Preconceito e desinformação atrapalham relações comerciais entre Brasil e Rússia

o seminário foi coordenado pelo Representante comercial da Rússia no Brasil Serguêi Báldin (à esq.) Foto: MIR media

o seminário foi coordenado pelo Representante comercial da Rússia no Brasil Serguêi Báldin (à esq.) Foto: MIR media

Empresários russos e brasileiros se reuniram, na segunda-feira, 28 de novembro, no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) para o seminário "Oportunidades para o desenvolvimento dos negócios entre Rússia e Brasil". Com a participação de representantes do Vnesheconombank – o BNDES russo – e da Transpetro, maior construtora de navios do mundo, o seminário foi coordenado pelo Representante comercial da Rússia no Brasil Serguêi Báldin e teve como objetivo aprofundar as ainda pequenas relações comerciais entre os dois países.

Para o presidente da Câmara Brasil-Rússia. Gilberto Ramos, os dois países ainda não se tornaram grandes parceiros comerciais principalmente por conta do desconhecimento de empresários brasileiros em relação às companhias russas.

“Trabalho com Rússia desde 1988, mas ainda não vejo uma estratégia de comunicação institucional de forma contundente. Não é uma crítica, é uma constatação. Quando você pergunta para um empresário brasileiro o que ele pensa de uma empresa russa, normalmente ele não sabe o que responder. O Brasil não sabe que há esse manancial de alta tecnologia, com preços competitivos, performance e desempenho”, disse Ramos.

Já Dmitri Lobkov, diretor do GCE Group, acredita que o que existe é um preconceito contra as empresas russas no Brasil. “Nós temos 17 anos de experiência na Rússia com empresas de primeira linha no setor energético e o que nos pedem? Experiência no Brasil. Como uma empresa estrangeira pode entrar no mercado brasileiro se para isso já é preciso ter experiência no país? Isso é feito para excluir as empresas estrangeiras.”

“Nós precisamos é de oportunidades. A demanda do mercado energético não está sendo atendida, ainda há quase 60% do mercado vago”, concluiu Lobkov.

Apesar das dificuldades, os dois países já fecharam alguns negócios, como lembrou Andrei Budaev, cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro, durante a abertura do seminário. “Gazprom e Petrobras já estão definindo acordos de cooperação em pesquisa de petróleo e gás”, exemplificou.

Veronica Nikichina, diretora da representação para América Latina do ministério do Desenvolvimento Econômico russo, ressaltou ser um desejo antigo da Rússia diversificar os negócios com o Brasil, até então limitados a alguns mercados primários – como alimentos e produtos agrícolas –, e investir na cooperação de mercados de alta tecnologia. Por sua vez, Anton Popov, da Agência Energética Russa, traçou um panorama do mercado russo, e foi direto, falando às empresas brasileiras: “Nós somos a principal janela de entrada para o mercado de tecnologias de eficiências na exploração energética”.

Em meio a propostas de negócios nas áreas de petróleo e gás e discussões sobre eficiência energética, quem acabou roubando a cena foi uma convidada fora do programa. Svetlana Tumanov apresentou seus dirigíveis em forma de “discos voadores”, que seriam uma solução barata e eficiente nas áreas de transporte e segurança. “No tempo da União Soviética, os dirigíveis faziam o trabalho pesado e ajudavam em catástrofes. Nós queremos retomar esse projeto”, disse a uma plateia em que nem todos a levaram a sério.

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