Rússia vai aderir a convenção internacional de combate à corrupção

Foto: TASS

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Governo aprova adesão a convenção que tem como objetivo coibir o crime de suborno de funcionários públicos estrangeiros.

Os subornos de funcionários estrangeiros serão punidos com mais severidade na Rússia, após a Duma de Estado (câmara dos deputados do parlamento russo) aprovar a lei da adesão do país à Convenção sobre o Combate à Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais.

Em março de 2010, o governo dos EUA acusou a montadora alemã Daimler de ter subornado funcionários públicos em 22 países, incluindo a Rússia.

Entre os clientes da Daimler estiveram o ministério do Interior, o ministério da Defesa, o departamento de transporte do Serviço Federal de Segurança e o governo de Moscou. Para obter contratos, a Daimler gastou US$ 5 milhões em subornos e foi multada pela justiça americana em US$185 milhões.

A adesão do país à Convenção sobre o Combate à Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros é uma das principais condições da entrada da Rússia para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A Rússia deseja há muito aderir a esse organismo internacional mas não preenche, por enquanto, todos os seus requisitos.

Por outro lado, essa medida poderá fechar ao empresariado russo alguns países e até continentes, adverte o diretor-geral do Centro de Estudo e Avaliação de Problemas Jurídicos e Econômicos da Iniciativa Privada, Vladímir Skripnichenko.

“Ninguém contesta que temos que seguir as regras adotadas no país anfitrião. Mas na África, por exemplo, o nível da corrupção ultrapassa todos os limites imagináveis. Lá é impossível fazer negócios sem subornar os funcionários públicos. Claro que se nossos empresários se recusarem a pagar gratificações aos titulares de cargo locais ficarão impossibilitados de fazer seus negócios”, declarou.

De acordo com um estudo recente da Transparência Internacional, os empresários russos estão entre os mais corruptos do mundo e só perdem para os chineses.

“Empresas russas com operações no exterior não encaram o pagamento de subornos como algo anormal. Para elas, é uma prática comum, embora na Rússia, muitas  vezes, forçada. Outra causa é a falta de punição na Rússia para esse tipo de crime, ao contrário do que acontece nos países subscritores da Convenção”, afirma o vice-diretor da Transparência Internacional da Rússia, Iván Ninênko. 

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