Bolsas do Brics anunciam aliança

Foto: Roger Sedres/wfe.jse.co.za

Foto: Roger Sedres/wfe.jse.co.za

A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros do Brasil, BM & F BOVESPA, a Bolsa Interbancária de Câmbio de Moscou (MMVB, na sigla em russo), a corporação de bolsas de Hong Kong, a Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE), a Bolsa indiana NSE e a Bolsa de Valores de Bombay, anunciaram, durante a 51ª reunião anual geral da World Federation of Exchanges (WFE), em Joanesburgo, sua intenção de criar uma aliança.

No início, as bolsas integrantes da aliança terão listagens cruzadas de derivativos de índices, podendo assim cada uma das bolsas aliadas negociar contratos futuros sobre os índices de ações de suas congêneres. A futura aliança tem como objetivos o aumento da liquidez e a atração de investidores internacionais para os mercados emergentes.

Segundo especialistas, a iniciativa das bolsas do Brics é uma reação aos processos de união entre as bolsas London Stock Exchange e Toronto Stock Exchange e entre as bolsas Nyse Euronext e Deutsche Boerse. A Ásia do Pacífico só está entrando no processo de fusões e aquisições (M&A): estão à procura de parceiros para fusão as bolsas de Hong Kong, Singapura e duas bolsas australianas.

Mas o processo de fusão de praças não deve  necessariamente assumir a forma de compra de uma bolsa por outra. Nesse contexto, uma aliança como opção de M&A, à semelhança das bolsas dos países do Brics, também pode ser viável. No final de contas, para os negociadores, é mais importante haver uma infra-estrutura única e cômoda. Mas aqui também serão necessários novos passos das bolsas dos países do Brics.

“A iniciativa de fazer a aliança em si é muito positiva, porque, por um lado, isso contribuirá para a internacionalização dos mercados locais e, por outro, as bolsas aliadas pretendem usar extensivamente suas moedas nacionais, apesar de o dólar norte-americano continuar dominando o mercado internacional”, diz o chefe da Merrill Lynch na Rússia, Konstantin Koríchenko.

No entanto, face ao atual esquema de operações em bolsas internacionais, o primeiro passo, ou seja, a listagem cruzada de derivativos de índices, não terá grande efeito junto aos mercados. “Atualmente, o aspecto mais importante e mais complicado são as atividades de pós-negociação, isto é, a compensação e liquidação.

Se a aliança conseguir organizar um sistema de compensação em que as contrapartes centrais e os organizadores da negociação possam se relacionar entre si em moedas nacionais sem recorrer às moedas intermediárias, o dólar ou o euro, isso, sim, será um passo muito importante para os mercados do Brics”, disse Konstantin Koríchenko.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.