Brasil e Cone Sul estão na mira de exportadores de armas russos

Foto: Kommersant

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Após perder boa parte dos contatos na América Latina, com o colapso da União Soviética, Moscou redescobriu o mercado dos países latino-americanos e tenta ganhar uma posição como fornecedor confiável de equipamentos.

Após perder boa parte dos contatos na América Latina, com o colapso da União Soviética, Moscou redescobriu o mercado dos países latino-americanos e tenta ganhar uma posição como fornecedor confiável de equipamentos.

Desde os tempos soviéticos, os helicópteros russos Mi-17 Mi-26 Mi-35 têm tido demanda na região como aeronaves confiáveis e altamente eficazes e capazes de executar missões tanto militares quanto humanitárias.

Nos últimos sete anos, o principal consumidor de equipamentos militares russos tem sido a Venezuela, com a qual a Rússia mantém relações econômicas e comerciais muito ativas. Desde 2005, a Rússia forneceu à Venezuela material de guerra no valor de mais de US$ 5 bilhões. As aeronaves russas, especialmente os helicópteros multiuso Mi-17V5, Mi-26T2 e Mi-35M2, se mostraram muito proveitosos na Venezuela, razão pela qual outros países latino-americanos passaram a considerar a hipótese de importação de material de guerra de origem russa.

Moscou está certamente interessada em fortalecer sua posição na região e diversificar sua pauta exportadora de equipamento de guerra. Numerosas notícias da deterioração da saúde do líder venezuelano, Hugo Chavez, assim como o aumento da tensão na Venezuela põem em dúvida os interesses econômicos da Rússia no país. Nessas circunstâncias, é completamente lógico que a Rússia procure ampliar o mapa de presença de seus produtores de armas na América Latina.

No dia 25 de janeiro, o presidente da corporação estatal Russian Technologies, Serguêi Chêmezov, declarou que a Rússia iria desenvolver uma cooperação técnico-militar com os países latino-americanos, destacando a esse respeito o Brasil, Argentina e Chile. Segundo o responsável, a Rússia “poderá fechar novos contratos com o Brasil e Argentina e continua negociando com o Chile”, não tendo, contudo, a intenção de concluir novos acordos com a Venezuela.

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Ao anunciar sua reorientação para os países do Cone Sul e o Brasil, Moscou visa não só a conclusão de novos contratos nas próximas exposições FIDAE e LAAD que serão realizadas em 2012 no Chile e no Brasil, como também elevar o rendimento de suas exportações de armas. Assolada por problemas econômicos, a Venezuela, que tem comprado material de guerra russo a crédito e servido de campo de provas de armas russas para o resto da América Latina, deixa de ser um parceiro economicamente vantajoso para uma cooperação técnico-militar.

O mercado latinoamericano é extremamente atrativo para Moscou. No Salão Internacional de Aeronáutica e Espaço MAKS-2011, exportadores russos fecharam contratos de venda de helicópteros russos à Argentina. No final de 2011, a empresa pública Rosoboronexport e a Corporação Russa de Comunicação promoveram conjuntamente na Argentina, Brasil, Peru e Equador sistemas automatizados de controle de segurança.

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Segundo Chêmezov, este ano, as exportações russas de armas e equipamento militar deverão atingir mais de US$ 12 bilhões. Com esse valor, a Rússia tem todas as chances de manter o primeiro lugar em vendas de armas à América Latina.

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