Protesto por liberdade de Udaltsov termina sem detenções em Moscou

Apesar de não ser autorizado pela prefeitura, evento que reuniu cerca de 500 pessoas na Praça Pushkinskaia na última quinta-feira (29) terminou sem violência. Caráter pacífico de evento pode refletir mudanças na relação entre governo e cidadãos depois de protestos massivos.

Na última quinta-feira (29), cerca de 500 pessoas reuniram-se na Praça Pushkinskaia, no centro de Moscou, para pedir a liberdade de Serguêi Udaltsov. Detido no  primeiro protesto contra as eleições parlamentares do dia 4 de dezembro, Udaltsov foi condenado a 5 dias de prisão. Após uma greve de fome, entretanto, foi encaminhado ao hospital, depois do que foi condenado a mais 25 dias de prisão.

No centro da praça, o deputado Iliá Ponomariov (partido Rússia Justa), rodeado de jornalistas, proferiu um discurso pela liberdade do ativista, que é líder da organização Frente de Esquerda e já foi detido mais de 100 vezes em manifestações.

“Viemos ao protesto para apoiar a liberdade de Serguêi Udaltsov, para que parem de humilhá-lo”, disse à Gazeta Russa o estudante de direito Viatcheslav Tsener, 20 anos. “Não compartilhamos de suas ideias de esquerda, porém, defendemos os direitos humanos, porque não foi legal o modo como lidaram com ele e o atormentaram”, completa Tsener.

Silenciosa durante a maior parte do tempo, a multidão tentava escutar as palavras do deputado, mas por vezes irrompia em gritos de “liberdade a Udaltsov!”, “liberdade a [Mikhail] Khodorkóvski!”, “liberdade aos presos políticos!”. Era quando a polícia pedia, pelo megafone, que os cidadãos se acalmassem, declarando que a ação não era autorizada.

Serguêi Udaltsov Foto: Nikinoz1917

No dia do protesto, o Ministério do Interior divulgou nota em seu site pedindo aos russos que não comparecessem ao evento, que não foi autorizado pela prefeitura da capital.

“Aqui tem relativamente pouca gente, em primeiro lugar, porque o evento não foi autorizado, e nossa gente é muito obediente em relação às leis, porque sabe como tudo isso termina. Nem todo mundo está preparado para passar a noite na prisão”, disse a professora de direito aposentada Natália Beliaeva, 70.

“Como pessoa e como político eu apoio Udaltsov, e o apoio também como vítima da repressão policial que atinge os ativistas do nosso país, e não apenas ele. É só pegar qualquer um deles: todos já foram presos. Isso não deveria ser assim, ativista não é marginal”, arremata Beliaeva. 

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