Mentor da morte de Anna Politkóvskaia é descoberto

Anna Politkovskaia Foto: Rex Features/Fotodom

Anna Politkovskaia Foto: Rex Features/Fotodom

Polícia russa prende coronel Dmítri Pavliutchenkov, ex-chefe de unidade secreta da polícia de Moscou, acusado de dar ordens e informações para os quatro irmãos que cometeram o crime.

Cinco anos após o assassinato da jornalista Anna Politkóvskaia, que escreveu sobre violações de direitos humanos na Tchetchênia, a polícia descobriu novas informações sobre o responsável por tramar o crime. A Comissão de Investigação da Rússia (CIR) aponta o coronel Dmítri Pavliutchenkov, na época chefe da subdivisão mais do departamento da polícia de Moscou, como responsável pela organização do ato. No momento, ele está preso na capital russa.

 

 Ele recebeu uma recompensa em dinheiro para planejar o assassinato de Anna e, com esse objetivo, criou um grupo criminoso”, disse o representante do departamento Vladímir Márkin em 23 de agosto. Para o representante do CIR, Pavliutchenkov era suspeito do crime por ter organizado a vigilância para a jornalista com ajuda de seus subordinados. “Ele comprou armas, desenvolveu um plano e identificou o papel de cada um dos cúmplices na preparação e no crime em si”, contou.

 

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A investigação definiu que os executores do assassinato foram os quatro irmãos Makhmudov. Três deles – Djabrail, Ibraguím e Tamerlan – foram julgados no tribunal em fevereiro de 2009, mas a condenação foi anulada; Rustam fugiu, mas foi preso na Tchetchênia este ano. O ex-coronel deu aos irmãos as armas e a informação sobre o cotidiano de Anna. Ela foi morta com cinco tiros de pistola no dia 7 de outubro de 2006, na entrada de casa na rua Lestnii, em Moscou, onde morava. 


Até então, o principal
mistério do caso era determinar o mandante do crime. Após o assassinato de Anna, que investigava casos de desaparecimentos e tortura na Tchetchênia, levantou-se a hipótese do envolvimento de um líder da Tchetchênia. Afinal, ele havia-se tornado alvo de artigos afiados da jornalista. Segundo Márkin, “a polícia tem informações sobre supostos crimes cometidos por ele. Mas, por enquanto, ainda é prematuro divulgar estes detalhes da investigação”.

 

Apesar da convicção demonstrada pelo CIR, o editor-chefe adjunto do Novaia Gazeta, Serguêi Sokolov, disse que a declaração a respeito do mandante do assassinato de sua ex-colega é “apenas uma versão”. “O jornal tem as suas próprias hipóteses. Acredito que há uma cadeia de intermediários e tudo depende de quão longa ela é”, declarou ele à agência de notícias Itar-Tass. 

 

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