A influência da internet nas mudanças do sistema eleitoral

Vladímir Pútin Foto: TASS

Vladímir Pútin Foto: TASS

O primeiro-ministro Vladímir Pútin, conhecido por negligenciar o potencial da rede, propôs organizar uma discussão virtual sobre a transparência das eleições presidenciais de 2012.

Apesar da acentuada queda de apoio público, há expectativa de que a terceira candidatura de Pútin à presidência resulte em mais uma vitória.

O objetivo do primeiro-ministro é alcançar o máximo possível de transparência durante as futuras eleições, de acordo com o discurso realizado na sessão da Frente Popular da Rússia. Pútin também criticou os grupos de oposição pelas tentativas de deslegitimar as eleições.

Eles não têm “um programa comum nem métodos claros e compreensíveis para atingir suas metas, que, por sua vez, também são incertas”, segundo declarações publicadas pela agência Interfax. “Quando tal situação ocorre, alguém logo aparece falando publicamente sobre deslegitimar e desvalorizar tudo”, comentou sobre as manifestações pós-eleições.

Tchurov

Presidente do Comitê Eleitoral Central, Vladímir Tchurov

Em relação às eleições presidenciais de 2012, Pútin, que se tornou o primeiro candidato oficial, confirmou que vai discutir a objetividade do processo eleitoral com o presidente do Comitê Eleitoral Central, Vladímir Tchurov. Ele sugeriu tornar o processo de votação mais transparente. Entretanto, ainda não se sabe como ele pretende colocar essa ideia em prática.

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A atitude de Pútin é importante no contexto dos protestos que reuniram milhares de pessoas em Moscou e outras cidades russas no último sábado (24). A população expressou sua indignação contra a suposta fraude eleitoral e contra o favoritismo do partido Rússia Unida de Pútin nas recentes eleições parlamentares. Os manifestantes, incluindo figuras da oposição, intelectuais e celebridades, pediram também o afastamento de Pútin.

“Nesses casos, há sempre muitas tentativas de deslegitimar e desvalorizar tudo que está acontecendo na esfera pública, incluindo as eleições”, disse Pútin durante a reunião com seus partidários nesta terça-feira.

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Existem “certas forças” por trás dos protestos que “não possuíam objetivo algum nem programas ou líderes”, disse Pútin durante seu discurso aos membros da Frente Popular da Rússia, um grupo de coalizão formado em maio deste ano. O premiê havia anteriormente descrito os grupos de oposição como “agentes do Ocidente financiados pelo exterior”.

As próximas manifestações são esperadas para depois do feriado de Ano Novo.

Não é à toa que Pútin havia pedido, nesta segunda-feira, maior envolvimento do Estado nas declarações transmitidas pela televisão e pela internet. Ele também admitiu que as autoridades não usaram todo o potencial da internet até o momento e propôs o uso da rede como ferramenta para criar um diálogo entre os cidadãos e as autoridades.

Durante sua conferência anual pela televisão, “Fale com Vladímir Pútin”, o primeiro-ministro disse que não via motivo para criar restrições à internet na Rússia. “É um processo tecnologicamente sofisticado e errado do ponto de vista político”, afirmou. “As autoridades devem introduzir novas formas de solucionar os problemas que são discutidos na internet, além de fazê-lo de um modo criativo para atrair mais seguidores.”

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Ele já havia proposto a instalação de webcams em todos os colégios eleitorais da Rússia a fim de prevenir fraudes. Entretanto, blogueiros e outros usuários de internet questionaram a validade dessa ideia, pois tal iniciativa seria insuficiente para impedir o “enchimento” das urnas.

Pútin também disse não usar internet com frequência porque “não tem tempo para isso”. Ainda assim, segundo o primeiro-ministro, o governo deve “fazer um esforço maior” para compreender os novos meios de comunicação com a sociedade. “É uma psicoterapia nacional que ajuda as pessoas a ganhar mais confiança para o futuro.”

 “[A mais recente atitude de Pútin] é uma tentativa de estabelecer uma comunicação entre a estrutura vertical das autoridades da Rússia e os usuários de internet, que estão acostumados a se comunicar em nível horizontal”, disse Ivan Zasúrski, diretor do Departamento de Novas Mídias da Faculdade de Jornalismo na Universidade Estatal de Moscou. “Precisamos de um tipo de psicoterapia que reconsidere a cultura da comunicação”, argumenta. “É necessário estabelecer um diálogo e promover a transição de um regime meramente “informativo” para uma cultura

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