Cientistas russos descobrem uma maneira de deixar a Internet cem vezes mais rápida

Andrêi Geim e Konstantin Novoselov Foto: AP

Andrêi Geim e Konstantin Novoselov Foto: AP

Ganhadores do prêmio Nobel de origem russa, Andrêi Geim e Konstantin Novoselov sugeriram o uso de grafeno para construir redes ópticas.

Professores da Universidade de Manchester, Andrêi Geim e Konstantin Novoselov, que ganharam o Prêmio Nobel de Física em 2010 por seu trabalho sobre as propriedades do grafeno, publicaram um artigo na revista Nature Communications no qual descrevem um método para criar um novo material com base em nanoestruturas metálicas e de grafeno. Como resultado, eles desenvolveram a mais nova geração de fotodetectores, que podem converter luz em energia elétrica 20 vezes mais do que qualquer material conhecido anteriormente. Além disso, esses fotodetectores podem aumentar significativamente a quantidade de luz transmitida por dispositivos de comunicação óptica.Desse modo, o uso do grafeno para criar redes ópticas pode aumentar a velocidade da internet centenas de vezes em comparação com o alcance obtido em redes de hoje.


Até agora, os obstáculos para o uso do grafeno giravam em torno do fato de que esse material teria uma capacidade extremamente baixa para absorver luz, mas cientistas refutam essa visão. “Muitas das empresas elétricas líderes estão considerando a possibilidade de utilizar o grafeno para construir a próxima geração de dispositivos”, afirmou o cientista Konstantin Novoselov. Esse trabalho aumenta ainda mais as chances do grafeno.”.


De acordo com Novoselov, as tecnologias de produção do grafeno desenvolvem-se a cada dia. A líder de tecnologia IBM anunciou este ano a construção do primeiro circuito integrado com base nesse material. No futuro, seu uso irá melhorar a funcionalidade de dispositivos sem fio e permitirá a produção de displays mais baratos. Além disso, o grafeno ainda ajuda a prolongar a vida útil de baterias. A companhia Vorbeck está atualmente trabalhando com um dos laboratórios do Departamento de Energia dos Estados Unidos para incluir o grafeno na fabricação de baterias, que poderão ter mais capacidade e carregamento mais rápido, relata a Telecom Daily.

 
O grafeno foi obtido pela primeira vez em 2004. O material ainda não foi muito estudado, mas tem atraído grande interesse. Ele tem alta resistência, é condutor elétrico e ultrapassa todos os materiais conhecidos em termos de condutividade térmica. O grafeno é transparente à luz, mas diante dela é denso o suficiente para não perder sequer uma molécula de hélio – a menor das moléculas conhecidas.

As perspectivas de uso do material se concentram na construção de telas sensíveis ao toque, painéis de luz, e, possivelmente, baterias solares. Uma das dificuldades para um uso mais difundido do grafeno é que, até agora o principal método para sua obtenção é um procedimento manual. O material é produzido pela remoção mecânica ou pela esfoliação das camadas do grafite. Outro procedimento é o método de decomposição térmica do substrato de carbono de sicílio, que está muito mais próximo à produção comercial, mas ainda é pouco usado.

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