Zventa Sventana, o etno-folk eslavo

São cada vez mais frequentes os grupos estrangeiros de música étnica e esse estilo está na moda em todo o mundo.

São cada vez mais frequentes os grupos estrangeiros de música étnica. Esse estilo está na moda em todo o mundo. Classificações como world-music, etno-folk ou música popular permitem que ritmos tradicionais de qualquer povo sobrevivam e sejam disseminados mundo afora.

Quando sons tradicionais são misturados a outros estilos mais modernos, como jazz, blues, funk, reggae ou rock, nascem ritmos que facilitam a penetração da arte popular e de canções antigas em outras culturas.

Muitos artistas e músicos sentem a necessidade e a obrigação moral de viajar e visitar os lugares mais escondidos de seus povos em busca de tradições, canções e sons que passaram de família em família ao longo do tempo. Esse é o exemplo da banda brasileira Sepultura, que em uma viagem ao Amazonas recolheu sons indígenas e obteve a inspiração necessária para gravar seu bem-sucedido álbum “Roots”.  Na Espanha, o cantor Camarón de la Isla e seu álbum “La leyenda del tiempo” são referências obrigatórias. Depois de se reunir com músicos de vários estilos, realizou clássicos a frente de seu tempo. Cabe mencionar também o disco “Omega”, de Enrique Morente com Lagartija Nick, repudiado por alguns integrantes do universo do flamenco, que criticaram a iniciativa de mesclar um “cantaor” – como são chamados os cantores de flamenco – com um grupo de rock.

Acredito que até hoje ninguém foi capaz de superar esse trabalho, considerado uma das maiores obras do flamenco contemporâneo. Trata-se de canções que têm uma grande importância para o desenvolvimento e evolução da música tradicional e experimental na Espanha.

Nesse aspecto, é referência a banca de Moscou Zventa Sventana, formada em 2005 com a ideia original de misturar duas cantoras de estilos completamente diferentes. De um lado, o jazz e a música eletrônica de Christina Kuznetsova, e do outro, o folclore russo de Aliona Romanova, vencedora do concurso “A voz da Rússia”. Ambas trabalham com o produtor Iúri Usatchev com a intenção de despertar a memória daquilo que foi esquecido. Misturam canções típicas com elementos de jazz, funk e música eletrônica, de modo que canções antigas tornam-se mais acessíveis para o público atual.

Tina e Aliona realizaram uma expedição etnográfica por diferentes regiões da Rússia, com o intuito de conhecer os diferentes costumes e tradições.

O resultado dessas viagens está registrado nas músicas de Zventa Sventana, nas quais é possível encontrar arranjos de antigas canções populares russas mesclados com jazz, pop e djs, criando, assim, um estilo mais eletrônico e moderno.

Em 2006, foi lançado seu primeiro LP, intitulado “Sofrimento”, um álbum para se ouvir tranquilo em casa. Conta com passagens étnicas e alguns elemetos mais próximos às canções populares, como "Pochla Mlada” ou "Nastia”, nas quais as melodias de flautas e vozes misturadas à voz de Aliona são capazes de alcançar um ritmo particular. A voz de Tina Kuznetsova dá um toque blues e soul a canções como “Sobrancelhas” e "Oh Todo-Poderoso”. Duas vozes que se misturam e se harmonizam perfeitamente quando interpostas, e fica evidente a conexão entre elas. O maior destaque do disco é "Do lado da chuva", pois começa com a melodia de uma flauta e termina com ritmo de rap.

Zventa Sventana não é um grupo que goza de grande popularidade na Rússia, embora a qualidade de suas músicas venha ganhando grande reconhecimento musical. As duas tocam somente em festivais de worldmusic e etno-jazz, mas ainda não fizeram uma turnê por outros países da Europa. É de se admirar que essa dupla tenha conseguido evitar a clássica fórmula comercial de músicas com refrão pegajoso para investigar e mesclar estilos e registros de uma maneira tão original.

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