Entrevista com Tatu, jogador de futebol brasileiro do Dinamo

Foto: mfkdinamo.ru

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Nos últimos anos, os fãs russos de futebol e futsal não ficam mais surpreendidos pela presença em suas equipes favoritas de jogadores da América Latina, incluindo o Brasil.

O herói do artigo de hoje é Tatu, o famoso atacante do time de futebol de salão Dinamo, de Moscou. Durante sua carreira, Tatu conseguiu jogar em três países muito fortes: no Brasil, Espanha e Rússia. A sua carreira profissional começou quando ele tinha 15 anos, já jogou em muitas equipes brasileiras (Portuários de Santos, Euroesport, Vimpro, Barueri, General Motors, Banespa, São Paulo, Palmeiras). Como parte da Ulbra foi duas vezes campeão do Brasil.

Tatu foi para a Espanha aos 22 anos, tendo aceitado a proposta do clube Playas de Castillon. Não é tão fácil deixar a cidade natal, os pais, os amigos, a maneira de vida habitual. Tatu menciona duas principais razões de ter mudado: o salário e má organização do esporte brasileiro em geral. Pois não são só os jogadores de futebol ou de futebol de salão que saem do país. Rapazes talentosos vêm à Europa praticamente de todas as modalidades esportivas desenvolvidas no Brasil: basquete, vôlei e outros. Atletas brasileiros estão sendo atraídos à Europa, sobretudo, pelo nível de organização nos clubes e pelo volume dos contratos.

Tatu por um longo tempo não se acostumou com o estilo de jogo praticado em equipes espanholas. Todas as equipes locais, independentemente do número de jogadores estrangeiros, jogam em passe, o jogador deve ser o mais rápido possível com a bola, fazer mais entregas aos parceiros. Passar, passar e passar novamente - é o que treinadores exigiam na Espanha, de acordo com Tatu. No Brasil, todos os jogadores sempre vão para a frente - marcar gols! Pega-se a bola e corre-se para a frente até as redes do rival! Todos os brasileiros dizem que é preciso ter muita paciência e muito tempo para se adaptar ao campeonato da Espanha. O que Tatu pensa sobre o futebol de salão russo?

Está jogando na Rússia a quinta temporada e tem notado um grande progresso tanto no campeonato como no nível da equipe. Muitos participantes do campeonato da Rússia, que há 2 ou 3 anos eram outsiders, agora têm crescido bastante em relação à qualidade dos jogos e da seleção de jogadores.

Jogadores russos e brasileiros se expressam de forma diferente no campo. Os brasileiros têm mais emoção. Jogadores russos são mais reservados, mais cautelosos. Os dois têm tanto vantagens como desvantagens. Jogadores russos são caracterizados pela ponderação, pela lógica das ações no campo, são mais preparados taticamente.

Tatu acredita que o sucesso da equipe Dinamo reside no fato de treinadores conseguirem encontrar o equilíbrio perfeito entre qualidades positivas de jogadores russos e brasileiros. Afinal, situações diferentes ocorrem no jogo: às vezesé preciso adicionar emoção ao jogo - para ir à frente, marcar gols, mas às vezes, é melhor se acalmar, jogar o jogo de cabeça fria, delicadamente, com atenção.

Tatu reconhece que é despretensioso na vida, e por isso se acostuma tão rapidamente com as condições de vida atuais. Mudou para a Rússia com a sua esposa Vânia e com o filho Luís Filipe. Agora têm muitos amigos e conhecidos em Moscou, e não só brasileiros. Fazem visitas, vão aos locais favoritos em Moscou, por exemplo, ao restaurante Rio-Rio. Tatu diz que brasileiros têm uma companhia muito unida em Moscou. “Conversamos muito, ajudamos uns aos outros, especialmente àqueles que acabaram de chegar à Rússia” – diz o jogador.

Passam as férias inteiras em casa, em São Paulo. Tatu sempre tenta passar o máximo de tempo possível com a família, com os amigos, fazendo visitas. Adora convidar amigos e familiares para visitar sua casa e organizar um churrasco. Passa alguns dias em casa com os pais e depois corre à praia.

Tatu admite que quer muito voltar para casa, para a sua família, parentes. “Lá, no Brasil, há a minha casa, o meu coração - confessa. Mas, enquanto a minha equipe Dinamo precisar de mim, estarei aqui para jogar, viverei em Moscou enquanto for necessário. Se acontecer que já não precisem do meu jogo, voltarei ao Brasil. Não pretendo jogar para qualquer outro clube russo”.

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