Banda russa usa panelas e baldes como instrumentos

Foto: TASS

Foto: TASS

Apresentando um rock feminino de nível europeu, o grupo feminino Iva Nova é uma exceção na cena musical russa da atualidade. Ao utilizar potes, panelas e outros utensílios domésticos como instrumentos musicais, as garotas fazem música combinando um solo de acordeão com o grunhido urbano de tubos de metal, guitarra com os sons de um balde.

Embora ainda não seja muito famosa na Rússia, a banda já é bastante conhecida no Ocidente, e em oito anos realizou mais de 20 turnês pela Europa. O grupo lançou três álbuns, participou de mais 30 festivais internacionais e é uma figura comum nos concursos europeus.  

Confira abaixo uma entrevista com três integrantes da banda.

De onde surgiu a ideia de tocar música étnica?


Katia (perscussão): Simplesmente gostamos do gênero. Porém, há um bom tempo não tocamos apenas folk. O estilo se transforma e, embora restem alguns elementos do início, nos últimos tempos incluímos tendências vanguardistas. Junto com os gêneros eslavos, aparecem ritmos dançantes do tecno, um pouco de punk, uma mistura eclética de diferentes estilos. 

Eu definiria o estilo de vocês como tecno folk... 

Katia: Tecno folk, punk cigano, turbo folk...já nos chamaram de todas as coisas. Na Europa, colecionamos os nomes de nosso estilo que aparecem nos cartazes, tentando nos definir. Aprendemos muito! (risos)  

Onde tocam com mais frequência, na Europa ou na Rússia? 

Katia: Antes íamos mais à Europa e agora fazemos mais shows na Rússia. Mas aqui é difícil, tocamos em casas pequenas e poucas pessoas vem nos ver, enquanto na Europa há uma casa de show em cada cidade, geralmente muito boa. Na Rússia não somos um grupo famoso e não tocamos na rádio. As pessoas são agradáveis, gostam dos nossos shows, mas para alcançar um nível mais elevado é preciso participar de festivais.

Não podemos nos contentar com shows avulsos.

Vocês participaram de muitos festivais? Qual a diferença entre os festivais russos e europeus? 

Katia: Cada vez mais tocamos em festivais: no festival étnico Dikaia Miata, em Moscou; no FolRockForum; no Festival Internacional Kvir-Cultura, em São Petersburgo. Na Europa, também estivemos no festival étnico Faces, na Finlândia; no Fusão e Open Air, na Alemanha; no Progress Festival Vooruit, na Bélgica, entre muitos outros.

Nastia (vocal e percussão): Infelizmente não é a mesma coisa participar de um festival na Europa e na Rússia.

Inna (guitarra e vocal): Sim, na Rússia o feudalismo floresce por todas as partes. Por exemplo, muitas vezes pagam somente aos headliners e nós recebemos um “obrigado”. Diversas vezes dão refeições apenas àqueles que são mais importantes. No geral, há pouco respeito, tanto por parte dos organizadores como do público. Na Europa, não nos deparamos com coisas desse tipo. 

Qual é o instrumento mais importante do grupo?


Katia: É difícil responder. Obviamente, se a acordeonista sair do grupo, por exemplo, não conseguiríamos continuar tocando. Por outro lado, também não podemos tocar sem o baixo, a guitarra ou a bateria. Às vezes incluímos instrumentos adicionais: no novo programa, há muitos instrumentos de percussão, há uma música em que todas nós tocamos bateria. Há também teclados e dub, embora a gente goste mais dos instrumentos nacionais, como os potes de barro para percussão, baldes, colheres, tamborins e chocalhos.     

Vocês têm sonhos relacionados à música?


Nastia: Por alguma razão, apenas pesadelos! Às vezes é como se estivesse em um palco de dez metros de altura e fico com medo de olhar para baixo. Não entendo por que é tão alto. O público não vê nada... 

Katia: Sim, eu também tenho sonhos musicais absurdos toda hora. Começamos um show e não há instrumentos, não se pode tocar nada.

E não têm sonhos nos quais aparecem nuas no palco? 

Nastia (dá risada): Nos sonhos não, mas na realidade...

Katia (interrompe): Sim, certa vez estávamos fazendo um show em Berlim e eu tinha que levantar do meu lugar e ir para frente com um tambor. Enquanto estava tocando, senti que o zíper da minha saia tinha começado a se abrir e a saia a descer. No final, a saia caiu no chão e eu terminei de tocar de joelhos.

Nastia: Desde então, Katia amarra o zíper com fitas.

Bem, isso aconteceu em Berlim, certamente estão acostumados. 

Nastia (rindo): Sim, é bem possível. Berlim é uma excelente cidade.

  

Além da Alemanha, em que outros lugares vocês já tocaram? 

Nastia: Na Bélgica, Holanda, França, Finlândia, República Tcheca… 

Inna: Não, não, na República Tcheca só estivemos de passagem. A única coisa que fizemos ali foi comer.

As pessoas entendem suas músicas na Europa? Vocês cantam somente em russo? 

Katia: Entendem o sentido, isso é o mais importante.

Nastia: Não cantamos apenas em russo, mas também em búlgaro, tártaro e georgiano.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.