Um dos maiores artistas da era soviética, Vladímir Vissótski é tema de filme

O quadro de “Vissótski, Obrigado por Viver” Foto: Kinopoisk.ru

O quadro de “Vissótski, Obrigado por Viver” Foto: Kinopoisk.ru

Um dos mais famosos músicos soviéticos, Vladímir Vissótski é provavelmente o artista cujo lugar na história e nos corações dos russos mais cresceu ao longo dos anos. Seu estilo de cantar cativou um lugar no imaginário emocional russo. Como Johnny Cash, Serge Gainsbourg ou Bob Dylan, Vissótski tornou-se uma figura cult.

Desde sua morte há 30 anos, as demonstrações de admiração multiplicaram-se: estátuas do músico foram erguidas em Moscou e em Iekaterinburgo; inúmeras teses foram escritas sobre ele, junto com livros, biografias e coletâneas musicais; seu túmulo no cemitério de Vagankovskoie parece estar sempre coberto de flores frescas. Seus fãs também fazem peregrinações ao Museu e Centro de Cultura Vissótski, localizado ao lado do teatro Taganka, onde estão expostas fotografias, documentos, roupas e manuscritos do artista.

O mais recente tributo a Vissótski é um filme. No dia 1o de dezembro, foi lançado o longa “Vissótski, Obrigado por Viver”. Produzido por Konstantin Ernst e Anatóli Maximov, levou quase cinco anos e US$ 13 milhões para ser realizado. O roteirista Nikita Vissótski, filho do músico, enfatizou, durante uma coletiva de imprensa, que, embora baseado em acontecimentos reais, trata-se de uma obra ficcional, retratando um período dramático na vida de Vissótski: sua turnê no Uzbequistão em 1979, quando teve uma experiência de quase morte. Ele morreu cerca de um ano depois daquela data.  

O ator que interpreta Vissótski é um segredo. A imprensa e a blogosfera acreditam que seja Serguêi Bezkurov (famoso por interpretar diversos poetas russos) ou Vladímir Vdovitchenkov (que resguarda semelhanças físicas com o artista). Entretanto, os cineastas mantiveram silêncio, aumentando a especulação.

O filme não só conta a história do poeta e músico, mas também reflete a atmosfera dos anos 70. “Vissótski” foi gravado usando lentes soviéticas raras, algumas das quais foram emprestadas de coleções pessoais. Os cinegrafistas trabalharam com câmeras modernas adaptadas para receber essas lentes antigas.

Nascido em Moscou, em 25 de janeiro de 1938, Vissótski teve uma infância normal para o período. Em 1955, começou a estudar engenharia sob pressão de sua família e largou os estudos apenas um semestre depois para se tornar ator. Em 1956, entrou para a Academia de Artes de Moscou, onde quase foi rejeitado por causa de sua voz, que, ironicamente, é um das características que o tornou tão famoso.

Depois de se formar em 1960 e trabalhar em diferentes teatros, Vissótski entrou para o teatro Taganka, em 1964. Ali, ele interpretou cerca de 20 papéis. Vissótski também apareceu em 26 filmes e escreveu quase mil músicas, bem como diversas coleções de poemas. Juntas, essas canções formam uma enciclopédia da era soviética. A profundidade de Vissótski, sua voz rouca, além da intensidade e paixão colocadas em seu trabalho, fizeram com que o público sentisse estar vivenciando as aventuras sobre as quais cantava.

A fama de pouco ortodoxo e os hábitos extravagantes de Vissótski – incluindo possuir uma Mercedes em pleno período soviético e casar-se com a atriz francesa Marina Vlady – causaram desconfiança e inveja em muitos. Porém, ele seguia o sistema, fazendo shows por todas as cidades pequenas e anunciando suas apresentações apenas algumas horas antes, para que as autoridades locais não tivessem tempo suficiente de se consultar com Moscou sobre proibi-las ou não.

Sua fama era tamanha que toda vez que um grupo de agentes da KGB descobria alguma coisa sobre seu próximo show, os agentes de outro departamento da KGB repassavam informações erradas para enganar seus colegas e conseguirem assistir à apresentação.

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