Neymar está nos planos do Anji Makhatchkalá

Foto:Getty/Fotobank

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Ídolo do futebol brasileiro, atacante do Santos faz parte da lista de contratações do clube de Roberto Carlos, embora esse plano pareça impossível de ser realizado.

O clube russo Anji Makhatchkalá entrou na disputa pela contratação do atacante brasileiro Neymar, do Santos, considerado um dos jogadores mais talentosos do mundo na atualidade.

Na verdade, fazer essa contratação é fácil e difícil ao mesmo tempo. Por um lado, não é preciso negociar muito com o Santos, seu atual time, uma vez que o dinheiro a ser pago na indenização por quebra de contrato está claramente indicado no contrato do jogador. A dificuldade é que essa soma é igual a 45 milhões de euros.

“Não queremos vendê-lo”, disse o presidente da equipe brasileira, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. "Mas está estipulada no seu contrato a quantia pela qual estamos dispostos a deixá-lo ir. Hoje, cinco clubes europeus estão interessados em seu futebol.”

O fato é que não há tantos clubes no mundo capazes de investir esse dinheiro em um único jogador, mas o Anji está entre eles. No clube, que já adquiriu uma lenda do futebol brasileiro - o lateral-esquerdo Roberto Carlos - o interesse no prodígio sul-americano não é comentado às claras. “Não temos o menor envolvimento nisso. É pura invenção”, garante o presidente Guêrman Tchistiakov.

Neymar é daqueles jogadores cujo talento podia ser visto ainda na infância. Quando ainda era júnior e nunca havia disputado um jogo profissional, já existia uma fila de grandes clubes de olho nele. Há três anos, o atacante assinou um contrato com o atual valor de indenização, o que assustou a maioria de seus pretendentes. Em 2009, os russos do CSKA Moscou quiseram tê-lo em seu elenco, mas o negócio não prosperou. 

Hoje com 19 anos, ele já ganhou vários títulos, incluindo a Taça Libertadores da América deste ano, competição em que fez vários gols. “Neymar se tornará um dos maiores jogadores brasileiros da história”, assegura o presidente do Santos. 

Ambição

Se, para contratar Neymar, o único obstáculo fosse financeiro, tudo seria muito simples: bastaria a ele negociar com o bilionário proprietário do Anji, Suleiman Kerimov. Mas o jogador é ambicioso demais para pensar apenas em salários, em uma postura sensata demais para a idade que tem. Em suas palavras, “dinheiro não compra felicidade”.

É preciso mais do que cifrões para atrair para a Rússia um jogador de futebol que sonha em jogar na Espanha ou na Itália. Além disso, viver em Makhatchkalá é impossível e nem Deus veria prazer em jogar em campos sem muita qualidade, diante de arquibancadas quase vazias.  E ninguém parece notar o problema do racismo. Em relação a isso, aliás, o conhecimento de Neymar é menor do que o de Roberto Carlos: durante uma das partidas do Anji, jogaram uma banana no defensor brasileiro.

O problema não chega a ser especificamente o Anji: também seria improvável caso o atacante fosse para o Spartak ou para o Zenit. A verdade é que, no momento, o futebol do país não é atraente para os jovens jogadores de um calibre tão grande. Para algum time do país se tornar o próximo Barcelona ou Real Madrid, deve-se primeiro adquirir uma infraestrutura adequada para a prática do futebol. Para os grandes clubes europeus, ter astros da bola e um estádio novo já faz parte de sua realidade. O problema é que os russos querem abordar o problema por outro lado e, por isso, estão fadados ao fracasso.

É triste que Neymar, se um dia vier ao Anji, fará isso daqui a duas décadas, quando já tiver 39 anos, como tem agora Roberto Carlos. No entanto, ver um time russo tirar um jogador das garras do Real Madrid ou do Chelsea seria algo muito bom. Diante disso, a transferência de Roberto Carlos - ou do húngaro Djudjak Balaj e do zagueiro brasileiro João Carlos - pareceria um pio de passarinho comparado ao som de uma bomba.

Iliá Sobolev é comentarista esportivo da Rossiyskaia Gazeta

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