Pútin sobre as eleições

Vladímir Pútin Foto: AP

Vladímir Pútin Foto: AP

O primeiro-ministro russo e candidato presidencial em março de 2012, reafirma o seu programa eleitoral e responder a uma pergunta comum, em casa e no exterior: Será uma escolha real?

Há pessoas que fazem críticas a mim e a Dmítri Medvedev. Elas dizem que se seu humilde servo participa das eleições, isso significa que não haverá eleição alguma. Talvez isso seria o caso para eles, mas o cidadão comum sempre tem uma escolha a fazer. Assim, os críticos podem analisar a questão como bem entenderem, mas, nesse caso, deveriam apresentar sua plataforma e, mais importante ainda, não somente apresentá-la, mas também provar, na prática, que seriam capazes de fazer um trabalho melhor.

Geralmente escuto frases do tipo “a situação está tão ruim que não tem como ficar pior”. O país ainda enfrenta muitos problemas, diversos pontos pendentes que precisam ser abordados, e algumas ações poderiam ter sido conduzidas de maneira melhor. Mas eu discordo daqueles que dizem que “não poderia ficar pior”… Gostaria de lembrá-los dos colegas de esquerda como, por exemplo, o Partido Comunista e os radicais esquerdistas do final dos anos 80. Tempos em que cartões de racionamento foram implantados para distribuição de itens fundamentais e de alimentos básicos. A ideologia e a vida política eram controladas por uma força política única que levou o país à ruína e ao colapso e, por fim, à sua dissolução. 

Há outros que dizem que estamos em um período de estagnação, similar ao tempo em que o líder soviético Leonid Brejnev estava no poder. Eu não quero parecer muito crítico, pois, de fato, muitas coisas foram realizadas naquele período, mas, na verdade, eu não me lembro de nenhum dos líderes soviéticos do pós-guerra ser tão esforçado como eu ou como o presidente Dmítri Medvedev. Eu não me lembro de nenhum.

Também podemos citar a experiência de outros países. Eu não tentei me manter no poder, e vocês sabem disso perfeitamente bem, embora eu pudesse facilmente ter aproveitado a maioria constitucional do partido governante Rússia Unida para promover emendas na constituição. Mas eu evitei isso. Eu não alterei a constituição para atender ao desejo de um único homem – eu mesmo. Eu queria que as pessoas vissem que não haveria tragédia alguma na transição natural do poder.

Agora, voltemos a outros países. Até o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos não haviam estabelecido limite algum em relação à quantidade de mandatos presidenciais. Alguns presidentes norte-americanos concorreram pela terceira vez ao cargo, mas, se não me engano, nenhuma das tentativas foi bem-sucedida, exceto por Franklin Roosevelt, que foi eleito presidente quatro vezes seguidas. Ele permaneceu sob o comando do país durante o período de provações da depressão econômica e da Segunda Guerra Mundial, e foi eleito quatro vezes porque suas políticas eram eficazes. Mas o número exato de mandatos e anos no poder não tem real importância. Helmut Kohl esteve 16 anos no poder na Alemanha Ocidental. Ele não era presidente, mas seu posto era, na verdade, o mais importante cargo executivo no país.

O mesmo vale para um dos ex-primeiros-ministros do Canadá. Veja o caso da França pós-guerra, onde um presidente poderia ser eleito por sete anos sem que houvesse limite de mandatos. Foi só recentemente que a França introduziu emendas à constituição, e decidiu alterar a norma para não mais que dois mandatos com cinco anos cada. Bastante similar ao que temos na Rússia hoje. O que isso significa? Quando um país está enfrentando dificuldades e tempos difíceis, quando está se recuperando de uma crise e se reerguendo, são esses pilares de estabilidade, inclusive na política, que desempenham um papel crucial.

Em relação ao meu retorno, nada está decidido até que o povo tenha votado. É uma coisa quando eu escuto pessoas falando que elas gostariam que isso acontecesse ou quando alguns indivíduos em determinadas regiões sugerem algo semelhante, mas é outra coisa completamente diferente quando o país inteiro vai às urnas. É preciso que nosso povo expresse sua posição perante o que estamos fazendo. 

Há outro aspecto importante aqui. A parte mais ativa do espectro político, pessoas que falam sobre instituições democráticas na Rússia, temem que os processos democráticos possam ser revertidos Isso definitivamente não vai acontecer, porque eu não consigo imaginar o desenvolvimento da Rússia sem instituições democráticas. É exatamente sobre isso que eu pretendo trabalhar. Vou fortalecer o sistema político do nosso país e suas bases, além de trabalhar para desenvolver instituições democráticas e uma economia de mercado com ênfase nas necessidades sociais. 

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