Cerca de 250 são detidos em Moscou

Foto: RIA Nóvosti

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Opositores e partidários de Vladímir Pútin, eleito presidente no último domingo (4), manifestaram-se nesta segunda-feira.

Na noite de segunda-feira (5), a praça Manej, bem em frente ao Kremlin, foi palco de uma manifestação de apoio ao novo presidente Vladímir Pútin. Demonstrantes pró-Putin cancelaram uma ação programada para a Praça Lubianka e rumaram à praça Manej para impedir oposicionistas de tomarem o local. De acordo com estimativas, a manifestação reuniu cerca de 10 mil pessoas.


Concomitantemente, às 19h cerca de 14 mil opositores do premiê se reuniram na Praça Púchkin, também no centro da cidade, segundo dados da polícia local. O ex-deputado Vladímir Rijkov, um dos organizadores da ação, calcula, entretanto, que 20 mil manifestantes tenham se reunido ali, enquanto o líder da Frente de Esquerda, Serguêi Udaltsov, estima que houvesse de 30 a 40 mil.

Diversos líderes da oposição discursaram durante o comício organizado na Praça Púchkin,entre eles o blogueiro Aleksêi Naválni, o candidato a presidente Mikhail Prôkhorov, o político do partido Iábloko, que teve sua candidatura rejeitada pela Comissão Eleitoral, Grigóri Iavlínski, entre outros. Foi a primeira vez que o bilionário Prôkhorov falou em um comício público.

O orador mais aplaudido foi Naválni, que prometeu lançar uma campanha informativa nacional para divulgar a toda a Rússia informações alternativas às transmitidas pelos canais de TV estatais.

Já o deputado federal Iliá Ponomarév (Rússia Justa) anunciou o início de uma “reunião permanente”, convidando “aqueles que desejam obter resultados a se juntar para pensar juntos no que fazer a seguir”, segundo a agência Interfax.

Detenção na Lubyanka


Com o fim do comício, Udaltsov declarou que não deixaria a Praça Púchkin enquanto Pútin não renunciasse.

Não houve registro de incidentes graves até cerca de 21h30, quando Naválni, Udaltsov, a ativista Evguênia Tchirikova, o líder do Movimento Solidariedade Iliá Iáshin, que se recusavam a deixar a praça, foram detidos. Com eles, cerca de 250 outros manifestantes foram levados pela polícia, segundo dados do Ministério do Interior.

Eles serão julgados no próximo dia 15 de março e podem ser condenados a pena de 15 dias ou pagamento de multa.

A autorização da prefeitura permitia a permanência na praça somente até as 21h, e cerca de 1,5 mil a 2 mil pessoas se recusavam a deixá-la após o término do evento, de acordo com a agência Itar-Tass.

Às 22h00, a praça foi cercada pela polícia de choque, a divisão chamada Omon, que formou um corredor para incentivar a saída dos manifestantes rumo à estação de metrô mais próxima, e iniciou as detenções. 

No mesmo horário de início das outras duas manifestações, às 19h, outro segmento da oposição realizou uma manifestação não autorizada na Praça Lubianka, liderada pelo partido não registrado Outra Rússia, do político Eduard Limonov. A polícia relata ter detido cerca de 50 pessoas. Já a liderança do Outra Rússia afirma que o número de detidos chega a 100. O número de participantes não foi divulgado.

As demonstrações intituladas Por Eleições Justas (em Moscou, realizada na Praça Púchkin) foram realizadas em diversas outras cidades da Rússia. Em Novossibirsk, os protestos reuniram cerca de 300 pessoas. Em São Petersburgo, um encontro de eleitores com deputados federais do Partido Comunista acabou em comício não autorizado, que reuniu cerca de 800 pessoas - das quais 70 foram detidas.

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