Mesários passam por preparação psiquiátrica para vigilância de vídeo

Leonid Ivlev, vice-presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia Foto: Marina Darmaros

Leonid Ivlev, vice-presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia Foto: Marina Darmaros

Depois das suspeitas de fraudes levantadas nas últimas eleições parlamentares, em dezembro de 2011, a CEC (Comissão Eleitoral Central da Rússia) iniciou a instalação de câmeras que irão transmitir ao vivo o funcionamento das seções durante a votação para presidente, no próximo dia 4 de março. Mas, segundo o vice-presidente da CEC, Leonid Ivlev, a preocupação é com a pressão psicológica sobre os funcionários filmados.

Nesta segunda-feira (26), inicia-se na Rússia a preparação dos funcionários que trabalharão nas próximas eleições presidenciais, programadas para 4 de março.

“Nesse período o Rostelekom já deverá ter provido todas as câmeras. As imagens serão divulgadas pela internet e qualquer eleitor, observador ou candidato poderá assistir”, disse à Gazeta Russa o vice-presidente da CEC (Comissão Eleitoral Central da Rússia), Leonid Ivlev.

Após as denúncias de fraudes das últimas eleições parlamentares de dezembro de 2011, iniciou-se às pressas uma operação para a instalação de câmeras nas seções eleitorais. O equipamento importado, com marcação de data e tempo, entretanto, só estará disponível em 40% dos locais de votação.

Serão usadas no total 200 mil câmeras, em 94.500 seções eleitorais espalhadas pelo país. Não haverá equipamento em seções eleitorais militares e em prisões. Foram necessários 15 bilhões de rublos para compra e instalação do equipamento. “Mas a maior parte do dinheiro foi gasto na organização de canais de comunicação pelos quais são transmitidos os vídeos na internet”, diz Ivlev.

Cada sala de votação equipada contará com duas câmeras. A primeira estará voltada para os mesários, onde também se encontra a lista de eleitores, que os mesmos devem assinar.

Depois de assinada a lista, os eleitores seguem para a cabine de votação - que é inclusive fechada por uma cortina. “Tudo o que se faz aqui, a câmera não registra e não transmite. O voto é secreto, essa é a Constituição russa”, afirma Ivlev. 

A segunda câmera está voltada para a urna de votação. “Quase 40% das seções estão equipadas com câmeras. A primeira região onde absolutamente todas as seções estão equipadas com câmeras é o Kamtchatka, onde há uma diferença de oito horas com relação a Moscou”, explica Ivlev.

Fuso horário e transmissão

A transmissão das imagens, que inicia-se 30 minutos antes da votação, ou seja, às 7h30, será interrompida no final da votação, às 20 horas de cada fuso horário russo. Devido à extensão do país, que tem 9 fusos diferentes, a última região a Leste do país terá suas transmissões interrompidas nove horas antes da última a Oeste.

Assim, no Kamtchatka (última região a Leste), as trasmissões pela internet serão interrompidas às 20h (hora local do Kamtchatka, 12h no horário de Moscou). Durante as 9 horas necessárias até o final da votação na última região a Oeste do país, o enclave de Kaliningrado, a transmissão das seções do Leste não será feita, e as filmagens desse período ficarão registradas apenas nos servidores e disponíveis para análise posterior, mas não ao vivo, segundo a assessoria da CEC.

“As imagens serão transmitidas pela internet, mas também ficaram registradas na winchester, tanto no período em que serão transmitidas pela internet ou não. No caso de reclamações ou de discussõs judiciais, essas gravações, com áudio, podem ser usadas como evidência, tanto de culpa, como de falsificação de denúncia. É uma prova adicional de que as eleições na Rússia são limpas”, acredita Ivlev.

Cada seção poderá ter 9 observadores, 5 dos candidatos à presidência, e 4 dos partidos. Também haverá um grupo de controle dos representantes dos partidos.

Preparação psicológica

O material, segundo Ivlev, será mantido por um ano, devido a normativas recebidas pela CEC. “Mas não sou a favor de que esse servidor esteja disponível a qualquer um para, por exemplo, olhar como vota a minha mulher”, completa.

Segundo vice-presidente da comissão eleitoral, a maior preocupação surgida com a novidade é com funcionários, sobretudo com a ala feminina.

“O que me incomoda é como as pessoas poderão trabalhar sob vigilância de câmeras 24 horas por dia. Me procupa o estado psicológico dessas pessoas. Surge a vontade de arrumar o penteado, passar maquiagem... São também mulheres que trabalharão ali”, diz Ivlev.

Por isso, os funcionários passarão também por preparação psiquiátrica. “Agora estamos preparando os membros da comissão eleitoral com a ajuda de terapeutas, psiquiatras, como queira”, arremata.

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