Rumo ao desenvolvimento sustentável

Foto: Assessoria de imprensa da Câmara Pública

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Uma mesa redonda com a participação de diplomatas da Embaixada do Brasil em Moscou e representantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil (CDES) foi realizada na última segunda-feira, 12 de setembro, na Câmara Pública da Rússia.

“Infelizmente, o caos no mundo não pára. Nessas circunstâncias, as relações entre a Rússia e o Brasil são uma das âncoras da estabilidade econômica, política e social”, disse o secretário da Câmara Pública russa, Euguêni Vélikhov, na abertura da terceira edição da mesa redonda Câmara Pública-CDES, em Moscou.

Os dois organismos realizam iniciativas conjuntas desde que assinaram, em 2009, um memorando de cooperação, encarando as mesas redondas sobre a problemática da sociedade civil na Rússia e no Brasil como um espaço para o diálogo e a colaboração entre os dois países.

Essas conferências, que reúnem delegados de diferentes esferas da vida social, não podem tomar decisões nem participar diretamente da solução de questões práticas das relações bilaterais entre Brasil e Rússia. Seus principais objetivos são a elaboração de recomendações estratégicas e ideológicas para os escalões governantes dos dois países, a busca de vias de resolução conjunta dos problemas do desenvolvimento, a coordenação das posições dos dois países em fóruns internacionais, assim como o desenvolvimento do projeto Brics como parte do conceito de um novo mundo multipolar.

As discussões da presente edição da mesa redonda permitiram identificar vários aspectos comuns às duas economias, entre os quais problemas sociais pendentes, a dependência das duas economias da exportação de recursos energéticos e matéria-prima, a necessidade da modernização de todas as esferas da vida social, problemas de acesso à educação, fuga de cérebros, problemas em termos de formação de profissionais qualificados e vários outros.

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O tema central da mesa redonda de maio de 2010, realizada no Brasil, foi a busca de uma saída da crise econômica mundial com base na experiência dos dois países. Os participantes assinalaram a necessidade de aprofundar as relações entre os países emergentes, institucionalizar o grupo Brics e desenvolver a colaboração entre a Rússia e o Brasil em matéria de inovação e na esfera social.

A edição deste ano também teve como temas-chaves a problemática socioeconômica, a política social e a responsabilidade social dos países ricos em recursos naturais. As discussões se centraram no conceito de desenvolvimento sustentável e sua aplicação prática no Brasil e na Rússia. O desenvolvimento sustentável é um processo de mudanças em que a exploração dos recursos naturais, o investimento, o desenvolvimento científico e tecnológico, a evolução do indivíduo e as reformas institucionais se harmonizam entre si e contribuem para o fortalecimento do potencial atual e futuro para a satisfação das necessidades e aspirações humanas. Segundo o embaixador brasileiro na Rússia, Carlos Antônio da Rocha Paranhos, no plano das relações russo-brasileiras, isso significa que a Rússia e o Brasil não devem se limitar ao papel de países fornecedores de matéria-prima, devendo levar suas relações adiante e torná-las mais diversificadas nas vertentes econômica, política, de exploração espacial e de energia nuclear de modo a atingirem, em última análise, as instituições da sociedade civil.

Ao comentar o discurso do embaixador brasileiro, Euguêni Vélikhov recordou que, face à crise econômica e energética, a Rússia e o Brasil arcam com importantes compromissos internacionais e especial responsabilidade pelo desenvolvimento do potencial de recursos. Nesse contexto, foi abordado o problema dos riscos tecnológicos e macroeconômicos daí decorrentes. Os participantes da reunião destacaram o papel crescente da sociedade civil, sobretudo no estudo de impactos de projetos de desenvolvimento econômico e estratégico. O problema da redução dos riscos implica a elaboração e realização de uma política econômica e social destinada a garantir a igualdade de condições para o desenvolvimento dos setores produtores de matéria-prima e daqueles não fornecedores de produtos primários.

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O presidente da comissão da Câmara Pública para o desenvolvimento das instituições da sociedade civil, Iósif Dískin, considerou importante não admitir um abrandamento do crescimento econômico. Essa tese teve reflexos na resolução conjunta sobre os resultados da reunião. O documento destaca em especial a necessidade de os dois países aplicarem, de forma mais eficiente, os recursos provenientes da exportação de matéria-prima e recursos energéticos para a modernização de suas economias e a aceleração de seu crescimento econômico.

O presidente do Instituto da Câmara Pública para o Desenvolvimento Sustentável, Vladímir Zakharov, informou, por seu turno, que as organizações não-lucrativas dos países do grupo Brics estão preparando uma posição conjunta na Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, “Rio +20”, que se realizará em 2012 e trará a evolução das idéias da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro entre 3 e 14  de junho de 1992.

Durante a mesa redonda, foi abordada igualmente a problemática do desenvolvimento de tecnologias para poupar energia, de recursos energéticos renováveis e de uma agricultura sustentável.
Os resultados das discussões mantidas no âmbito da mesa redonda na Câmara Pública servirão de base para a elaboração, num futuro próximo, de uma série de recomendações que serão entregues aos chefes de governo dos dois países. 

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