Da Terra a Marte em 520 dias

Сonferência de imprensa com os participantes do Mars 500 Foto: mars500.imbp.ru

Сonferência de imprensa com os participantes do Mars 500 Foto: mars500.imbp.ru

O projeto Mars 500, experimento que simulou uma viagem de um ano e meio ao planeta vermelho, chega ao fim

Um ano e meio se passou desde que os astronautas da experiência Mars500 supostamente deixaram a Terra em direção ao planeta vermelho. Foram 520 dias, durante os quais a tripulação, composta pelo francês Romain Charles, pelo ítalo-colombiano Diego Urbina, pelo chinês Wang Yue, e pelos russos Aleksandr Smoleévski, Sukhrob Kamolov e comandante Aleksêi Sitev, simularam todos os aspectos de um voo espacial, embora firmemente presos aos hangares do Instituto Russo para os Problemas Biomédicos, em Moscou, onde o experimento foi conduzido.

A simulação, projetada para testar as reações psicológicas dos astronautas durante uma viagem hipotética a Marte, terminou há poucos dias com o suposto retorno do grupo de voluntários à Terra. Ainda que pálidos e magros, os participantes do projeto saíram sorridentes.


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“É um projeto excepcional”, disse Boris Morukov, diretor do experimento. “Os resultados são mais do que satisfatórios, embora tenhamos que esperar diversos meses antes de publicar as informações oficiais reunidas durante esse período. De qualquer modo, não há necessidade alguma de pressa”, acrescentou, brincando com os jornalistas, “já que levará mais 20 anos para alcançarmos o verdadeiro planeta Marte”. “Entretanto, depois dessa experiência, sentimos estar mais perto do planeta vermelho”.

Respirando ar artificial, raramente tomando banho e comendo comida liofilizada na maior parte do tempo, a tripulação permaneceu isolada do resto do mundo por 17 meses, fora os breves contatos estabelecidos com cientistas e familiares, cujas mensagens eram recebidas com um  atraso “espacial” de 40 minutos.

Após os testes diários (os astronautas foram submetidos a mais de cem experimentos), os voluntários ainda tinham tempo para praticar exercício, ler livros e estudar línguas estrangeiras, embora a língua chinesa tenha sido uma “missão impossível” para quase todos eles. “Nosso colega Wang Yue tentou de todos os jeitos nos ensinar chinês”, disse o russo Aleksandr Smoleévski, sorrindo. “Foi um fracasso total.”

Apesar dos altos e baixos, a convivência transcorreu sem nenhum contratempo. “Estar junto com pessoas de diferentes culturas e línguas tornou a convivência mais fácil”, disse o membro mais jovem do grupo, o ítalo-colombiano Diego Urbina. “Os dias se passaram praticamente da mesma forma: trabalhávamos oito horas por dia. Depois dos primeiros testes matinais, tomávamos café da manhã juntos e depois geralmente começavam os experimentos. No nosso tempo livre, líamos ou jogávamos videogame.”

Depois da simulação de retorno à Terra, os astronautas continuaram a olhar com muita curiosidade o planeta que tinham visitado, mesmo que por enquanto se tratasse apenas de um plano virtual. “Teremos que esperar muitos anos para que a humanidade possa pousar em Marte”, concluiu o francês Romain Charles. “Mas com essa experiência evoluímos bastante. Esse planeta está agora muito mais perto da Terra do que parecia antes.”   

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