Tensão marca relação russo-americana no Ártico

Caravana de navios russos no Ártico Foto: RIA Nóvosti

Caravana de navios russos no Ártico Foto: RIA Nóvosti

A possibilidade de a Marinha norte-americana, com armas e mísseis, estar presente nos mares do norte causa sérias preocupações na liderança militar e política russa. O anúncio foi feito pelo representante permanente da Rússia junto à Otan, Dmítri Rogózin, durante uma reunião com os militares do Distrito Militar Ocidental.

Segundo ele, os EUA estão considerando a possibilidade de uma implantação temporária de uma frota nos mares Norte, Báltico, e talvez o Barents – com as plataformas de mísseis guiados. No entanto, disse Rogózin, não há nada mais permanente do que temporário. A Rússia se opõe constantemente a militarização desta região e se oferece para fazer dela uma das plataformas fundamentais para o desenvolvimento econômico e científico dos Estados do Ártico, ou seja, Rússia, Canadá, EUA, Noruega e Dinamarca. O Ártico tem reservas significativas de hidrocarbonetos e o potencial para desenvolver rotas aéreas e marítimas.

 

Washington está prestando atenção ao desenvolvimento da região do Ártico do ponto de vista de domínio na região, fortalecendo a atividade política, econômica e militar locais. Dmitry Rogózin considera que junto da fronteira russa está se formando uma área militar, "que formalmente declara-se como o potencial para interceptar mísseis balísticos na parte sul da Europa".

 

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Os EUA têm um número significativo de navios de guerra equipados com mísseis de defesa aérea e naval Igis, disse o editor-chefe da revista "Defesa Nacional", Igor Korotchenko.

 

As características desse sistema de antimísseis podem  teoricamente interceptar a trajetória dos mísseis balísticos russos em caso de um conflito hipotético entre a Rússia e os Estados Unidos. Nesse contexto, a presença da Marinha americana e sua possível implantação nos mares do norte é considerada pela liderança militar e política da Rússia como uma das ameaças ao funcionamento normal das forças nucleares estratégicas da Rússia.

 

O especialista acrescenta que a versão terrestre do Igis formará a base do sistema europeu de defesa antimísseis, que está sendo criado pelos Estados Unidos e a Otan para combater a ameaça iraniana. Como se sabe, a Rússia continua as negociações com os Estados Unidos e a Otan sobre a criação do sistema europeu de defesa de mísseis. Enquanto o papel da Rússia na nova arquitetura de segurança continua a ser um assunto de debates intensos.

 

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As autoridades russas estão pouco dispostas a ter um confronto com o Ocidente, especialmente na corrida armamentista no Ártico. O Kremlin tem reiterado que a paridade das partes é a questão das negociações, e não do aumento das forças militares. No entanto, isso não significa que a Rússia irá abandonar a atualização planejada da sua capacidade de defesa em várias regiões, incluindo nos mares do norte. Assim, Vladímir Pútin disse que a Rússia pretende aumentar as forças da Marinha do Norte. Em particular, serão concluídos os trabalhos de concepção e construção de submarinos de mísseis estratégicos do Projeto 955 Borei e do submarino nuclear 885 Yasen.

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