Mesmo com menor influência, partido Rússia Unida mantém maioria no parlamento

Foto: AFP / EastNews

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Com a maioria na câmara baixa, o partido Rússia Unida obteve também a maior parte dos cargos dirigentes. A presidência da câmara foi assumida por Serguêi Naríchkin, ex-chefe do Gabinete da Presidência, apesar dos protestos da oposição. O mandato da nova Duma de Estado expira em dezembro de 2016.

“Agora Serguêi Naríchkin terá de demonstrar suas qualidades de diplomata e negociador”, disse a diretora do Centro de Estudos sobre as Elites do Instituto de Sociologia da Academia de Ciências da Rússia, Olga Kristanóvskaia.


Segundo um acordo feito entre os partidos parlamentares, o Rússia Unida vai presidir 15 das 29 comissões do parlamento, enquanto o Partido Comunista, a segunda maior bancada parlamentar, presidirá seis. O Rússia Justa e o Partido Liberal Democrático (LDPR, na sigla em russo) vão presidir quatro comissões cada um.

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Apesar de ainda deter a maioria das comissões, o Rússia Unida esteve em melhor situação na Duma anterior, quando teve a presidência de 26 das 32 comissões parlamentares.

Ainda assim, o Rússia Unida mantém o controle sobre as comissões de orçamento e impostos e de direito constitucional. Portanto, nenhuma iniciativa legislativa avançada pelas comissões presididas pelos partidos oposicionistas poderá ser aprovada sem o consentimento das comissões “governistas”.

A comissão de defesa será presidida pelos comunistas, que nos últimos anos tem se pronunciado contra a reforma das Forças Armadas e adoção da prática de prestação do serviço militar em regime de contrato.

Mas agora que a reforma está quase concluída é pouco provável que o presidente da comissão de defesa pelo partido comunista, almirante Vladímir Komoédov, seja contra os planos do governo de aumentar os gastos militares.

A nova relação de forças na câmara baixa do parlamento russo não vai impedir o poder executivo de fazer passar os projetos de lei que considerar necessários, mas não será tão fácil quanto nos últimos quatro anos, quando o Rússia Unida teve a maioria constitucional.

“O trabalho da nova Duma será marcado por mais discussões e os debates serão mais tensos, afirma o diretor-geral da Agência de Comunicações Políticas e Econômicas”, Dmítri Orlov.


“Compreendemos que, na nova Duma de Estado, haverá uma quinta força, além das quatro bancadas parlamentares, muito importante e influente: a sociedade civil”, disse o presidente da bancada do Rússia Unida e presidente do Comitê Central da sigla, Andrêi Vorobióv. “Todos os projetos de lei importantes serão submetidos à consulta pericial e debatidos abertamente a fim de entendermos melhor como eles vão funcionar”, completou. 

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