Mais de 200 mil saíram às ruas para se manifestar em Moscou

Na tarde deste sábado (4), cerca de 100 mil protestaram na Praça Bolôtnaia, a poucos metros do Kremlin, contra as fraudes das eleições e a candidatura de Vladímir Pútin às próximas eleições presidenciais de março. No monte Poklônaia, no centro-sul da capital, até 129 mil se reuniram em demonstração a favor do premiê, segundo dados o Ministério do Interior.

Fotos: Simone Cerio/Parallelozero, Michael Mordasov/FocusPictures

Segundo a organização do evento “Por Eleições Limpas”, cerca de 100 mil pessoas se reuniram na Praça Bolôtnaia, no centro de Moscou, na tarde deste sábado (4), depois de uma passeata de 2,7 quilômetros contra as fraudes nas eleições. As palavras de ordem do protesto, que segundo o Ministério do Interior russo reuniu apenas 36 mil, foram “Pútin, aposente-se!” e “Liberdade aos presos políticos”.

“Nosso objetivo é fazer com que a sociedade civil controle o governo, porque de outra forma não é possível”, disse à Gazeta Russa a apresentadora de TV Ksênia Sobtchak, uma das organizadoras e palestrantes do evento.

 

Infografico: Niyaz Karim

A presença massiva dos russos nas ruas era pouco esperada devido às baixas temperaturas registradas na maior parte do país nas últimas semanas. Com os rumores de que o número de participantes cairia devido ao frio, uma internauta postou na rede social Twitter uma foto de biquíni na rua cheia de neve segurando uma placa com o horário e local de encontro dos manifestantes, e os dizeres: “O frio não é assustador”.

O objetivo da passeata, segundo os organizadores, foi justamente manter os participantes aquecidos. Em Moscou, a temperatura média no sábado (4) foi de 18 graus negativos. 

“Eu vim aqui apenas para que a gente tenha eleições de verdade, para que contem de verdade os nossos votos, porque eles na verdade já estão destinados aos que estão no poder”, diz o engenheiro Igor Ivanov, 58 anos.

 

A manifestação com até 130 mil partidários do Rússia Unida e do premiê e candidato à presidência Vladímir Pútin passou no monte Poklônaia Foto: Aleksandr Kojókhin / RIA Nóvosti

A manifestação não foi a única na capital. Ônibus fretados encheram o monte Poklônaia, no sudeste de Moscou, com até 130 mil partidários do Rússia Unida e do premiê e candidato à presidência Vladímir Pútin, de acordo com dados do Ministério do Interior. Além disso, também foi realizada uma demonstração do Partido Liberal Democrata Russo com cerca de mil manifestantes.


Na demonstração do monte Poklônnaia, a principal preocupação dos participantes era deixar clara sua resistência a uma "revolução laranja". A comparação aos protestos ocorridos entre 2004 e 2005 na Ucrânia após uma disputa presidencial alegadamente repleta de fraudes ganhou eco devido às semelhanças com os protestos da oposição na Rússia.

"Nós temos opiniões diferentes sobre Vladímir Pútin. Aqui há partidários seus e há quem não o apoie, mas o que nós não vamos permitir é que arruinem com o país", disse o organizador do evento Maksim Shevtchenko, jornalista e membro da Câmara Pública, espaço não-legislativo criado para funcionar como fórum de discussão.

"Precisamos de eleições honestas, precisamos lutar com a arbitrariedade e o abuso de poder de funcionários públicos, do serviço secreto, policiais, e isso diz respeito ao novo presidente, seja ele quem for. Mas não queremos um golpe e a ruína deste país", arremata.  

 

 Evolucionários

Como nos eventos de dezembro, o protesto realizado na Praça Bolôtnaia foi organizado por frentes distintas, que incluíam o ex-vicê-premiê Boris Nemtsov, o membro da Frente de Esquerda Iliá Iáshin e a apresentadora de TV Ksênia Sobtchak, entre outros.

 

“Nós não somos revolucionários, somos evolucionários. Não atacamos ninguém, somos uma força pacífica, civilizada, que age no âmbito da lei e da Constituição”, disse Iáshin à Gazeta Russa. Segundo ele, ainda não se decidiu qual será o próximo passo após o evento de hoje.

“No mínimo, uma semana antes das eleições vamos fazer ouro grande protesto e no dia seguinte às eleições nós voltaremos à praça”, afirmou.

Além dos palestrantes, o evento também contou com shows do vocalista da banda de rock DDT, Iúri Shevtchuk, e de um novo hit da internet russa, o grupo “Pútin e os Soldados Paraquedistas”. Em menos de uma semana, os ex-soldados cinquentões arrebataram mais de um milhão de visualizações no YouTube com uma música em que pedem ao premiê que deixe o governo.

No final do comício, os manifestantes, cujo símbolo adotado desde dezembro é uma fita branca, soltaram milhares de balões da mesma cor na Praça Bolôtnaia.

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