Bilionário lança programa eleitoral

Prôkhorov diante de banner com os dizeres "Obrigado pelo seu voto!" Foto: AFP / EastNews

Prôkhorov diante de banner com os dizeres "Obrigado pelo seu voto!" Foto: AFP / EastNews

Candidato à presidência da Rússia, Mikhail Prôkhorov construiu um programa eleitoral com base nas diferenças entre ele e o primeiro-ministro Vladímir Pútin.

O bilionário Mikhail Prôkhorov, candidato à presidência da Rússia, lançou seu programa político – batizado de “O Presente o Futuro”-, cujo texto integral está disponível em seu site. A principal proposta de Prôkhorov é a reavaliação das relações entre o governo e a população. “Acredito firmemente que o povo não foi criado para servir o governo, mas o governo foi criado para o povo”, escreveu Prôkhorov. “Peço para os cidadãos do meu país optarem pela responsabilidade pessoal em detrimento da obediência servil, por uma economia liberal em vez de uma gestão burocrática, por uma sociedade baseada em leis, e não no controle e na repressão.” Prôkhorov pede às pessoas para se unirem a ele na criação de um país novo e moderno por meio do estabelecimento de instituições que são abordadas nos 12 capítulos de seu programa, dentre os quais estão “Ideologia”, “Sistema Político”, “Eleições justas”, “Estratégia Econômica”, “Sistema Tributário”, “Combate à Corrupção e à Burocracia”, “Aplicação de leis e Segurança” e “Política Social”.

Em cada um desses capítulos, Prôkhorov compara e contrasta sua visão de uma área específica com aquela do partido Rússia Unida, liderado pelo primeiro-ministro e também candidato à presidência, Vladímir Pútin. Em seu capítulo sobre Ideologia, por exemplo, Prôkhorov descreve o princípio de Pútin como “um poder único e centralizado; o principal objetivo do governo é controlar a economia e a sociedade; sua base social inclui burocratas e autoridades de segurança”. Em contraste, Prôkhorov descreve seu principal valor como “dignidade e liberdade; a prioridade do governo é a proteção da propriedade privada; o maior recurso para o desenvolvimento do país é a iniciativa privada dos cidadãos”.

O programa é uma confirmação da declaração feita pelo chefe do gabinete da campanha de Prôkhorov, Anton Krasóvski, que, em uma entrevista ao canal de TV a cabo Dojd, disse que o único adversário do empresário seria Pútin. Até a recente nomeação como chefe de gabinete, Krasóvski era editor-executivo, produtor e coapresentador no canal de televisão russo NTV.

No fim de dezembro, Krasóvski  lançou a campanha eleitoral de Prôkhorov, declarando que seria “muito surpreendente”, por ser orientada pelo slogan “Sim, nós podemos” da campanha de Barack Obama em 2008 nos Estados Unidos. “Esse é o exemplo. Vale a pena ser adotado”, disse o ex-apresentador. “Estou certo de que não somos os únicos que vemos aquela campanha como uma referência de estratégia.”

Por enquanto, especialistas em política não encaram Prôkhorov como um candidato sério.  

“É evidente que os autores do programa de Prôkhorov não tiveram que trabalhar muito para concluir o documento. Trata-se basicamente de uma cópia do manifesto do Causa Direita e praticamente não apresenta novas ideias. Algumas delas são, inclusive, absurdos flagrantes. Um exemplo disso é a seção que fala sobre a antecipação das eleições para a Duma de Estado em 2012. Isso é impossível pela Constituição Russa, a menos que os próprios deputados desistam de seus mandatos”, disse Evguêni Míntchenko, diretor do Instituto Internacional de Informações Políticas. 

A opinião de Míntchenko é compartilhada pelo cientista político Serguêi Tcherniakhovski. “Todos os pontos declarados na campanha de Prôkhorov são bastante enunciativos. O documento poderia ter sido escrito por qualquer estudante universitário de relações públicas ou ciência política. Não fica claro qual é seu público-alvo. É simplesmente uma reunião de propostas corretas, controversas e confusas, que colocará os eleitores diante de um impasse. Não creio que esse programa irá gerar mais votos para Prôkhorov”, disse Tcherniakhovski. Segundo o especialista, o eleitor deve “simplesmente acreditar que Mikhail Prôkhorov é melhor do que Vladímir Pútin”, mas o documento não contém evidência alguma que suporte essa tese.

“A campanha de Obama foi, de fato, notável e bem-sucedida. Uma de suas principais ideias foi dar um impulso para a classe trabalhadora. Não estou certo de que Prôkhorov seja capaz de repetir isso”, disse Tcherniakhovski.

Esse artigo é um resumo da versão original que pode ser encontrada no link a seguir http://kommersant.ru/doc/1847655.

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