Terminais múltiplos chegam ao Brasil

Equipamento seria alternativa a bancos e casas lotéricas, onde longas filas costumam ser a regra Foto: RIA Nóvosti

Equipamento seria alternativa a bancos e casas lotéricas, onde longas filas costumam ser a regra Foto: RIA Nóvosti

Tecnologia já está disponível em municípios da Grande São Paulo. Intenção é possibilitar pagamentos de contas, recargas de celular, compra de ingressos, entre outros serviços.

A satisfação do dia de pagamento é acompanhada por um bocado de melancolia para boa parte dos brasileiros, que precisam enfrentar longas filas em bancos e casas lotéricas para pagar as contas cotidianas: água, luz, telefone, gás, internet, TV a cabo... Nesse mercado nebuloso, uma empresa russa, a MegaPay, tenta se inserir espalhando terminais de pagamentos múltiplos em locais de grande circulação de pessoas na Grande São Paulo. Segundo a companhia, serão mil máquinas até o ano que vem.

Por enquanto, terminais só aceitam dinheiro, mas cartões estarão disponíveis no ano que vem

O primeiro serviço oferecido pelos terminais no mercado brasileiro é a recarga de créditos em celulares pré-pagos. A empresa já fechou contrato com as operadoras Vivo e Claro e negocia com Tim, Oi e Nextel. As operadoras de TV a cabo Net e Sky são as próximas da fila.

O serviço por enquanto está disponível em cerca de 60 máquinas espalhadas por São Paulo, Taboão da Serra, Piraporinha e Diadema. Comércios com grande movimento, como supermercados, farmácias e postos de combustível, estão na mira da empresa. A MegaPay, que entrou no negócio em 2004 e já é líder na Rússia e nos países que formavam a antiga União Soviética, busca uma expansão rápida e oferece vantagens a empresários que abrigarem os terminais, preparados para funcionar 24 horas por dia, multiplicando as opções e evitando a formação de filas.

Para Serguêi Grekov, diretor comercial da empresa, a principal vantagem para os lojistas é oferecer mais serviços e atrair mais clientes aos estabelecimentos sem causar desconforto.

“Em supermercados, por exemplo, a recarga de celular e pagamento de contas são feitos diretamente nos caixas. Isso gera filas e não rende quase nada em comissão ao empresário. Muitos recebem contas em só um caixa para minimizar isso. Então não é muito lucrativo”, avalia.

“Com o nosso terminal, o comerciante tem a vantagem de não gastar e oferecer serviços que agregam valor ao negócio”, afirma Grekov, em um português perfeito, aprendido no período em que morou em Portugal.

Os comerciantes vão receber pelo aluguel de um espaço na loja. “É uma maneira de popularizar o serviço para atingir o nosso objetivo, que é instalar mil terminais até o ano que vem”, afirma Grekov.

Máquina não seria alvo de bandidos, segundo companhia. Foto: Photoxpress

Também para divulgar o novo serviço, a empresa está investindo em uma equipe de promotoras que ficam perto das máquinas e informam os clientes. Além disso, banners e adesivos são distribuídos nos pontos onde as máquinas são instaladas.

Por enquanto, os terminais aceitam apenas dinheiro. No início de 2012, porém, passarão a aceitar pagamentos e recargas de celular por meio de cartões de débito e crédito das principais bandeiras, segundo o diretor comercial. Leitores de códigos de barras estão previstos no pacote para 2012, para permitir o pagamento de contas.

Mercado emergente

Para o executivo, a aposta no Brasil é natural. “É um dos mercados emergentes que mais cresce. Nossa empresa trabalha no varejo e vemos muitas semelhanças entre o mercado brasileiro e o russo”, afirma Grekov. “Na telefonia móvel, por exemplo, a grande maioria dos usuários, 74%, utiliza o sistema pré-pago e são nossos clientes em potencial”, explica, deixando claro que o serviço de recarga de créditos é o carro-chefe dos terminais.

Além do Brasil, a MegaPay está se inserindo nos mercados do México, Colômbia e Argentina na América Latina.

Sem explosões

Segundo a companhia, a segurança das máquinas não é uma preocupação para a MegaPay. Apesar de o Estado de São Paulo ter registrado mais de 800 furtos em caixas eletrônicos neste ano, a maioria envolvendo a explosão do equipamento, a empresa informa que os terminais não são atrativos para bandidos.

“Não uso a internet para pagar contas porque já fui roubado e não confio”


O motivo é que as máquinas não realizam saques e não armazenam grande quantidade de dinheiro. Com isso, não seriam alvos para criminosos, como acontece com caixas eletrônicos, que podem render quantias muito maiores a ladrões.

Morador de Taboão da Serra, o publicitário André Mesquita, 29, afirma que vai usar o serviço sempre. “Trabalho no centro de São Paulo e saio tarde. Eu nunca tenho tempo de resolver essas questões burocráticas, como pagar contas. E tenho que pedir para minha mãe comprar até crédito de celular. É vexatório”, afirma.

“Uma máquina dessas, funcionando 24 horas, resolveria minha vida. Não ia depender de favores ou de pedir para sair do trabalho para resolver meus problemas. Não uso a internet para pagar contas porque já fui roubado e não confio”, completa Mesquita, que faz compras em um supermercado que acaba de receber o terminal. “Vou procurar da próxima vez que for lá. Sem falta.”

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