Exposição transporta visitantes à Moscou dos anos 50

A praça Bolotnaia Foto: Aleksêi Góstev

A praça Bolotnaia Foto: Aleksêi Góstev

Trabalhos da exposição fotográfica "Histórias Moscovitas" falam sobre a vida da capital dos países soviéticos dos anos 50 e fazem cada um lembrar sua própria história

São poucas as pessoas que hoje reconhecem na Praça do Manej, em Moscou, o lugar de peregrinação de estrangeiros na década de 1950. Quase ninguém se lembra do bonde de dois andares e do primeiro automóvel soviético, o Russo-Balt, cortando Moscou, ou da caixa de areia para as crianças bem no meio do Bulevar da Tverskaia. Essa Moscou tão diferente da cidade moderna é lembrada em centenas de filmes e canções soviéticas. Lembrar aqueles que se esqueceram e mostrar aos que não sabem como eram as cúpulas douradas é o que os organizadores da exposição "Histórias Moscovitas. Século 20" resolveram fazer.

Um gênero – a reportagem – e um número infinito de estilos e artistas estão reunidos em três salas de uma galeria de Moscou. Fãs da fotografia soviética estão familiarizados com os nomes de Boris Ignatóvich, Naum Granóvski, Aleksêi Gostev, Emanuel Evzerikhin, Iakov Khalip, Mark Markov-Grinberg, Mikhail Trakhman, Aleksander Ustinov, Viktor Akhlomov, Iuri Trankvilitsk e outros. A correspondente da Gazeta Russa conseguiu conversar com um deles – Vladímir Stepanov.

O Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em Moscou, 1957 Foto: Mikhail Trakhman


 "Quando eu fiz as minhas primeiras fotografias, tinha dezessete anos. Isso foi em 1957", conta Vladímir Nikolaievitch Stepanov. "Na época, nós aprendíamos a fotografar em cursos pioneiros, havia muitos então na União Soviética. Minha máquina custou alguns centavos, mas as fotos eram o que você precisava! E, sabe, naquela época, eu tinha até um lema: 'Tire fotos daquilo que ninguém tira'."

A curadora da exposição Natália Ponomariova contou sobre a dificuldade que os fotógrafos amadores tinham em meados do século passado:

 "Nos anos 50, nem todos podiam fotografar Moscou, e muitas vezes os fotógrafos eram abordados por autoridades que expunham o filme à luz ou confiscavam a câmera. Em resposta, os fotógrafos começaram a fotografar a vida das pessoas da capital dos países soviéticos das janelas dos carros. Na mostra, podemos ver imagens assim.”

Miliciano orientando o trânsito na Praça Vermelha, 1954 Foto: Nikolai Rakhmánov


A exposição "Histórias Moscovitas" é um álbum de fotos do século 20: em 1934 , há o ncontro dos participantes sobreviventes da expedição ao Ártico "Tcheliuskin"; em 1953, o adeus a Joseph Stalin, quando milhares de pessoas marcharam por três dias e três noites.

A sequência fala por si só: a Revolução Russa, a abertura da Exposição Agrícola de Toda a Rússia, a Grande Guerra Patriótica, o desfile do Dia da Vitória, a construção da Universidade Estatal de Moscou em Vorobiovie Gora, a abertura do estádio Lujniki, o IV Festival Internacional da Juventude e dos Estudantes e muitos outros eventos.

Gorky Street (hoje o dia é Tverskayaapós a reconstrução, 1934 Foto: Naum Granóvski


Mas as lentes dos fotógrafos soviéticos não se limitavam apenas a isso.

"Além de eventos socialmente significativos, era importante para nós mostrar a vida e o dia a dia dos moscovitas: fins de semana nos parques e nas avenidas da querida Moscou, um passeio de elefante ao teatro do Exército Vermelho, crianças na caixa de areia no Bulevar da Tverskaia, residentes das regiões de Maslovka e Zamoskvorechie", observa a curadora da exposição, Natália Ponomariova.

A vida em Moscou é mostrada por meio de relações humanas, encontros e desencontros, amor e amizade. Casais apaixonados nos seus pontos de encontro próximos a monumentos e bilheterias de cinema, um menino, agachado perto do monumento, lendo seu livro. Cada fotografia conta uma pequena história.

A vida da cidade do início do século 20 até os anos 60 encaixam-se nas 300 fotos tiradas. Três salões e 300 fotografias e, mesmo assim, ninguém sai satisfeito. No livro de comentários e sugestões encontra-se escrito várias vezes: "A exposição é incrível, mas deveria ter mais fotos!".

No livro de comentários, que, segundo a curadora da mostra Natália, lê-se como um romance, podemos realmente encontrar muitos comentários interessantes como "Obrigado por me ajudar a voltar à infância. Obrigado porque agora as crianças sabem como era a nossa Moscou".

Os últimos dias da exposição da galeria Lumière estavam repletos de visitantes. A exposição foi encerrada, mas em breve, haverá uma segunda parte de "Histórias Moscovitas", com fotos dos anos 60 a 90.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.