Acidente aéreo mata estrelas do hóquei

A queda de um avião Yak-42 causou a morte de quase todos os jogadores e treinadores do time de hóquei no gelo Lokomotiv, de Iaroslavl, terceiro classificado da Liga Continental de Hóquei no Gelo.

O avião Yak-42, no qual viajava uma das melhores equipes de hóquei no gelo da Rússia, Lokomotiv, caiu ontem na cidade de Iaroslavl, a 270 km de Moscou, onde está acontecendo o III Fórum Político Internacional. Das 45 pessoas que estavam a bordo, apenas o técnico de vôo e um dos jogadores sobreviveram. Segundo dados preliminares, o acidente teve como causa um defeito nos propulsores durante a decolagem.

 
Durante todo o dia 7 de setembro o aeroporto de Tunoshna, construído no lugar do antigo aeródromo militar, funcionou em regime intenso, atendendo, além de voos regulares, voos especiais trazendo delegados do III Fórum Político Internacional.

Região de Iaroslavl

Por volta das 16h, na pista de decolagem apareceu o Yak-42, levando a bordo os jogadores e a equipa técnica do time Lokomotiv e uma tripulação de sete pessoas.

O avião tinha como destino a cidade de Minsk, capital da Bielo-Rússia, onde o Lokomotiv deveria disputar com o Dínamo local um jogo do campeonato regular da Liga Continental de Hóquei no Gelo (LCHG). Ao correr pela pista de decolagem de três mil metros de extensão e com capacidade para atender inclusive a aviões de carga pesadas como Ruslan, o Yak-42 ultrapassou o chamado ponto de decolagem e só levantou voo no final da pista, tocando o solo com o chassi.

Segundo testemunhas, a aeronave não conseguiu ganhar altura: ao subir alguns metros, o avião deu uma guinada à esquerda, derrubou um poste de rádio, situado a 450 metros da pista, e caiu na margem do rio Volga, partindo-se em pedaços. Sua cauda ficou na praia e a fuselagem em chamas, com os passageiros e tripulantes, na água.

Uma enfermeira do hospital local, Natalia Panova, foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local do acidente. “Eu estava de plantão e olhando pela janela quando vi um avião em chamas caindo”, disse a enfermeira. “O hospital fica a 200 ou 300 metros do rio. Pareceu-me que a aeronave havia explodido em vôo. Eu, de chinelos, corri imediatamente para a ambulância e fomos com o motorista até lá”. Enquanto corria para o local, a enfermeira ouviu outras duas explosões, causadas por danos nos tanques de combustível do avião. “Quando chegamos ao local, já havia habitantes locais. Um deles pulou na água e encontrou entre os corpos uma pessoa ainda com vida. Era o técnico de voo Aleksandr Sizov”, contou a enfermeira. “Ele estava com fraturas no quadril direito e na perna direita, uma ferida na cabeça e queimaduras no rosto. Estava em choque e lhe prestamos os primeiros socorros antes de seguir para o hospital em uma ambulância vinda da cidade de Iaroslavl.” Um outro sobrevivente, o atacante Aleksnadr Galimov, foi recolhido por um pescador local e levado em sua lancha para Iaroslavl, onde foi operado. O jogador teve 80% do corpo queimado e se encontra em estado extremamente grave.

O Comitê de Investigação da Rússia abriu um processo criminal nos termos do art. 263 do Código Penal da Rússia (“Violação das regras de segurança e operação de um veículo aéreo”). Durante todo o dia de ontem, os investigadores examinaram o local do acidente e apreenderam toda a documentação da companhia aérea Yak-Service, dona do avião. Uma fonte na Agência Federal de Transportes Aéreos informou que o Yak-42 foi construído em 1993, não havendo registro de defeitos graves durante todo o período de sua operação. Segundo o plano de manutenção técnica, a aeronave deveria ser submetida a obras de reparo 18 anos depois de ter sido colocada em operação, isto é, em outubro próximo.

 Time de hóquei no gelo Lokomotiv

Pilotos que operam no Yak-42 acreditam que a causa do acidente pode ter sido um problema nos reatores, surgido durante a decolagem. Para eles, até o momento em que a aeronave atingiu o chamado ponto de decisão, os reatores estavam funcionando bem, em potência máxima. Se a falha tivesse ocorrido durante a corrida de decolagem, um piloto experiente teria reduzido a velocidade e apertado o freio de emergência. Evidentemente, a tripulação foi apanhada de surpresa, quando o avião já estava a mais de 200 km/h e já não podia parar dentro dos limites da pista, nem mesmo com a frenagem de emergência. De acordo com o manual de vôo do avião, o chassi dianteiro se desprega da pista a uma velocidade de 215 km/h enquanto a subida se efetua a 420 km/h. O avião não conseguiu essa velocidade devido a uma  falha nos propulsores, deu uma guinada para a esquerda e caiu.

A tragédia nos subúrbios de Iaroslavl foi um golpe terrível para a LCHG. O presidente da Liga, Aleksandr Medvedev, fez um comunicado sobre o acidente durante o jogo inaugural desta temporada, entre os times Salavat Iulaev e Atlant. O jogo começou quase ao mesmo tempo em que chegaram as primeiras notícias do acidente. “Em cada uma das equipes que estão jogando hoje há amigos dos jogadores mortos. Os jogadores fazem um pedido de desculpas por não considerarem possível continuar o jogo”, disse Aleksandr Medvedev.

Foto: AP

O Lokomotiv foi uma das equipes mais fortes e populares na Rússia, tendo conquistado três vezes o título nacional quando ainda não havia uma Liga Continental: em 1997, com o nome de Torpedo, em 2002 e em 2003. Com o surgimento da Liga, que engloba os melhores times russos e estrangeiros, o Lokomotiv se manteve em altas posições da tabela de classificação, chegando, em todas as três temporadas de sua existência, à semifinal da Copa Gagarin, troféu da liga. O clube, considerado sempre como exemplo da combinação orgânica de hóquei de força e hóquei de combinação, de um trabalho seletivo perfeito e excelente trabalho com jovens jogadores (sua escola de jogadores de hóquei é a mais produtiva do país) esteve entre os favoritos também na presente temporada.

Entre os passageiros do vôo Iaroslavl – Minsk havia vários jogadores do time nacional e alguns jogadores estrangeiros. No último verão, o canadense Brad Makkrimon foi convocado para o time como treinador principal. Os jogadores Joseph Vasicek, Jan Marek e Karel Rachunek foram líderes da seleção da República Checa, Pavol Demitra, do time nacional da Eslováquia, Karlis Skrastins, do hóquei da Letônia, Ruslan Salei, da seleção bielo-russa, Stefan Liv, goleiro da seleção sueca. 

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