A Frente Popular da Rússia

Foto:Kommersant

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Neste outono, começam as campanhas pré-eleitorais na Rússia. De acordo com cientistas políticos, o partido Rússia Unida, atualmente na situação, tem tudo para perder parte de seu poder. E a Frente Popular da Rússia, de Vladímir Pútin, deve apoiá-lo.

Na conferência regional Rússia Unida, realizada em 6 de maio, Pútin anunciou a criação da Frente Popular da Rússia. Em pouco tempo, os eventos da organização aumentaram rapidamente. No dia seguinte, o coordenador do conselho da nova estrutura participou de uma reunião na residência do primeiro-ministro, em Novo-Ogariovo; e, um mês depois, mais de 450 associações e cerca de seis mil pessoas se juntaram a ela. Seus apoiadores sustentaram a ideia, nas melhores tradições do passado comunista, e ampliaram o plano de adesão. O exemplo mais significativo foi o do movimento agrário russo, com 38 milhões de integrantes, que se uniu à frente de forma integral.

Na Frente Popular, podem entrar empresas inteiras, fábricas, organizações públicas e pessoas físicas. O critério é um só: compartilhar das ideias de Pútin e do partido Rússia Unida. Mas, mesmo que milhões de pessoas façam parte da frente, os cientistas políticos ainda não têm a compreensão clara da estrutura da nova organização. 

No primeiro encontro do Conselho Coordenador da Frente, Pútin descreveu o formato da entidade como uma “unificação nacional”.  Mas a forma jurídica em que ela se insere não está claramente definida: em seu site, diz-se que ela é uma “grande coalizão”. A maioria das pessoas acredita que se trata de uma união, enquanto muitos políticos e figuras públicas russas a chamam de “frente popular para a organização política”. E essa falta de enquadramento jurídico claro dá à entidade ampla autoridade para fazer campanha e atrair novos membros.

Estratégias

Se especialistas discutem até agora o propósito de sua estrutura e atribuições, não há dúvidas quanto aos objetivos da Frente Popular. A organização deve apoiar o Rússia Unida nas eleições legislativas deste ano. As últimas pesquisas mostraram que o apoio ao partido tem diminuído significativamente, diz o cientista político Vladímir Slatinov. 

“Criando a Frente Popular, Pútin preservou o sistema de controle do país, surgido em meados da década passada como o principal elemento para a criação da maioria da Rússia Unida na Duma. Portanto, para evitar qualquer flutuação no sistema, foi criada uma nova força política”, esclarece o estudioso.

Às vésperas da campanha eleitoral, criou-se uma imagem positiva a respeito da nova estrutura, que não representa um partido político, mas sim uma união social progressista. A Frente Popular é um movimento político, construído em torno de um líder carismático - Vladímir Pútin - que deve consolidar o apoio popular à sua volta à presidência do país e ao seu partido, o Rússia Unida.

Mesmo assim, a frente ainda pode falhar, constata Gleb Pavlôvski, presidente do fundo Política Efetiva. "O projeto do primeiro-ministro russo criou uma dicotomia na mente dos eleitores da Rússia Unida. O eleitorado conservador e de centro não pode votar diretamente em duas forças políticas. É impossível explicar a ele que a Rússia Unida e a Frente Popular são a mesma coisa”, afirma ele. 

“Essa é uma crise de imagem. Para o eleitor do partido, agora há três marcas: 'Pútin', 'Rússia Unida' e 'Frente Popular'”. Na Rússia Unida, havia-se afirmado anteriormente que novos nomes para o partido não seriam excluídos. E, na opinião de Pavlôvski, a atualização será implantada para que a Frente Popular seja incluída nessa lista.

Frente para o povo?

A ideia da Frente Popular surgiu por causa da falta de entusiasmo da sociedade com a política. A maioria dos russos nunca tinha ouvido falar da existência da organização, mas isso está mudando: segundo o Centro Nacional de Pesquisa de Opinião Pública, agora 49% da pesquisa estão informados pelo menos em algum grau a seu respeito. 

O mais importante é que essas pessoas não aprovam o governo de Pútin (54%) e são apoiadoras de partidos não parlamentares (58%) e mais velhas (61%). A cada dois entrevistados, um não sabe nada sobre a entidade - e, em sua grande maioria, é jovem (66%). E apenas 1/3 dos russos que sabem sobre o movimento está preparado para apoiar candidatos indicados pela Frente Popular nas próximas eleições.

A julgar pela pesquisa, o projeto de Vladímir Pútin ainda não funciona. No entanto, o partido garante que a campanha de informação a respeito da Frente Popular crescerá rapidamente neste outono. Veremos o que acontecerá.

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