Rússia e China são criticadas por veto à resolução síria na ONU

Hillary Clinton (à dir.) e William Hague (à esq.) Foto: AFP / EastNews

Hillary Clinton (à dir.) e William Hague (à esq.) Foto: AFP / EastNews

Hillary Clinton classificou decisão como “paródia”. Nicolas Sarkozy também criticou o veto.

Rússia e China rejeitaram mais uma vez o projeto de resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Síria e foram alvo de duras críticas pelos países ocidentais.

Entre os críticos mais ardentes estão o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que a falta de consenso no Conselho de Segurança enfraquece a imagem da organização.

Enquanto isso, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, chamou de  “paródia” a votação da resolução no Conselho de Segurança. “O projeto de resolução defendido pelos EUA e seus aliados é a continuação da intervenção nos assuntos internos de um país soberano”, disse o embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitáli Tchúrkin.

“Alguns membros influentes da comunidade internacional, incluindo aqueles que estão em volta desta mesa, têm minado, desde o início da crise síria, a possibilidade de uma resolução política, exortando à mudança de regime e atiçando a oposição contra o governo, provocando e fomentando a luta armada. Lamentamos muito esse resultado de nosso trabalho no Conselho de Segurança”, disse o diplomata.

“As ações do Conselho de Segurança da ONU na questão síria devem obedecer às disposições e princípios da Carta da ONU e contribuir para a diminuição da tensão, promoção de um diálogo político e resolução de conflitos, manutenção da paz e estabilidade no Oriente Médio e não agravar a situação”, opinou o representante permanente da China na ONU, Lee Baodung.

A Rússia e a China usaram pela segunda vez seu poder de veto para rejeitar a resolução sobre a Síria, embora o Conselho de Segurança não exija mais a renúncia do presidente sírio, Bashar al Assad, e aceite que a crise no país deva ser solucionada de maneira pacífica. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, considera que um trabalho construtivo com a Rússia sobre o projeto de resolução sobre a Síria é impossível. A representante dos EUA no Conselho de Segurança da ONU, Susan Rice, disse que a Rússia e a China apresentaram “argumentos ocos”.

“Os Estados Unidos estão em desespero, dois membros do Conselho de Segurança continuam nos impedindo de fazer a única coisa pela qual estamos aqui reunidos: resolver o problema da crise síria. O conselho se tornou refém de dois membros que apresentam argumentos ocos e defendem seus interesses individuais, protelando assim as negociações”, disse Rice.


“Os EUA e seus aliados perseguem na Síria seus próprios interesses que não coincidem em nada com os interesses russos”, assinala o presidente do Instituto de Oriente Médio, Evguêni Satanóvski.

“A Federação da Rússia não será ator extra no enredo que se está desenrolando”, explica Satanóvski. “Para quê? O que ela vai ganhar com isso? A diplomacia russa fez tudo direitinho. No texto da resolução permanece tudo o que é necessário para derrubar Assad. Não é do interesse da Rússia que o poder na Síria passe da ditadura laica à Al-Qaeda  e outros  fanáticos religiosos.

Eles não são aliados, nem amigos nem parceiros, eles são inimigos. A Rússia não precisa que a Síria seja dividida por uma guerra civil e enfrenta o massacre de cristãos e xiitas. A situação no país está chegando perto disso. É um resultado do projeto de resolução que os países ocidentais se esforçam por fazer passar nas Nações Unidas”, disse o especialista russo.

Na próxima terça-feira (7), o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Lavrov, e o diretor do Serviço de Inteligência Exterior, Mikhail Fradkov, embarcam para a Síria para um encontro com o presidente Bashar al Assad.

“A questão é saber como e em que direção seguirá a situação. A princípio, a figura de Bashar al Assad pode ser objeto de discussão. O que não pode ser objeto de discussão é a necessidade de quaisquer reformas. Nesse sentido, a Rússia e a China deram um passo certo, ponderado e previdente.

Esta não é uma situação em que tudo se resolve com um simples “sim” ou “não”. É uma situação que apresenta milhares de caminhos para as mudanças e nos obriga a lutar por cada um deles”, disse o diretor científico da Sociedade Russa de Orientalistas e Africanistas, Saíd Gafúrov.

Enquanto isso, na Síria, prosseguem os confrontos, já qualificados por alguns dos analistas como guerra civil e que já se alastraram aos países onde existem comunidades sírias - embaixadas sírias sofreram ataques na Austrália, Egito, Alemanha e Reino Unido. Depois da votação da resolução no Conselho de Segurança, missões diplomáticas russas também estão se tornando alvo de agressões.

Publicado integralmente no site: http://www.kommersant.ru/doc/1866946
 
 

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