Um doce negócio para a Rússia

Indústria açucareira supriu 100% da demanda interna em 2011. Projeção era que país alcançasse 80% do mercado só em 2020, mas ganho de produtividade antecipou a meta.

No início de 2011, a Rússia comprava grandes quantidades de açúcar de Cuba e do Brasil. Maior exportador do produto para o país, o Brasil vendeu para a Rússia, só entre 2010 e abril de 2011, 2,3 milhões de toneladas do produto, segundo pesquisa de mercado do ID Marketing.



Atualmente, o país euroasiático é responsável por apenas 2,5% da produção mundial de açúcar, enquanto o Brasil detém 23,5%. Mesmo assim, especialistas do setor acreditam que a Rússia poderá passar de importadora a exportadora nos próximos anos. 



O único impedimento para ampliar o destino do produto russo no mercado internacional, no momento, seria a ausência da infraestrutura portuária necessária. Os países da CEI (Comunidade dos Estados Independentes) já começaram a ser abastecidos pela indústria açucareira da Rússia.

Exportadores para a Rússia


No final de novembro, o vice-primeiro-ministro Víktor Zubkov disse que a Rússia poderá colher 48 milhões de toneladas de beterraba sacarina neste ano.

Rússia encheu a CEI de açúcar, mas não tem infraestrutura para ir além


“Nunca antes tivemos uma safra tão grande. Podemos produzir cerca de 5,5 milhões de toneladas de açúcar, que é o suficiente para nos suprir até a safra do próximo ano”, afirmou Zubkov. 



A projeção da Doutrina de Segurança Alimentar da Rússia, entretanto, previa que o açúcar de produção nacional cubrisse 80% da demanda interna só em 2020. Em 2009, o açúcar nacional ocupava apenas 55% do mercado interno. 



Boa safra

 

A safra recorde e o aumento de capacidade de processamento da indústria levarão a Rússia a exportar, no biênio 2011-2012, até 200 mil toneladas de açúcar refinado, produzido a partir da beterraba. Isso tudo apesar de o país ter estado, há apenas alguns anos, entre os maiores importadores de açúcar bruto de cana.



Segundo a União de Produtores de Açúcar da Rússia, o consumo de açúcar no país permanecerá estável até 2020 e não ultrapassará os 39 kg per capita por ano. 



“Na Rússia, como nos países europeus, o consumo de açúcar apresenta os valores mais altos. Compare: na China, o consumo médio anual per capita é de cerca de 10 kg”, explica o presidente da União de Produtores de Açúcar, Andrêi Bodin. 

O consumo de açúcar deve permanecer no nível dos 5,5 milhões de toneladas por vários anos, acrescentou. Com o atual apoio do governo, o setor agrícola russo poderá dobrar a produção de beterraba sacarina por meio da ampliação das áreas de plantio e do aumento do rendimento da cultura. 

Neste ano, a área de plantio de beterraba sacarina russa foi de cerca de 1,3 milhão de hectares com beterraba. Esse número pode se ampliar em breve para 3 milhões de hectares. O rendimento médio da beterraba aumentou, neste ano, em 25% em relação ao ano de 2009, atingindo 38 toneladas por hectare. Na Europa, o rendimento médio é de 80 toneladas por hectare.

Além disso, planeja-se aumentar os investimentos na reforma de usinas. Segundo a união de produtores, só a modernização das usinas absorverá cerca de 80 bilhões de rublos (R$ 4,6 bilhões) entre 2012 a 2014 e permitirá aumentar a capacidade em 33% em relação à atual. Modernizadas, as usinas processariam cerca de 420 mil toneladas de beterraba por dia, contra as 315 mil toneladas atuais. 

A holding agrícola Razguliai deve investir 5 bilhões de rublos (R$ 286,5 milhões) na modernização de suas unidades e aumentar sua capacidade produtiva para 800 mil toneladas de açúcar por ano. Já a Rusagro pretende aumentar em 25% a capacidades de suas refinarias de açúcar até 2016 e ampliar as áreas de plantio. 

A Rússia copia a experiência da Europa, que, ao abastecer seu mercado com açúcar doméstico, passou a exportá-lo e a produzir biocombustível.

Os russos já encheram os países da Comunidade de Estados Independentes (CEI) de açúcar , mas não podem exportar para outros países devido à falta de infraestrutura.

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