Evento no RJ busca aprofundar negócios entre Brasil e Rússia

Foto: MIR media

Foto: MIR media

Empresários russos e brasileiros se reuniram nesta segunda-feira no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) para o seminário "Oportunidades para o desenvolvimento dos negócios entre Rússia e Brasil", que contou ainda com a participação da Câmara Brasil-Rússia e representantes do consulado russo no Brasil. O evento tem como objetivo aprofundar as relações comerciais entre os dois países nas áreas de combustíveis, eficiência energética e preservação dos recursos naturais.

"Esperamos que o evento de hoje seja o primeiro passo para a construção de contatos para projetos concretos. Não queremos que o evento fique apenas na memória. Queremos que se estenda para parcerias futuras",diz Veronica Nikíchina, diretora do departamento das Américas do ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia, que ressaltou ser um desejo antigo do país diversificar os negócios com o Brasil, até então limitados a alguns mercados primários – como alimentos e produtos agrícolas –, e investir na cooperação no mercado de alta tecnologia.

Dmitri Lobkov, diretor do GCE Group, a principal consultoria energética para empresas russas que operam no Brasil, é direto ao ser perguntado sobre a principal dificuldade para entrar no mercado brasileiro: "Estamos sendo discriminados por sermos uma empresa russa. Nós somos muito fortes no setor energético". Para Lobkov, muitas vezes o problema não pode ser resolvido através de lobby ou de uma atuação mais efetiva da diplomacia russa. "É questão de Polícia Federal", encerra.

Por outro lado, para Gilberto Ramos, presidente da Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo, esses problemas decorrem, em sua maioria, da dificuldade dos russos em promover sua imagem no Brasil. "Não é preconceito, é desinformação. Existe um conceito prévio por conta de um mundo bipolar que se viveu durante décadas, durante o qual nosso antagonista era o bloco liderado pela União Soviética." Para Ramos, exatamente por nunca ter havido um cuidado de se trabalhar a imagem institucional das empresas russas, que possuem "qualidade técnica inigualável" e "preço altamente competitivo", muitas vezes os russos são preteridos. "Em todas as áreas eles são vanguarda. A questão é informar", explica o presidente.

O seminário teve ainda apresentações curiosas como a da empresa Locomosky, que oferece soluções logísticas com dirigíveis, e exposições tecnicamente impressionantes, como a da Power Machines, uma das maiores fabricantes de turbinas no mundo. Enquanto isso, na plateia do evento, Shakarbek Osmanov tecia comentários em voz baixa e parecia analisar tudo. Exatamente como sua empresa, a gigante Gazprom, parece fazer com o mercado brasileiro. 

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.