Turismo retoma o espaço em 2017

Foto: GettyImages

Foto: GettyImages

Programação incluirá uma operação de atracação, uma volta em torno da Lua e retorno à Terra.

No final de julho de 2011, a Nasa encerrou oficialmente o programa de voos da nave espacial Shuttle. A estreia de sua sucessora, a espaçonave Orion, está agendada para o período entre 2015 e 2017. Enquanto isso, os astronautas americanos continuarão a ser transportados para a ISS (Estação Espacial Internacional) pelas naves russas Soyuz. Aparentemente, esse esquema satisfez todos os lados, mas houve quem se sentisse prejudicado porque as viagens turísticas ao espaço foram suspensas.

O último turista espacial foi o bilionário canadense e proprietário do Cirque du Soleil, Guy Laliberté, que foi à ISS em setembro de 2009. Antes dele, estiveram em órbita outros seis turistas, entre os quais uma americana, Anousheh Ansari que substituiu o empresário japonês Daisuke Enomoto.

O primeiro turista espacial, Dennis Tito, que viajou ao espaço em 2001, pagou cerca de US$ 20 milhões. O segundo voo turístico realizado em 2009 custou ao americano Charles Simony US$ 35 milhões. As viagens turísticas ao espaço foram suspensas em 2010, quando a empresa americana Space Adventures deixou de vender pacotes de turismo espacial. Mas um ano depois, a empresa anunciou a retomada das viagens em 2013.


“Estamos muito satisfeitos ao anunciar esse acordo e gostaríamos de agradecer a nossos parceiros russos por terem aumentado a produção de espaçonaves Soyuz e aceitado prestar à empresa Space Adventures seus serviços de transporte”, disse o presidente da companhia, Eric Anderson. A empresa anunciou à imprensa que, a partir de 2013, uma espaçonave russa poderá levar ao espaço três turistas.

Para possibilitar viagens turísticas, é necessário construir mais uma nave espacial. A Rússia assumiu esse desafio e pretende construir uma espaçonave que seja dirigida por uma pessoa (um cosmonauta profissional) e seja capaz de alojar a bordo vários turistas. De acordo com o diretor-geral da Corporação Espacial Enérguia, Vitáli Lopot, as obras de construção de uma nave turística começaram em 2011.

Por sua vez, o presidente da Agência Espacial da Rússia (Roskosmos), Anatóli Perminov, disse, em entrevista ao canal de televisão Russia Today, que o custo de um voo espacial não depende do número de interessados em fazer uma viagem espacial. “Temos um monte de pedidos de viagem procedentes de diversos países. Evidentemente, os requerentes não são pessoas comuns, dispostos a pagar US$ 50 milhões por voo. O custo da viagem  subindo, pois o câmbio está flutuando, o dólar está caindo, os preços dos materiais estão crescendo etc”, explicou.

Por outro lado, a programação também mudou. Se antes os turistas chegavam à ISS para passar ali cerca de dez dias, agora o objetivo é que os turistas dêem uma volta em torno da Lua. Assim, a Enérguia, que desenvolve e produz as naves Soyuz, propôs duas opções. Na primeira, a nave Soyuz seja rebocada até a Lua por um módulo rebocador que será lançado separadamente para pegar a espaçonave em órbita baixa da Terra. Ao atingir a órbita lunar, a nave se desatracará do rebocador, dará uma volta em torno da Lua e voltará à Terra. Essa viagem durará oito ou nove dias.

A segunda opção terá duração de 21 dias e repetirá a primeira, acrescentando apenas no início da viagem uma visita à ISS.

Outra proposta era continuar a vender vagas de astronautas profissionais a turistas, como o Roscosmos já fez. Os viajantes poderiam passar até seis semanas na estação ISS, mas o preço da viagem seria muito mais alto. “Para os apreciadores das viagens espaciais tal esquema parece muito mais atrativo. O viajante pagaria apenas um terço do custo da nave, foguete e serviços de lançamento e permaneceria em órbita por um tempo muito maior do que os primeiros turistas espaciais”, disse à Interfax-ABN uma fonte do setor espacial da Rússia.

Mas a ideia foi rejeitada pela Roscosmos, que deixou de vender vagas de tripulantes. “A chefia anterior da Roskosmos costumava vender a turistas espaciais vagas de tripulante, adiando assim por anos a missão do astronauta “expulso” e destruindo a tripulação formada durante longo tempo. A nova direção da agência estabeleceu que a vaga de um astronauta excluído e arruinando a tripulação não pode ser vendida a um turista”, disse a fonte contatada pela Interfax.

Segundo foi anunciado em fevereiro de 2012, os testes da nova espaçonave deverão se realizar entre 2015 e 2016 e a primeira viagem turística poderá ser feita só em 2017. De acordo com Eric Anderson, a primeira viagem turística será realizada em 2017, quando é comemorado o 50º aniversário do início do programa americano Apollo. Em vídeo postado no site da Space Adventures, ele disse que o lançamento do Apollo-1, em 1967, terminou em tragédia e que não há melhor maneira de homenagear os astronautas mortos do que “reavivar o espírito de pesquisa com uma viagem em torno da Lua no âmbito de um projeto privado”.

Enquanto isso, a empresa Space Adventures anunciou a venda de um pacote de viagem espacial a uma figura influente cujo nome é mantido em segredo. A imprensa estrangeira já cogitou que o viajante seja James Cameron, que dirigiu os filmes Titanic e Avatar. O anônimo teria pago US$150 milhões por um voo em torno da Lua.

Os participantes do programa não se intimidam com o fato de a data da viagem ainda estar indefinida nem com seu custo, embora tenham a possibilidade de fazer um voo orbital sem a ajuda da agência russa. A Space Adventures não é a única empresa a organizar voos orbitais e suborbitais. A operadora de turismo espacial Virgin Galactic possui um porto e uma espaçonave próprios e proporciona a seus clientes a possibilidade de passar 5 ou 6 minutos na ausência de gravidade por cerca de US$ 200 mil. Claro que isso não se compara com a Terra vista do espaço, mas ajuda os apaixonados pelo tema a realizar, de alguma maneira, seu sonho de infância.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.