Eleições presidenciais são realizadas sob a vigilância de câmeras

Votações foram monitoradas por vídeo em mais de 90 mil seções eleitorais.

Na noite de sábado (3), os visitantes do site webvyobry2012.ru puderam ver o que estava acontecendo nas seções eleitorais antes da votação.

As eleições presidenciais russas foram realizadas no último domingo (4). Pela primeira vez na história da Rússia democrática, as votações foram monitoradas por câmeras instaladas em mais de 90 mil seções eleitorais.

Em uma videoconferência com a Comissão Eleitoral Central da Rússia, em 15 de dezembro passado, o premiê Vladímir Pútin pediu ao atual comissário das eleições, Vladímir Tchúrov, que instalasse câmeras em todas as seções eleitorais para transmitir ao vivo as votações via internet e “tirar o chão debaixo dos pés daqueles que querem deslegitimar o poder na Federação da Rússia”. Foram necessários pouco mais de três meses e 25 bilhões de rublos (cerca de R$ 1,4 bilhão) dos quais 13 bilhões foram disponibilizados pelo governo federal para instalar cerca de 90 mil câmeras. Os recursos restantes vieram da empresa Rostelecom.

Na noite de sábado (3), os visitantes do site webvyobry2012.ru puderam ver o que estava acontecendo nas seções eleitorais antes da votação. Por exemplo, um vídeo transmitido da seção eleitoral nº 49, montada em uma casa particular na aldeia de Mesedói, na Chechênia (república federada da Rússia no Cáucaso Setentrional), mostrou um homem deitado em um sofá em uma sala decorada com um grande tapete na parede. Na seção eleitoral nº 952, na cidade de Tiumen, as câmeras captaram imagens de uma grande festa com muita gente dançando. Na assembléia de voto nº 571, montada no centro de cultura e eventos da cidade de Kirov, também houve festa.

Em 11.005 mesas eleitorais, as câmeras funcionaram em regime autônomo. A transmissão on-line foi efetuada a partir de 80.058 assembleias de voto. Segundo o membro da Comissão Eleitoral Central, Anton Lopátin, não houve registro de falhas durante a transmissão das votações.

“O regulamento de monitoramento de vídeo está estipulado em uma deliberação da Comissão Eleitoral Central que não prevê nenhuma sanção para sua violação. Por isso, os casos em que as câmeras só cobriam parte da sala não foram raros”, explicou ao jornal “Kommersant” o membro da Comissão Eleitoral Central, Evguêni Kolíuchin, para quem as imagens captadas nas seções eleitorais “não têm nenhuma força jurídica”.

As opiniões sobre o efeito positivo das filmagens nas seções eleitorais se dividem. Segundo o deputado federal pelo Partido Liberal Democrata, Aleksêi Didenko, a resolução das câmeras não permite detectar ilegalidades reais. As imagens obtidas não permitem sequer perceber quantas cédulas são enfiadas na urna por cada eleitor.

A mesma opinião foi compartilhada no comitê de candidatura de Mikhail Prókhorov. “A gente continua com a prática de fiscalização do processo eleitoral localmente, com o trabalho de nossos delegados em seções eleitorais”, disse ao “Kommersant” o assessor de imprensa do comitê de candidatura de Prókhorov, Aleksêi Urazov. “Esse método é o mais eficaz.

É impossível acompanhar as imagens transmitidas por todas as câmeras ao mesmo tempo”, salientou Urazov, acrescentando que a iniciativa em si é boa, mas a maneira como ela foi implementada tecnicamente deixa a desejar. Já o Partido Comunista reagiu, de modo geral, favoravelmente à iniciativa de Pútin. “Em princípio, não temos reclamações a fazer. Esperávamos que as câmeras funcionassem pior, embora nem todas funcionassem como deveriam.

Na assembléia eleitoral da região de Novosibirsk, por exemplo, faltavam quatro câmeras, na cidade de Tula, em algumas seções eleitorais, as câmeras olhavam para o teto”, disse ao “Kommersant” Andrêi Strógui, jurista do Comitê Central do Partido Comunista da Federação da Rússia. Mesmo assim, as imagens permitem detectar fraudes maciças como, por exemplo, o “carrossel” (prática em que grupos de pessoas são transportados em ônibus e automóveis para votar em várias seções eleitorais).

“A julgar pelas imagens, nem todas as mesas eleitorais estavam devidamente preparadas para as eleições. Ainda assim, as câmeras tiveram uma influência disciplinar sobre os mesários que, cientes de que estavam sendo filmados, atuavam de forma mais correta”, disse o vice-diretor executivo da associação Golos (Voto), Grigóri Melkoniánts.

Ele também explicou que, após as eleições, os observadores não terão acesso aos arquivos de vídeos. “Oficialmente, o arquivo ficará em posse da empresa Rostelecom, que poderá entregar os vídeos solicitados pela parte requerente só depois de receber uma resolução da Comissão Eleitoral Central à qual o requerente deverá provar que isso é mesmo necessário”, disse Melkoniánts.

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