Gastos sociais não custarão mais que 1,5% do PIB por ano, diz Pútin

Foto: Kremlin.ru

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Premiê afirma que aumento das despesas deve ser acompanhado pela otimização dos gastos.

O presidente eleito e primeiro-ministro da Rússia, Vladímir Pútin, garante que a implementação de suas promessas eleitorais na área social não envolverá mais de 1,5 % do PIB por ano e que dois terços dos novos encargos sociais serão suportados pelos orçamentos das unidades da Federação.

O governo irá aumentar os gastos sociais, mas o aumento das despesas deve ser acompanhado pela otimização dos gastos e da estrutura dos beneficiários dos fundos, afirma Pútin, citando como exemplo a situação nos estabelecimentos de ensino superior onde a proporção entre professores e demais funcionários é agora de 50 para 50 e está longe de ser ideal.

“O aumento do financiamento não deve ter como consequência a perturbação da estabilidade macroeconômica”, adverte o premiê, destacando a necessidade de “melhorar o sistema de administração e pensar em outras medidas adicionais”. Segundo Pútin, para cumprir os novos encargos sociais, serão necessários até 1,5% do PIB por ano.

De acordo com estimativas de especialistas da Escola Econômica Superior, o cumprimento das promessas eleitorais de Pútin custará ao país entre 1,2 e 1,3% do PIB por ano ou cerca de 700 bilhões de rublos (R$ 42,15 bilhões). O item mais importante de despesa - no valor de 1% do PIB - se destina, em parcelas iguais, ao aumento salarial nos setores de saúde e ensino, outros 0,2% para estimular o nascimento do terceiro filho, e 0,06% para aumentar a subvenções sociais.

“As promessas eleitorais do premiê não parecem inviáveis”, afirma o especialista do centro de desenvolvimento da Escola Superior de Economia, Andrêi Cherniávski, que, no entanto, não sabe onde o premiê arrumará dinheiro para cumpri-las. Segundo Cherniávski, o aumento das despesas sociais poderá provocar o aumento da carga tributária, em particular do imposto de renda (retido pelas unidades da Federação) ou do IVA, que passará a ser transferido, em parte, para os orçamentos estaduais.

O aumento dos impostos, por seu turno, poderá causar a desaceleração da economia, diz o especialista. “Talvez, o quebra-cabeça de modernizar a economia e ao mesmo tempo melhorar a qualidade de vida não tenha solução”, cogita o Cherbniávskli.


Em 2011, as despesas dos orçamentos federal e regionais absorveram 34,2% do PIB, dos quais 7,9 % couberam à política social. As novas  promessas do premiê irão absorver 8% do PIB em seis anos, afirma a agência de classificação de risco Fitch, enquanto o Centro de Pesquisas Macroeconômicas do Banco de Poupança (Sberbank) fala de 9% do PIB. “O déficit do orçamento federal já triplicou e atingiu 10% do PIB e não está claro como será realizado o proclamado ajustamento estrutural”, avalia a Fitch.

No entanto, segundo o Centro de Pesquisas Macroeconômicas do Sberbank, o crescimento do PIB não tem ligação com o cumprimento das novas obrigações sociais: até mesmo um cenário econômico favorável não poderá diminuir a pressão sobre o orçamento.

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