Na batalha com faca e mísseis?

Mi-28 Foto:TASS

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O vice-ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Andrêi Klepatch, admitiu no dia 10 de outubro que a defesa do estado tem grandes possibilidades de falha nos anos de 2011 e 2012. Parece que isso já se converte em uma tradição maldita. Com o volume de 1,159 milhões de rublos, os pedidos da defesa do Estado não foram cumprido em 30% no ano de 2010, e no ano anterior em 50%.

Como e a quem restou então equipar as Forças Armadas russas num futuro próximo?

Há posições para as quais o Complexo Militar-Industrial russo executa perfeitamente as ordens do estado, por exemplo, das facas de baioneta. O ministério da Defesa decidiu recentemente não tirar as baionetas do acervo de armas em uma conferência no Estado-Maior Geral. O anúncio de um dos participantes tornou-se a decisão: "A faca de baioneta permanece como a última razão da batalha quando acabam os cartuchos". Por isso, incluíram um lugar para amarrar a baioneta na lista de requisitos obrigatórios para a nova máquina automática (o nome dela ainda não foi inventado) que está sendo desenvolvida para substituir a AK-74 da família da inesquecível Kalashnikov.

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Enquanto isso, o especialista em guerra Viktor Korablin argumenta que nas batalhas modernas os ataques de baioneta são improváveis: "Realizar um ataque de baioneta contra o inimigo, armado até os dentes com armas automáticas, é suicida. As facas de baioneta são boas para serviços de posto de guarda, para cerimônias militares especiais, mas não para combates armados".

De acordo com informações do vice-primeiro-ministro da Defesa, Aleksandr Sukorukov, os pedidos estão colocados completamente nas mãos da holding Vertoleti Rossii (Helicópteros da Rússia), da corporação Almaz-Antei, do Instituto de Tecnologia Térmica de Moscou (MIT, em russo). Foram fechados com o MIT três contratos para o fornecimento de complexos de mísseis com objetivos estratégicos: dois dos novos Iars e um do míssil marítimo Bulava.

Na base do complexo Iars está o míssil balístico estratégico RS-24 (pela classificação das Forças Armadas dos Estados Unidos e da Otan – SS-X-29), com ogivas múltiplas, equipado com ferramentas avançadas de superação do sistema MIRV (em inglês, Mísseis de Reentrada Múltipla Independentemente Direcionados) e candidato a substituir o míssil de "uma só cabeça" intercontinental Topol (álamo, em russo), tanto o de mina, como o de base móvel. No que diz respeito aos mísseis Bulava, são mísseis estratégicos fixos para submarinos R-30 (SS-NX-30) com ogivas múltiplas. É verdade que, de 16 lançamentos de projeção feitos como testes, apenas oito foram bem-sucedidos...

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No entanto, a guerra com o uso de armas nucleares pode destruir toda a vida do planeta, e elas nunca devem ser usadas em conflitos locais. Desse modo, a base das Forças Armadas de um país como a Rússia, responsável pela segurança coletiva de um grande território, não deve ser nuclear, mas de outro sistema.

Na Rússia, os problemas já começaram. Segundo o vice-ministro Sukhorukov, o início das entregas dos jatos de treinamento de combate Iak-130 da Força Aérea russa será transferido de 2011 para 2012. Em 2015, em vez de 2014, serão transferidas e entregues 24 aeronaves de combate MiG 29K, que foram projetadas para o pesado porta-aviões Almirante Kuznetsov transportar.

Assim, até o fim do ano, o sistema russo de defesa antiaérea não terá entregado ainda duas frotas dos complexos de mísseis antiaéreos S-400, cuja entrega foi garantida pelo coronel general da Força Aérea russa Aleksandr Zélin ainda em agosto. Agora, na periferia de Moscou, em Elektrostal e Dmitrov, encontram-se duas frotas do S-400, mas a entrega da terceira e da quarta frota do complexo S-400 para o exército, como afirmou Sukhorukov, será transferida para 2012 devido à assinatura tardia dos contratos.

A isso, foram acrescentadas ainda nos últimos meses perdas da Agência Espacial russa, que custaram aos cofres públicos alguns milhões de rublos.

Não apenas as quebras de contratos são culpadas pelo déficit de equipamentos e armas modernas observado nas Forças Armadas russas. De acordo com as lideranças militares do país, a indústria não é capaz de fornecer ao exército uma produção de alta qualidade que atenda às expectativas do combate moderno.

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Assim sendo, o comandante das tropas terrestres, Aleksandr Póstnikov, afirmou que os recentes modelos de armas fabricados na Rússia estão em desvantagem com relação aos sistemas blindados, artilharias e armas de pequeno porte de países da OTAN, e até mesmo Pequim já passou a Rússia nessa área. Em particular, o tanque T-90 foi criticado severamente pelo comandante, que sugeriu que, em vez de se gastar 118 milhões de rublos em um tanque T-90, seria melhor comprar três tanques alemães Leopard.

No Estado Maior Geral da Rússia, no fim de março todos já reconheciam que a ciência militar russa e seu exército ficaram para trás dos países ocidentais mais desenvolvidos há 20 anos.

De acordo com o último programa do governo para armas, estabelecido para até 2020, Moscou planeja gastar cerca de 500 milhões de euros no setor de defesa e a maior parte desses recursos, ao que parece, podem ser obtidos do estrangeiro. 

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