Mesmo poluindo menos, carro elétrico ainda é desvantajoso

Foto: TASS

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O uso de carros elétricos poderia diminuir a pressão sobre o meio ambiente, mas suas vendas no país ainda são muito pequenas

A primeira rede de postos de carregamento para carros elétricos da Rússia foi aberta em Moscou no início desta semana. Embora inicialmente a rede tenha apenas sete postos, a intenção é ampliá-la e estendê-la a outras cidades.

Especialistas admitem que o uso de carros elétricos poderia diminuir a pressão sobre o meio ambiente e o sistema de energia da cidade. Mas as vendas desses carros no país são muito pequenas e não devem crescer nos próximos anos. A razão é que esse tipo de veículo tem mais pontos negativos do que positivos. Será que os carros elétricos serão mesmo uma boa alternativa àqueles movidos a gasolina na Rússia?

Até o final deste ano, a Companhia Rede Elétrica Unida de Moscou pretende instalar 28 estações de carregamento em todo o país. No âmbito do programa Ecopolis de desenvolvimento de meios de transporte ecologicamente corretos, em abril, por iniciativa do departamento de recursos naturais e proteção ambiental de Moscou, serão instalados na cidade outras 20 estações de carregamento e cerca de 50 postos de carregamento, por iniciativa da empresa Revolta.

Para o diretor-geral da Revolta, Maksim Osóin, até o final deste ano, deverão ser instalados ao todo cerca de mil estações de carregamento em Moscou e outras cidades russas.

As estações de carregamento em funcionamento na capital têm capacidade para abastecer os automóveis em oito a dez horas. Seus principais clientes são veículos elétricos corporativos pertencentes à Companhia Rede Elétrica Unida de Moscou. Num futuro próximo, pretende-se instalar postos de carregamento rápido, com capacidade para fornecer carga a um veículo elétrico em 20 a 30 minutos. 


A partir do dia 1º de abril, o carregamento poderá ser feito com um cartão especial. Agora as estações estão em teste de software. Até julho, o abastecimento será gratuito. Ainda não foi divulgado nada sobre o futuro preço, mas o diretor de desenvolvimento de negócios da empresa Revolta, Vassili Mankó, espera que abastecer um carro elétrico seja cinco vezes mais barato do que um carro comum com 40 litros de gasolina.

Pelo ar puro

 

Os veículos elétricos poderiam reduzir significativamente a pressão sobre o ambiente de grandes cidades. As emissões de gases produzidas pelos veículos a motor representam cerca de 40% da poluição total. Em grandes áreas metropolitanas, esse valor atinge 90%.


A Rússia está apenas dando os primeiros passos no desenvolvimento dos transportes elétricos. No ano passado, o vice-diretor do departamento de transportes e infraestrutura rodoviária de Moscou, Iúri Mazíkin, propôs equipar estacionamentos com postos de carregamento para carros elétricos e estimular os proprietários de carros particulares e empresas de transporte a usar carros elétricos. Até agora, nada disso foi feito.

É caro e ineficaz


Na Rússia, o número de veículos elétricos é extremamente pequeno. Segundo o analista da empresa de investimento Investcafe, Kirill Márkin, o uso se restringe a exemplares isolados comprados para publicidade. Isso acontece porque o emprego do carro elétrico no dia-a-dia sai muitas vezes mais caro do que o uso de equipamentos e combustível comuns.

Além do preço alto, os veículos elétricos tem outro ponto negativo importante: a vida útil da bateria é limitada. De acordo com o vice-diretor da revista “Auto Review”, Leonid Golovanov, essa é a principal razão por que as vendas de carros elétricos são extremamente pequenas em comparação com as de automóveis tradicionais.

“A autonomia anunciada de um carro elétrico é de 160 km, mas na verdade não ultrapassa 100 km. No inverno, mal chega a 50 ou 60 km. Infelizmente, é muito pouco”, explica.

A quem isso interessa?

 

A Companhia de Rede Elétrica Unida de Moscou, a primeira a instalar uma rede de postos de carregamento para carros elétricos, confessa que esse projeto não é rentável, mas interessante do ponto de vista da busca de novos serviços e elevação da eficácia do sistema energético. “Simplesmente mostramos as perspectivas do desenvolvimento do transporte elétrico. A princípio, para desenvolver esses projetos, serão necessários operadores independentes”, afirma o diretor-geral da empresa.

Os operadores independentes avaliam investimentos em projetos de instalação de redes de postos de carregamento na região de Moscou nos próximos três a cinco anos em 1,5 a 2 bilhões de rublos (cerca de R$ 121 milhões).

No entanto, para Leonid Golovánov, só se pode falar do desenvolvimento do setor de transportes elétricos quando forem construídas novas baterias para aumentar a autonomia dos carros.

“Para isso, será necessária a vontade da maioria das montadoras de referência internacional. Enquanto os veículos elétricos não surgirem no segmento varejista, não podemos falar deles como alternativa séria aos carros movidos a gasolina”, diz Kirill Márkin, acrescentando que sem o apoio do governo esse projeto não terá êxito.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do setor de transportes elétricos vai contra os interesses financeiros do Estado. Por mais que o Estado fale da necessidade de melhorar o ambiente nas áreas urbanas, ele não permitirá que uma fonte de receita orçamentária tão grande quanto o imposto de consumo sobre a gasolina seja reduzida.

Além disso, não devemos esquecer que o desenvolvimento de veículos elétricos em escala global terá como consequência o aumento do consumo de energia elétrica. Se as necessidades crescentes de energia elétrica forem cobertas principalmente pelas usinas termelétricas a carvão ou a gás, a poluição ambiental só irá aumentar. 

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