Extremo Oriente russo quer atrair investimento estrangeiro em infraestrutura

Сonstrução da ponte na Ilha da Rússki (perto da cidade Vladivostok), onde em 2012 terá lugar Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico Foto: TASS

Сonstrução da ponte na Ilha da Rússki (perto da cidade Vladivostok), onde em 2012 terá lugar Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico Foto: TASS

A Rússia já declarou suas prioridades para 2012, ano em que presidirá o Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês). O tema principal do encontro irá girar em torno do desenvolvimento de infraestruturas de transporte e de produção de energia no Extremo Oriente russo por meio da participação de investidores estrangeiros. Moscou insiste que os estrangeiros terão a oportunidade de investir em projetos de infraestrutura na Federação Russa se, em troca, garantirem às empresas russas o acesso a projetos semelhantes fora do país, especialmente relativos à construção de portos, ferrovias e estradas. Por enquanto, as experiências positivas da Rússia nessas áreas têm sido escassas.

Antes mesmo de assumir a presidência da Apec das mãos dos Estados Unidos, durante a cúpula de Honolulu, no Havaí, ocorrida entre 12 e 14 de novembro, o conselheiro do presidente da Federação Russa, Arkádi Dvorkovitch, apresentou a lista de prioridades do país. Segundo ele, as principais questões para a Rússia serão os “produtos verdes” e suas respectivas tarifas alfandegárias, assim como os assuntos referentes à eficácia e segurança energéticas, segurança alimentar e o desenvolvimento de infraestruturas de transporte no Extremo Oriente.

De acordo com Dvorkovitch, Moscou pretende dar ênfase à atração de investidores estrangeiros vindos da região Ásia-Pacífico, com a finalidade de realizar projetos de grande escala. "Temos sérios planos de desenvolver nossa infraestrutura de transportes no Extremo Oriente, em primeiro lugar no porto de Vladivostok, mas também em outros locais. Estamos negociando oportunidades para desenvolver essas infraestruturas com a ajuda de nossos parceiros na região: Japão e Coreia”, afirmou.

Ainda segundo Dvorkovitch, para que os investidores asiáticos possam participar dos projetos da Federação Russa, eles devem conceder às empresas russas a possibilidade de integrar projetos semelhantes no exterior. “No início dessas negociações, também estamos discutindo a possibilidade dos investidores russos estarem envolvidos no desenvolvimento de infraestrutura nesses países”, declarou Dvorkovitch. “Esperamos encontrar um equilíbrio razoável de interesses de modo que a infraestrutura de transportes seja o objetivo comum.”

Questionado sobre o nível tecnológico necessário para participar da construção de infraestruturas na Ásia Oriental, Arkádi Dvorkovitch afirmou que “as empresas russas são bastante competitivas em vários setores”. Segundo ele, a tecnologia russa de construção de portos apresenta “nível internacional”.  Como exemplo, citou a licitação vencida pelo grupo Summa para construir um terminal portuário em Roterdã, na Holanda. “É a prova do reconhecimento de nossa competitividade”, disse. No entanto, Dvorkovitch reconheceu que o conhecimento russo relacionado à construção de ferrovias e, sobretudo, estradas “havia se tornado obsoleto”.

Já há algum tempo a Rússia vem tentando garantir sua inclusão no desenvolvimento de importantes projetos de infraestrutura na Ásia Oriental. No documento denominado “Rota de Cooperação Econômica e Comercial com os países da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático)”, apresentado por Moscou, existem diversas propostas para a construção de uma infraestrutura ferroviária pela RZhD (companhia ferroviária estatal da Rússia), que iria de Cingapura até a região chinesa de Kunming, de uma ferrovia de 185 quilômetros de Putrukahu a Bangkuan, de um metrô nas cidades vietnamitas de Hanói e Ho Chi Minh, bem como a participação de empresas russas na elaboração de especificações técnicas e econômicas em projetos de infraestrutura portuária.

Entretanto, o relatório com as propostas de Moscou ainda não foi aprovado. Segundo fontes diplomáticas, uma da razões para isso é a decisão dos países da Asean de não incluir no documento “ideias pouco realistas referentes à cooperação na área de transportes”. “A Rússia tem que demonstrar que é capaz de construir portos e vias melhor e mais rápido que os chineses, coreanos e japoneses”, afirmou um diplomata de um dos países Asean. Aliás, alguns elementos da infraestrutura de Vladivostok, capital da próxima cúpula da Apec (prevista para setembro de 2012), estão sendo construídos com a ajuda de empreiteiros estrangeiros. É o caso, por exemplo, do sistema de tirantes da principal ponte sobre o estreito do Bósforo Oriental, projetado por engenheiros da empresa francesa Freyssinet.

No entanto, de acordo com o diretor geral do Fundo Russo de Investimentos Diretos, Kirill Dmítriev, há pouco tempo foi assinado um acordo que estabelece um fundo de investimento conjunto com a China Investment Corporation, um fundo soberano da China, no valor de U$ 4 bilhões. Além disso, a parte chinesa já encontrou diversos aspectos interessantes na indústria russa e que poderiam ser aplicados fora do país. “Sempre fomos líderes na construção de helicópteros, energia atômica, na construção de ferrovias, e esses são os setores que poderiam encabeçar a expansão russa pelos outros mercados”, afirmou Dmítriev.

O sócio-gerente da Eurasia Capital Partners (Hong Kong), Serguêi Man, diz que para  a Rússia é imprescindível atrair os conhecimentos asiáticos ao desenvolver um sistema de transporte no Extremo Oriente: “’É necessário desenvolver a infraestrutura russa o mais breve possível com o objetivo de aumentar a exportação de matérias-primas e não perder nossa participação nos mercados da Ásia Oriental no que diz respeito a condutores de energia elétrica e metais, porque se a infraestrutura não responde às necessidades dos clientes, os compradores vão se dirigir a outros fornecedores. Por enquanto, as empresas russas podem participar dos projetos de infraestrutura como investidores financeiros, mas não podem exigir, por exemplo, que lhes concedam os contratos para realizar as obras”.


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