Rússia e China usam poder de veto em resolução da ONU

Rússia e a China usaram seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas para rejeitar o projeto de resolução sobre a Síria Foto: AFP

Rússia e a China usaram seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas para rejeitar o projeto de resolução sobre a Síria Foto: AFP

No último sábado (4), a Rússia e a China usaram seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas para rejeitar o projeto de resolução sobre a Síria proposto pelos EUA, Reino Unido e França e apoiado pelas monarquias do Golfo Pérsico.

No último sábado (4), a Rússia e a China usaram seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas para rejeitar o projeto de resolução sobre a Síria proposto pelos EUA, Reino Unido e França e apoiado pelas monarquias do Golfo Pérsico. Moscou e Pequim avisaram reiteradas vezes que iriam impedir a aprovação de um texto que contemplasse a possibilidade de intervenção nos assuntos internos da Síria. Não obstante, o documento deu entrada no Conselho de Segurança e, como avisaram a Rússia e a China, foi por elas vetado. Essa foi a segunda vez desde novembro passado que os dois países usaram seu poder de veto.

A Rússia e a China continuam impressionadas com a agilidade com que os países ocidentais utilizaram a resolução da ONU sobre a Líbia, destinada aparentemente a defender a população civil, para derrubar o regime de Kaddafi. Os dois países se abstiveram na votação que aprovou tal resolução e se arrependeram. Em janeiro, o chanceler russo, Serguêi Lavrov, reiterou: “Consideramos absolutamente inaceitáveis as tentativas de estender o chamado “precedente líbio” a outros conflitos”.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, tentou diminuir as preocupações da Rússia a esse respeito, dizendo que “alguns países membros do Conselho de Segurança podem estar preocupados pensando que o Conselho de Segurança leva a situação a uma outra Líbia, mas esta é uma analogia falsa”. No entanto, a julgar pelas palavras de Lavrov, que explicou detalhadamente o que não agrada à Rússia no projeto de resolução proposto pelos países ocidentais, a situação está se repetindo.

Segundo Lavrov, que foi citado pela agência Itar-Tass, o apoio à resolução da ONU enfrenta “problemas decorrentes das exigências apresentadas ao regime sírio”. “Vou dar um exemplo: de acordo com um leque bastante amplo de exigências ao governo sírio, o mesmo deve retirar suas forças de segurança e unidades do exército de todos os povoados e mantê-las no quartel. Se deixarmos que tudo fique como está, o governo sírio deverá se retirar unilateralmente das cidades e aldeias”, disse o chefe da diplomacia russa. “Mas isso significa que ou o Conselho de Segurança aprova uma resolução irrealista (com efeito, nenhum líder em sã consciência e que está no poder aceitará entregar as cidades aos grupos armados ilegais) ou ele está sendo levado para uma guerra civil ao lado de uma das partes beligerantes”, disse o ministro russo.

Não é novidade que os EUA e os países do Golfo Pérsico procuram utilizar a Resolução do Conselho de Segurança para desmantelar o regime de Assad. Poucas horas antes da votação sobre a resolução, Lavrov se reuniu com Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, por ocasião de uma conferência sobre segurança em Munique. “Nossos colegas aceitaram nossas emendas à resolução e prometeram vê-las novamente”, disse Lavrov. “Vamos esperar que Nova York acorde para voltar a trabalhar”, completou.

No entanto, em vez de continuar as consultas, as potências ocidentais decidiram realizar um ataque psicológico contra Moscou e apresentaram ostensivamente o documento ainda não discutido ao exame do Conselho de Segurança. Essas manobras diplomáticas tiveram como pano de fundo a notícia sobre um novo ataque do exército sírio à oposição e novas centenas de vítimas entre os civis. Os sírios se apressaram a desmenti-la, não sabendo que, desta feita, o alvo dessas desinformações foi Moscou.

A segunda onda de pressão psicológica foi lançada após a votação, embora fosse óbvio de antemão que a resolução não seria aprovada. A Rússia e a China avisaram reiteradas vezes que iriam vetar o documento se suas emendas não fossem tomadas em conta.

Todavia, a reação irritada dos países da OTAN não cancela a busca de soluções para a crise na Síria. Já amanhã (7), Serguêi Lavrov e o diretor do Serviço de Inteligência Exterior da Rússia, Mikhail Fradkóv, embarcam para Damasco para conversas com o presidente Bashar Assad.


Mas essa não é a consequência mais importante do atual confronto na ONU. A posição conjunta de Moscou e Pequim em relação à situação síria e, nas entrelinhas, à situação em torno do Irã mostra uma vez mais que a parceria estratégica entre os dois países anunciada há 10 anos tem uma projeção concreta na política mundial. Nunca antes neste século a Rússia e a China  agiram de forma tão coordenada. Todavia, sua aliança não atenta contra os EUA e os dois países consideram extremamente importante preservar a ONU como árbitro supremo nas questões internacionais.

Enquanto isso, a política de Nixon-Kissinger cunhada na década de 70 para destruir a aliança soviético-chinesa parece estar se virando contra os EUA graças aos esforços da atual administração norte-americana.

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