Equipamento médico brasileiro vai à Rússia

Apenas 20% do equipamento médico e odontológico no mercado russo é fabricado no país/Foto:Laif/Vostock-Photo

Apenas 20% do equipamento médico e odontológico no mercado russo é fabricado no país/Foto:Laif/Vostock-Photo

Principal objetivo do evento foi apresentar fabricantes brasileiros a distribuidores russos. Governo deve investir R$ 4,8 bilhões na compra de equipamentos até 2013.

No dia 7 de junho, em Moscou, oito fabricantes brasileiros de equipamentos médicos e mais de 30 empresas de distribuição russas se reuniram no Hotel Ritz Carlton para discutir oportunidades para os produtores brasileiros no mercado local. 

Como principais resultados da missão comercial, foram fechadas cerca de 60 rodadas de negócios entre as empresas russas e brasileiras, com uma expectativa de conclusão de negócios da ordem de R$ 1,5 milhão para os próximos 12 meses. Entre os principais produtos negociados, destacam-se aparelhos eletromédicos, dispositivos para neurologia, implantes ortopédicos, dispositivos respiratórios, instrumentos cirúrgicos e mobiliário hospitalar, entre outros. O valor parece pequeno, mas pode ser classificado como um bom começo.

Momento promissor

O setor médico-hospitalar vive um momento promissor na Rússia. O governo comprometeu-se a dedicar grandes investimentos para a melhoria da infraestrutura e da qualidade do atendimento à população, incluindo a compra de equipamentos médicos mais modernos.

Trata-se de um programa de larga escala. O primeiro-ministro russo Vladímir Pútin declarou que cerca de 30% das instalações médicas do país necessitam de reformas urgentes e de equipamentos para atendimento adequado.

Estão previstos para os próximos dois anos investimentos da ordem de R$ 4,8 bilhões na compra de equipamentos, a maioria deles importado. Os equipamentos de fabricação russa respondem hoje apenas por cerca de 20% do mercado de saúde.

Embora o mercado russo seja promissor em oportunidades de negócios, os desafios aos fornecedores são muito grandes. As empresas que buscam o mercado russo precisam do apoio de distribuidores que cuidem de toda a burocracia da certificação dos produtos e, sobretudo, que viabilizem a participação dos equipamentos em processos de concorrência pública – que definem quase todas as vendas no país, pois o setor tem forte participação estatal.

Segundo Almir Americo, diretor da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) em Moscou, a iniciativa vai permitir o desenvolvimento do comércio com a Rússia, favorecendo a negociação de produtos de alto valor agregado.

A Rússia é um grande parceiro comercial do Brasil. O comércio entre os dois países ultrapassou R$ 9,6 bilhões em 2010. “A pauta comercial, entretanto, ainda está focada em produtos primários, por isso considero importantes os resultados dessa iniciativa. O aumento da cooperação entre empresas brasileiras e russas na área de produtos tecnológicos é uma meta que começamos a realizar”, afirma Americo.

Segundo ele, o maior desafio da organização foi priorizar a qualidade das empresas russas que participaram dos encontros. “Encontrar um bom distribuidor é a chave do sucesso num mercado seletivo como o russo, em que o relacionamento com a esfera pública é decisivo para as vendas”, explica.

O evento foi realizado pela Apex em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo). O Brasil, de acordo com informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), é o 2º maior produtor de equipamentos médicos entre os países emergentes.

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