Os 11 melhores filmes russos de 2011

Fotos: kinopoisk.ru

Fotos: kinopoisk.ru

Lista traz produções de renomados diretores e filmes premiados em festivais internacionais. Longas ainda não têm previsão de estreia no Brasil.

Geração P

Adaptação para as telas de cinema do romance homônimo de Viktor Pelévin, dirigida por Viktor Ginzburg. O projeto foi desenvolvido como “cinema independente”.

Sinopse: Vavilen Tatarski, que encontra uma nova realidade como funcionário de uma agência de publicidade responsável pela promoção de grifes ocidentais, trabalha adaptando tais marcas à “mentalidade russa”.

“Basicamente, essa história não possui uma trama no sentido clássico; tudo está atrelado às dinâmicas, à força de atração e à ideia filosófica do “Oh, não”. Estou mesmo muito contente dos críticos estarem encarando a obra como uma adaptação literal – pelo visto acabei sendo capaz de transmitir o espírito e a essência do trabalho para o espectador.” (Viktor Ginzburg)

 

Elena

De acordo com os críticos, esse drama dirigido por Andrêi Zviagintsev (de “O Retorno” e “O Desterro”) segue a tradição do cinema existencial de Andrêi Tarkóvski. O filme recebeu o Prêmio Especial do Júri da mostra Um Certo Olhar durante o 64° Festival de Cinema de Cannes.

Sinopse: Vladímir, empresário rico e idoso, casou-se com sua enfermeira, Elena, depois de viverem juntos por quase oito anos. Ambos têm filhos de casamentos anteriores. Disputas relacionadas ao testamento de Vladímir levam Elena à ideia de envenenar o marido.

“Quando as luzes se apagam é, para maioria das pessoas, apenas o cessar da chama, mas, para Elena, é o tilintar dos sinos, um chamado. Ela então se depara com o próprio inferno de sua alma.” (Andrêi Zviagintsev)

 

Fausto

Um filme de Aleksandr Sokurov, diretor listado pela Academia Europeia de Cinema entre os 100 melhores diretores do cinema mundial. “Fausto” recebeu o Leão de Ouro no 68° Festival Internacional de Cinema de Veneza. O filme será lançado na Rússia no fim de janeiro deste ano.

Sinopse: Esse é o trabalho final da série de quatro filmes dirigidos por Sokurov sobre poder, que inclui “Moloch”, “Taurus” e “O Sol”. O filme é baseado na primeira parte da tragédia de Goethe, “Fausto”. Para realizar as filmagens nos arredores de Praga, os criadores do filme construíram uma cidade especial, recriando a atmosfera do início do século 19 na Alemanha.

“Fausto foi um homem que realmente existiu. Hitler foi uma pessoa de verdade. Lênin e Hirohito também. Eu acabo com mitos? Estou apenas olhando para eles como seres humanos.” (Aleksandr Sokurov)

 

Chapiteau Show (título internacional; sem título oficial em português)

Essa comédia musical foi feita pela associação criativa SVOI 2000 com o diretor Serguêi Loban. O filme venceu o São Jorge de Prata, prêmio especial do júri no 33° Festival Internacional de Cinema de Moscou, e foi aclamado pela jurada Geraldine Chaplin, filha de Charles Chaplin. O filme será lançado em edição limitada em janeiro de 2012.

Sinopse: Quatro histórias cruzadas sobre viagens pelo mar. Cada uma das sequências tem seu próprio tema: amor, amizade, respeito e cooperação. Em cenas intercruzadas, os personagens de cada pequena história chegam a uma cidade litorânea e vivenciam situações que mudam suas vidas.

“Assim como na vida, na qual todos se veem como centro de seu próprio drama, os personagens em “Chapiteau” são os personagens principais de suas próprias histórias, embora na vida das demais pessoais dificilmente sejam personagens notáveis. As histórias são cheias de tragédia – mas é exatamente quando os personagens estão passando por dramas pessoais é que as coisas se parecem cômicas por outro lado.” (Serguêi Loban) 

 

Sábado Inocente

O filme de Aleksandr Mindadze recebeu o Grand Prix no Festival Internacional de Cinema de Bruxelas.

