Avestruzes africanos do Círculo Ártico trazem prosperidade

A fazenda de avestruzes nos arredores de Murmansk Foto: RIA Nóvosti

A fazenda de avestruzes nos arredores de Murmansk Foto: RIA Nóvosti

A fazenda de avestruzes nos arredores de Murmansk existe há cinco anos. Hoje, os pássaros africanos de três metros circulam orgulhosamente pelas gaiolas. Eles têm tentado há muito tempo livrar-se do hábito de, frente a qualquer perigo, enterrar a cabeça na areia, já que no lugar da areia do deserto africano, em Murmansk há a tundra polar, um gelo permanente. No entanto, a vida no norte não é tão ruim como o medo do sul. Por aqui, os avestruzes podem ser encontrados na cama, em travesseiros recheados com suas penas, e na mesa, em pratos que usam sua carne.

Ártico no lugar da África

Proprietário de uma fazenda de avestruzes, Artiom Andronaki não se lembra como teve a ideia de levar as aves ao polo ártico. Quando ele tinha 17 anos queria transformar o mundo.

“Era possível criar porcos ou construir uma fábrica de refrigerantes – eu pensei sobre isso. Mas isso é enfadonho, muita gente cria porcos. E nós ainda não tínhamos avestruzes”, disse ele. “Eu comecei a incitar meus pais: ‘Vamos comprar as aves africanas’.Então pegamos a terra e trouxemos da Lituânia 200 filhotes. Assim tudo começou”, contou o fazendeiro. A criação da fazenda de avestruzes coincidiu com os primeiros dias de aulas de Andronaki na faculdade, onde se matriculou em um curso à distância. Mas é difícil estudar quando você tem que cuidar de 200 bebês exóticos: em vez de se preparar para as aulas e compilar resumos de palestras, Andronaki acabou fazendo uma “universidade própria”, na prática.

Em um pequeno pedaço de terra herdada por ele a partir do desmembramento da fazenda Ártico, ele começou a construir a sua África. Restaurados os estábulos e as pocilgas, os aviários reconstruídos, foram introduzidos vários outros animais – de galinhas e patos até cabras e ovelhas. “No começo, eu pensei que seria mais fácil. Mas quantos erros cometi! Fiquei por aqui dias inteiros, indo para casa só para me lavar. Era necessário cuidar bem deles, com uma alimentação intensiva e equilibrada, limpar a cada quatro horas. Nas gaiolas fiz um piso aquecido”, recordou.


Penas glamourosas e ovos de ouro

Hoje, na fazenda de avestruzes Luzes do Norte há sete machos, 14 fêmeas e 20 filhotes. No fim do verão, os ovos começam a quebrar nas incubadoras e “até o outono eles entram na conta”, disse rindo Andronaki. No ano passado, nasceram 20 avestruzes e neste ano o proprietário da fazenda contou 150 cabeças. “Há uma grande demanda pelos avestruzes. A criação dessas aves é uma produção sem desperdícios: há carne e ovos para a mesa, as penas são usadas na decoração, o couro é usado em bolsas e sapatos, a pele é mais cara que a de crocodilo, as pestanas e a córnea dos olhos servem de transplante para o homem”, explicou o fazendeiro.

Proprietário de uma fazenda de avestruzes, Artiom Andronaki Foto: RIA Nóvosti

É verdade que por enquanto ele ainda não conseguiu encontrar compradores para a pele e a córnea dos avestruzes, mas garantiu que isso é uma questão de tempo. Já os ovos de avestruz são vendidos imediatamente, ao preço de mil rublos cada. O conteúdo vai para a frigideira e a casca fica como suvenir – artesãos as transformam em verdadeiras obras de arte. “A carne mais tenra é a do pescoço. Todo o restante também pode ser preparado como desejar: no vapor, cozida, frita. Em restaurantes, é uma iguaria. Tem gosto de vitela”, contou Andronaki.

 
Da produção ao entretenimento


As aves acostumam-se rapidamente ao frio polar, à noite fria, aos ventos penetrantes e à forte geada. "No inverno, elas passeiam de barriga na neve, apesar do frio. O mais importante é alimentá-las bem para que tenham mais energia. Por dia, um avestruz adulto come de três a quatro quilos de ração. O menu deles é o mesmo das galinhas, só o volume que é maior”, disse o fazendeiro. Os maiores e mais fortes dão continuidade à espécie. Andronaki estuda pessoalmente as questões de seleção. Ele diz que se você comprar em outras fazendas é preciso ter um olhar atento: com uma boa raça de aves, são poucos aqueles que desejam se separar. Alguns machos foram comprados na Dinamarca, as fêmeas vieram da Suécia. Durante a temporada, cada uma bota de 60 a70 ovos. Filhotes de avestruz crescem, literalmente, não em dias, mas em horas.

“Às vezes você vai alimentá-los à noite e de manhã já não os reconhece. Durante o dia, cada filhote aumenta de 2 a 3 centímetros, crescendo por ano até três metros e chegam a pesar de 120 a 130 kg”, afirmou. Três pessoas trabalham para cuidar de todos os animais da fazenda.  A maior parte do orçamento é usada para eletricidade - até 80 mil rublos por mês no inverno. Os privilégios e subsídios do governo local aos fazendeiros não são suficientes. Somente agora, cinco anos após seu início, a fazenda está começando a tirar lucros, e o dono pensa em aumentar a propriedade.

Proprietário de uma fazenda com seus aveztruzes Foto: RIA Nóvosti

Agora fazendeiro já começa a pensar em novos animais: no início de setembro chegaram duas renas. Agora todos os pensamentos do proprietário se concentram em como trocar uma delas por uma rena fêmea do norte, para que haja prosperidade. Talvez em breve haja perdizes e galos-lira. Uma vez, foram tantas as pessoas que desejavam visitar a exótica fazenda na região de Murmansk, que Andronaki teve de formar grupos de excursão como em um zoológico. “No inverno nós temos a atração de montar avestruzes: coloco uma meia na cabeça da ave, faço quem quer montar sentar nas suas costas e tiro as meia, dura quanto tempo a pessoa aguentar”, riu o fazendeiro.

No entanto, diz ele, a indústria do entretenimento também não é um mal negócio. Só resta trazer mais alguns animais exóticos, e os visitantes não vão parar de vir. Vão classificar a fazenda de zoológico...

 

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