A Aeroflot se expande

Foto:Lori/Legion media

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Crise de 2008 derrubou a Russian Airlines, e agora seis das empresas que formavam o projeto devem acabar adquiridas pela Aeroflot.

A Aeroflot, maior companhia aérea da Rússia, pode ampliar significativamente sua presença no mercado do país já nos próximos meses. Sob controle acionário estatal, a empresa logo deve incluir em sua estrutura seis novas companhias aéreas, agora sob controle do Estado, em nome da Rostekhnologii (Corporação Russa de Tecnologia do Estado).

Engordarão a lista de ações da Aeroflot empresas como a STC Rossia, a KMV Avia, do Cáucaso, a Orenburg Airlines, a Vladivostokavia, a Saratov Airlines e a SAT Airlines. A Rostekhnologii obteve 3,61% na participação das ações da Aeroflot, que representam cerca de 2,5 bilhões de rublos (R$ 142 milhões).

De acordo com a Aeroflot, as novas ações já estão incluídas no plano estratégico de desenvolvimento da companhia e a empresa está se preparando para reforçar significativamente sua posição dentro do país.

“Após as compras das ações do Estado, a Aeroflot pode receber um adicional de 15% do mercado russo de transporte aéreo. Agora, de acordo com nossas estimativas, a fatia de mercado da Aeroflot está perto de 26%, e depois da fusão irá exceder aproximadamente 40%”, afirma o analista Andrei Rojkov, da IFC Metropol.

Pedra no caminho

Realizar esses planos, entretanto, não será fácil. “Aparentemente, é por isso que a Aeroflot até hoje não anuncia detalhes da fusão”, afirma o especialista Aleksêi Sinítski, da revista Russia/CIS Observer.

A opção mais atraente para a empresa é a integração simultânea e completa de todos os novos ativos dentro da estrutura existente. “Mas a Aeroflot dificilmente iria se atrever a assumir uma tarefa tão complexa como a gestão de seis companhias totalmente diferentes”, diz Sinítski.

Para ele, a experiência de aquisição da Nordavia mostrou que a gestão da Aeroflot tem dificuldades com projetos semelhantes.

“O mais provável é que a Aeroflot, pela primeira vez, decida manter uma parte significativa da autonomia para as empresas regionais e só então inclua as companhias em sua estrutura, uma a uma”, acredita Gueórgi Kozlov, editor do jornal Grajdânskaia Aviatsia (“Aviação Civil”, em russo).

“Tumor” aéreo

As ações foram parar nas mãos da Rostekhnologii com a crise de 2008. Naquele ano surgiu a Russian Airlines, projeto criado para ser uma segunda Aeroflot – uma companhia estatal que pudesse competir com a líder da aviação russa. Os planos, embora ambiciosos, pareciam viáveis. A Russian Airlines foi criada por meio de uma aliança entre a AiRUnion e outras companhias, e deveria ter o dobro do número de passageiros da Aeroflot em 2013. Mas o projeto não sobreviveu – sua onda de azar começou muito antes de 2013.

Como resultado, restou nas mãos da Rostekhnologii um conjunto de ações de empresas que não conseguiam sobreviver no mercado, muito menos derrubar a líder Aeroflot.

A aliança de companhias aéreas AiRUnion herdada pela Rostekhnologii estava sobrecarregada com dívidas consideráveis, assim como as outras companhias aéreas que deveriam constituir a nova gigante da aviação. Algumas dessas empresas não foram incorporadas, mesmo depois de três anos, e existem até hoje sob a forma de negócios federais unitários.

Eterna Aeroflot

A administração da Aeroflot originalmente pertencia a seu futuro rival. Ainda em outubro de 2008, o então diretor-geral da empresa, Valéri Okulov, chamou o projeto de “tumor”. Pouco a pouco, o governo também passou a partilhar de seu ceticismo.

Como resultado, em 2009, o ministro dos Transportes da Federação Russa, Igor Levítin, defendeu juntar as ações da Rostekhnologii às da Aeroflot. Já no início de 2010, o primeiro-ministro Vladímir Pútin aprovou oficialmente o fortalecimento da Aeroflot em detrimento das outras seis empresas.

O ponto crucial desta vez foi o preço de emissão. Inicialmente, foi acordado que a Rostekhnologii iria receber um pacote de bloqueio das ações da Aeroflot (25% mais uma ação) em troca das seis companhias aéreas regionais. No entanto, a gestão da Aeroflot anunciou que a oferta do Estado não condizia com o valor real.

No segundo semestre de 2010, a Aeroflot se disse disposta a entregar cerca de 6% das ações. No entanto, em fevereiro de 2011, os resultados de uma avaliação independente das seis companhias estimavam seu valor em 2,5% das ações da Aeroflot. Como resultado, as partes permaneceram no montante de 3,61% dos ativos.

Herança de dívidas

Em março deste ano, a imprensa noticiou que, em meio aos desententimentos entre a Aeroflot e a Rostekhnologii, outras companhias aéreas começaram a demonstrar interesse em formar uma holding a partir dessa fusão.

Com isso, os ativos sem dono passaram a interessar não só a grandes players do mercado, mas também às chefias de vários órgãos públicos.

A administração do governo de Sakhalin, de Aleksandr Khoroshávin, mostrou interesse pela companhia local SAT Airlines. Também houve um interessado na Orenburg Airlines e a Transaero, um dos principais concorrentes da Aeroflot, virou foco das companhias aéreas.

Segundo dados não oficiais, a diretora-geral da Transaero, Olga Pleshakova, teria pedido ao vice-premiê Serguêi Ivanov e ao ministro dos Transportes Igor Levítin para que considerassem a possibilidade de vender as ações a ela, e não ao líder do mercado russo de aviação.

Mas, por enquanto, nenhum dos participantes das negociações alternativas confirmou oficialmente estar pronto para competir com a Aeroflot pela sucessão da união de empresas aéreas.

Por trás dessa informação, o mercado se pergunta mais uma vez se o líder do setor aéreo russo precisa de ativos sem donos, epecialmente considerando a dívida dessas empresas. Especialistas estimam que a dívida total das seis companhias chegue a R$ 1,2 bilhão.


Receita da companhia aérea em 2010

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