Sinopse: Um dia na vida de Valeri Kabich, um funcionário do partido minoritário da cidade de Pripyat. Valeri toma conhecimento da explosão de um reator na quarta unidade da usina de energia nuclear e tenta escapar, levando sua antiga paixão consigo.

“Esse filme sobre o desastre de Tchernobil é uma metáfora da vida na Rússia, com uma abordagem internacional. Acima de tudo, estava interessado em retratar como as pessoas são incapazes de fugir de um desastre. Muito pelo contrário: elas não conseguem se mover, vivem sem refletir.” (Aleksandr Mindadze) 

Pátria ou Morte

O documentário de Vitáli Mánski representa uma mudança em direção ao “novo cinema realidade”.

Sinopse: Uma crônica sobre a vida de várias famílias cubanas. Por mais de 50 anos, a nação tem vivido pelo lema da revolução vitoriosa: "Pátria ou Morte." Tal slogan representa um dilema real para diversas gerações de cubanos.

“O que vem à cabeça quando se fala em Cuba? Muito provavelmente um conversível cheio de rapazes loiros felizes em camisetas coloridas...o vasto oceano refletido em seus olhos. Mas de todas essas coisas, a única coisa que existe de verdade é o vasto oceano, separando a ilha do resto do mundo.” (Vitáli Mánski)

 

O Mestre e Margarida

Dirigida por Iúri Kara, a adaptação para as telas de cinema do romance homônimo de Mikhail Bulgákov foi filmada em 1994, mas só foi lançada em 2011, por conta de desentendimentos entre o diretor e os produtores. “Nosso filme está mais próximo dela [da obra de Bulgákov] esteticamente do que o cinema moderno, com toda sua computação gráfica.” (Iúri Kara)

 

Twilight Portrait (título internacional; sem título oficial em português)

Primeira película da diretora Angelina Nikonova, que vive nos Estados Unidos. O filme venceu muitos prêmios durante uma impressionante turnê de festivais – de Veneza a Thessaloníki.

Sinopse: Marina, uma trabalhadora atraente de classe social elevada, encontra-se um dia sozinha na periferia de Rostov. Ela é estuprada por três policiais de trânsito e decide se vingar de um deles até que se apaixona por ele.

“Para mim e para Olga Dikhovitchnaia (atriz principal), “Twilight Portrait” foi um enorme desafio. Eu tive que combinar as funções de produtora executiva, assistente de direção, gerente de produção, gerente de locação, diretora de arte, maquiadora...!” (Angelina Nikonova)

Heart’s Boomerang (título internacional; sem título oficial em português)

O drama de Nikolai Khomeriki fez parte da competição principal no Melbourne International Film Festival de 2011.

Sinopse: Filmado em preto e branco, o filme conta a história de Kostia, 23, uma assistente de engenharia do metrô, que é informada por um médico de que possui uma doença cardíaca e corre o risco de morrer a qualquer instante. 

“Atingir o tipo de verdade que existe em um documentário está além da arte. É por isso que às vezes misturo pessoas reais com atores. E eu adoro o que chamo de “dramaturgia emocional”, quando não se edita a trama.” (Nikolai Khomeriki)

 

Vissótski: Obrigado por Viver

A obra de Petr Buslov sobre o músico e ator tão amado na Rússia, Vladímir Vissótski, traz um ator anônimo no papel que dá titulo ao filme. “Mostramos Vissótski por ele mesmo”, prometeram os produtores do filme, despertando uma onda de interesse pela obra antes mesmo de sua estreia nas salas de cinema.

 

Tchantrapas

Talvez nem todos na Europa lembrem ou até mesmo conheçam o passado soviético de Otar Iosseliani, forçado a deixar o país por causa de desavenças com as autoridades, vivendo e trabalhando na França desde o início dos anos 80. O mais recente filme do diretor de 77 anos de idade se passa em russo.

Sinopse: Nikolai, um diretor que se assemelha ao jovem Iosseliani, vive o seu ideal de arte intransigente e está dividido entre burocratas e censores de todos os tipos. Por fim, decide deixar o país. Em Paris, ele descobre que os produtores locais não são melhores do que os funcionários do partido, e algumas vezes agem de modo ainda mais autoritário.

“Essa é a história sobre a necessidade de se manter fiel a si mesmo, apesar de as coisas ao seu redor e dos obstáculos encontrados ao longo do caminho.” (Otar Iosseliani) 

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