Pútin fecha acordo secreto com a China

Foto: Reuters

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O primeiro-ministro russo, Vladímir Pútin, chegou a acordo com a China sobre o transporte de petróleo. Agora será mais fácil para a Rússia negociar com o país o problema do gás.


As negociações em Beijing entre o primeiro-ministro russo, Vladímir Pútin, e  seu colega chinês, Wen Jiabao, terminaram com um acordo sobre o preço do transporte de petróleo e sem qualquer resultado no que diz respeito ao preço do gás, que deverá começar a chegar à China a partir de 2015.

“Quem vende, quer vender mais caro e quem compra, quer comprar mais barato”, disse Vladímir Pútin, ao fazer o balanço das negociações russo-chinesas sobre o gás.

A resolução da disputa sobre o preço do petróleo poderá facilitar uma solução para o problema do gás, pois esses dois assuntos estão interligados.

O vice-primeiro-ministro russo, Ígor Séchin, que se encontra em Beijing desde ontem e devia preparar os entendimentos finais sobre o gás e petróleo, disse, em declarações ao jornal “Izvéstia”, que os contatos com os chineses permitiram solucionar definitivamente a questão do preço do transporte de petróleo para a China pelo território russo.

O conflito havia eclodido no início deste ano devido à China ter anunciado que iria deduzir do preço do barril, consagrado no contrato, uma tarifa de trânsito no valor de US$ 13. Moscou protestou, dizendo que a tarifa do trânsito de petróleo foi estabelecida pelo Serviço Federal de Tarifas, era igual em todo o traçado e equivalia a zero. A decisão da China de não pagar o preço fixado no contrato causou grandes prejuízos à empresa exportadora de petróleo Rosneft e à proprietária do oleoduto, a Transneft.

Durante as negociações, o lado russo conseguiu a diminuição dos abatimentos chineses para 3%. No entanto, Ígor Sechin evitou dizer o preço final acordado pelos dois países.

“Todas as questões relativas à dívida chinesa foram solucionadas. A solução encontrada segue completamente os princípios da economia de mercado”, respondeu evasivamente o vice-primeiro-ministro à pergunta do “Izvéstia” sobre quem cedeu na questão do preço - a Rússia ou a China.

Segundo informações do jornal “Izvéstia”, os chineses estavam dispostos a aceitar um montante de US$ 1. O preço final será anunciado em duas semanas quando as partes assinarão anexos aos contratos de venda de petróleo. Por enquanto, o preço permanece em sigilo comercial, conforme explicaram os negociadores.

Quanto ao preço do gás, Moscou e Beijing ainda não encontraram uma solução mutuamente aceitável para a Rússia e a China, embora, segundo Ígor Séchin, as negociações tenham registado avanços importantes.

O próprio Vladímir Putin não falou, em seu discurso, sobre os resultados das  negociações sobre o gás e petróleo, dando uma avaliação geral à  cooperação com a China no setor energético, e assegurou que os dois países chegaram à fase final das negociações sobre a venda de gás.

“Nossas iniciativas conjuntas trarão resultados sensíveis. Estamos concretizando grandes projetos de extração e transporte de hidrocarbonetos. Pretendemos abrir novos traçados para o transporte de recursos energéticos”, disse o primeiro-ministro russo. “As empresas russas e chinesas  praticamente começaram os trabalhos conjuntos para a prospeção e exploração das jazidas, inclusive aquelas na margem continental. Peritos são de opinião de que as negociações sobre o gás serão mais rápidas”, concluiu.  

O fato de todas as questões terem sido resolvidas foi anunciado já em maio último, após o encontro entre Ígor Séchin e o vice-priemeiro-ministro chinês, Wang Qishan, durante o Diálogo Energético “Rússia-China”. Mas, na época, a China pagou apenas uma parte de sua dívida. A última palavra nessa questão pertence aos políticos. Mas os entendimentos políticos nem sempre são seguidos por ações práticas. Por isso, é difícil prever um resultado concreto.   

“É claro que as contradições devem ser solucionadas porque elas põem em dúvida as vendas do gás russo à China”, afirma o analista da empresa de investimento Troika-Dialog, Valéri Nésterov. “Se tudo correr bem, vão desaparecer muitas barreiras a um acordo russo-chinês sobre as vendas de gás.”

“A única coisa em que os contratos de petróleo e de gás se parecem é o prazo de fornecimentos de 30 anos. Ao contrário dos preços do petróleo, os preços do gás são locais e o mecanismo de sua fixação ainda deve ser elaborado”, afirma com prudência o presidente do Instituto de Energia e Finanças, Vladímir Freilin. 

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