Pútin lança campanha presidencial

Foto: Reuters

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O primeiro-ministro da Rússia, Vladímir Pútin, lançou sua campanha presidencial nesta quinta-feira (15), durante sua tradicional teleconferência anual, que incluiu várias perguntas da plateia sobre a disputa das eleições parlamentares para a Duma (Câmara dos Deputados da Rússia) em 4 de dezembro.

No que parecia ser um ataque contra o oligarca Mikhail Prókhorov, que anunciou sua candidatura na segunda-feira, Pútin disse que “o povo não deveria eleger pessoas simplesmente em troca de esmolas de oligarcas ou seus representantes”. “Eles precisam eleger pessoas que eles respeitem, que tenham feito algo pelo país."

Durante a teleconferência, Pútin destacou que a pobreza da população russa caiu de 29%, quando ele chegou ao poder, até um recorde pós-soviético de 12% (atualmente menor do que o nível da maioria dos países ocidentais). O desemprego também caiu para 6%, inferior ao seu nível pré-crise, enquanto a inflação também se mantém baixa, entre 6 e 7%.

  “Para a Rússia isso é um excelente resultado. No Reino Unido a inflação é de 5%. A inflação da Rússia está se aproximando dos níveis da União Europeia", disse Pútin, acrescentando que a dívida russa caiu de 120% para 2,5% do PIB. "Essa é uma base sólida para uma economia relevante e a fundação de um sistema social."

Pútin também abordou diretamente os temores da população e as demandas dos recentes protestos ocorridos na Rússia. "Precisamos ampliar o nosso sistema democrático para que as pessoas sintam-se em contato mais próximo com as autoridades a nível regional e federal, precisamos construir mais confiança [entre o povo e o governo]", disse.

O primeiro-ministro não poderia deixar de fazer uma provocação ao Ocidente depois que os EUA admitiram o financiamento a grupos de oposição, dizendo que o sistema deve ser fortalecido para pôr fim às "interferências estrangeiras" na política russa.

 Para melhorar a transparência e prestação de contas das eleições, Pútin prometeu que câmeras de vigilância serão instaladas em cada seção eleitoral para que "o país inteiro possa ver o que está acontecendo em todas as urnas". Apesar de contribuir para a transparência do processo eleitoral, a medida não será suficiente, já que observadores independentes afirmam que as urnas lacradas chegaram às seções eleitorais já contendo cédulas preenchidas.

As câmeras podem ajudar a aplacar um pouco a raiva e promover alguns dos  sentimentos de "confiança" que Pútin quer, mas não resolverão o problema da manipulação eleitoral. O que é necessário é um sistema completo de fiscalização e observadores independentes para validar a contagem, no qual todos os partidos estejam representados na supervisão das urnas e não apenas burocratas do Estado. Essa é a única maneira de dar credibilidade ao voto. 

Originalmente publicado no http://www.bne.eu/

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