz italiana Isabella Rossellini. Como um diretor russo ainda desconhecido conseguiu atrair uma estrela desse calibre? 

 

Isabella Rossellini leu o roteiro e o adorou. Foi uma combinação perfeita, porque eu vinha sonhando em vê-la assumir esse papel desde que o projeto foi concebido em 2005.

Rodolfo Valentino Foto: AFP

Quão difícil foi achar investidores para um longa-metragem mudo em Hollywood, onde os efeitos especiais e tecnologia de ponta são tão importantes? 

 

Foi sempre uma tarefa difícil, especialmente no universo do cinema independente. Contudo, apesar de ser um filme de época, “Silent Life” é uma produção de baixo orçamento.

Felizmente, muitos fornecedores e profissionais de renome me ajudaram, emprestando equipamentos e trabalhando de graça. Fiquei extremamente honrado pelo fato de acreditarem no meu projeto e em mim.

As filmagens de “Silent Life” levaram quase sete anos. Isso se deve às dificuldades financeiras? 

 

Você ficará surpresa, mas muitos projetos hollywoodianos consomem ainda mais tempo. Para os estúdios e filmes independentes, isso tem a ver com o financiamento.

No meu caso, eu não tinha orçamento algum, então tive que desenvolver o filme do zero. Enquanto “O Artista” ainda não existia, poucas pessoas acreditavam que alguém quisesse ver um filme mudo. Entretanto, continuei lutando pela minha obra, pois pensava ser uma ótima ideia. 

Ao longo desses anos, “Silent Life” entrou e saiu de produção seis vezes. Foi um grande esforço e, sobretudo, uma grande alegria vê-lo finalizado. É também um filme muito pessoal, um projeto do coração, e coisas assim levam tempo.

Você acredita que seu filme pode alcançar o mesmo sucesso do filme “O Artista”, de Michel Hazanavicius, o grande vencedor do Oscar 2012? 

 

 “Silent Life” e “O Artista” são dois filmes muito diferentes com histórias distintas por trás deles. Portanto, cada um irá trilhar seu próprio e diferente caminho de sucesso.

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