Sobrinho de Senna será parceiro de piloto russo

Vitáli Petrov (à esq.) e Bruno Senna (à dir.) Foto: LotusREnault

Vitáli Petrov (à esq.) e Bruno Senna (à dir.) Foto: LotusREnault

O brasileiro Bruno Senna e o russo Vitáli Petrov atuarão juntos até o fim do campeonato

Em um comunicado oficial, a Lotus Renault confirmou que Bruno, piloto de testes da equipe e nova estrela do automobilismo brasileiro, iria substituir Nick Heidfeld no posto de piloto titular. Rapaz sorridente de São Paulo, Bruno terá que trabalhar duro na disputa com pilotos internacionalmente reconhecidos, mas já deu uma mostra do que é capaz nas corridas da GP2 e GP2 Ásia, na categoria de juniores.

Além de provar suas habilidades, Bruno também terá que bater seu companheiro de equipe, o russo Vitaly Petrov, único piloto do campeonato a correr em um carro completamente igual ao seu em termos de velocidade.

O primeiro teste para o sobrinho de Senna foi a prova de classificação no circuito de Spa-Francorchamps, onde seu tio alcançou a vitória cinco vezes, tendo sido quatro vezes reconhecido como piloto mais rápido das etapas classificatórias.

A chegada de um piloto aparentemente inexperiente a uma equipe tão forte como a Lotus Renault, que está disputando com a Mercedes o 4 º lugar no Campeonato de Construtores, tornou-se para muitos uma verdadeira surpresa. Em sua primeira coletiva dedicada à corrida na Bélgica como titular da equipe, Bruno disse ter ficado feliz ao receber essa proposta e prometeu fazer o possível para conseguir um bom resultado no Grande Prêmio da Bélgica.

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Petrov sem limites


O russo Petrov foi mais prudente ao avaliar as perspectivas de seu parceiro brasileiro: “Bruno está presente em todas as reuniões, mas nos falamos pouco. É claro que nos cumprimentamos e pedimos carona um ao outro, mas não posso dizer se ele é bom ou mau corredor. Ele é uma pessoa boa e não tem nenhuma arrogância por ter um sobrenome tão famoso”.

Não são só seus adversários que sentem o peso de seu sobrenome. Bruno, mais do que todos, sente a pressão por ser sobrinho de Ayrton Senna: “Estou acostumado a lidar com isso desde o início. O nome Senna é uma razão para ter um grande orgulho, é uma grande inspiração para mim”, declarou.

“A pressão e a exigência estão presentes, assim como as comparações, mas eu aprendi a administrá-las. Isso me fez um piloto mais completo. Desde que comecei, foi importante ser independente e ter certeza de que não estava tentando ser Ayrton ou me comparar a ele. Sei que se for eu mesmo e bom o bastante, serei bem-sucedido como piloto”, completou Bruno.

O primeiro treino classificatório foi feito com sucesso. Depois de uma chuva de curta duração, o brasileiro conseguiu melhorar seu resultado, terminando a prova com dois décimos de segundo de vantagem sobre Petrov. Bruno ficou feliz e, ao mesmo tempo, surpreso por ter passado ao terceiro segmento da classificação, dizendo que a direção da equipe não esperava vê-lo na sétima posição, à frente de seu companheiro de equipe.

“Felizmente, o carro estava bom e me ajudou. Sabia que tinha um bom desempenho no molhado e que poderia conseguir uma boa posição, mas fiquei um pouco mais nervoso com a pista secando. Mas tudo deu certo e o carro se comportou bem tanto no seco quanto no molhado”, disse Bruno.

“Seu ponto mais fraco é a falta de prática, por isso, ele precisa de mais tempo para ter confiança para dirigir. Seus pontos fortes são sangue frio, velocidade e uma boa relação com os engenheiros. Ele se adaptou facilmente ao trabalho com eles e ao ambiente na equipe”, disse, após a corrida, Eric Beaulieu, chefe da Lotus-Renault.

Assim como o piloto russo, a direção da equipe acredita em Bruno, porém com cautela. Agora o sobrinho de Ayrton Senna terá que provar que está preparado para se sobressair em um esporte onde a vitória e a derrota são, muitas vezes, separadas por milésimos de segundo.

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