Incêndios assustam novamente o país

Foto: RIA Nóvosti

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Em exposição, governo apresenta novos equipamentos para combater o problema, que é maior do que no ano passado e afeta principalmente a república de Iakútia

Mesmo estando em uma festividade, Serguêi Shoigu, ministro para Situações de Emergência, fez um discurso pouco otimista na abertura da exposição Segurança Integrada 2011, em Moscou. Em seu pronunciamento, ele falou a respeito do aumento generalizado dos desastres naturais, tanto em nível mundial quanto nacional. “Durante os últimos dois anos, presenciamos vários incidentes graves, incluindo sete dos quais normalmente ocorrem uma vez a cada mil anos”, afirmou.

O ministro citou quatro desses sete desastres: os incêndios na Rússia, em agosto do ano passado; as chuvas de granizo do inverno passado; as enchentes no Paquistão; e o tsunami no Japão. Especialistas tentaram adivinhar quais seriam os outros três – os terremotos do Haiti, do Chile e da China, e o derramamento de petróleo na plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, foram os mais mencionados.

É bem verdade que, até certo ponto, parece impossível se preparar para esses desastres. No entanto, os novos aparelhos apresentados na exposição anual não deixam dúvidas de que as equipes russas de resgate querem estar preparadas para qualquer tipo de catástrofe.

“A tecnologia que permite minimizar os desastres já está disponível”, sinalizou Guennádi Gudkov, vice-presidente do comitê de segurança da Duma (Câmara dos Deputados na Rússia). “Isso inclui edifícios à prova de terremotos, evacuações em áreas de elevado risco sísmico e equipamentos e suprimentos especiais a serem utilizados pelo Ministério para Situações de Emergência”, completou ele, que acredita que a atenção deve estar voltada não tanto ao desenvolvimento de novas tecnologias, mas à capacidade de colocá-las em prática o mais rápido possível.

Embora os terremotos sejam o desastre natural que provoca o maior número de vítimas mortais, a ameaça mais imediata a ser vivida pela Rússia são os incêndios florestais. Por isso, a exposição deste ano teve como destaque os aparelhos de segurança contra desastres do gênero.

No verão do ano passado, os incêndios destruíram aproximadamente duas mil casas e colocaram em perigo diversas instalações estratégicas, como a usinas nucleares de Sarov e de Novovorónejskaia. Na feira, os especialistas apresentaram equipamentos capazes de extinguir qualquer tipo de incêndio, por mais grave que ele seja. Shoigu declarou que grande parte deles passará a ser usado pelo ministério no próximo ano. 

O governo precisa dispor de equipamentos de tecnologias avançadas contra incêndios. Até o fim de maio, foram registrados 131 incêndios na Rússia (onze a mais dos que os ocorridos até a mesma data no ano passado), que já destruíram cerca de 390 mil hectares. Assim como em 2010, a imensa república de Iakútia, no extremo oriente da Rússia, encabeça a lista das áreas mais ameaçadas. Atualmente, a região conta com 1800 pessoas e 174 equipamentos para combater o problema, mas as inovações de “segurança integrada” ainda não chegaram e os bombeiros trabalham à moda antiga.

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