Russos perdem interesse por temas políticos

O desinteresse de grande parte da população pela política já começa a se refletir nos índices de aprovação dos dirigentes/Foto:AP

O desinteresse de grande parte da população pela política já começa a se refletir nos índices de aprovação dos dirigentes/Foto:AP

Dois terços da população não se interessa pelo assunto e o restante não vai além do voto, de acordo com nova pesquisa do VTsIOM.

Um novo estudo do centro de pesquisas de opinião pública VTsIOM mostra que 61% dos entrevistados ignoravam fatos políticos – parcela que, em 2007, correspondia a 39%.

A principal causa da apatia é simplesmente a “falta de interesse”, alegada por 36% dos entrevistados – que em 2007 correspondia a 20% dos pesquisados. Neste ano, outros 25% acreditam que qualquer ativismo é inútil, enquanto 18% afirmam que simplesmente não entendem de política o suficiente.

Os resultados poderiam ser preocupantes para os atuais líderes políticos, que esperam vencer as eleições para a Duma (câmara dos deputados) em dezembro, e a campanha presidencial, em 2012.

Curiosamente, o número de russos que acredita que política seja um “negócio sujo” permaneceu praticamente inalterado, na faixa dos 58% em 2011 – comparáveis aos 59% de 2007.

Entre as pessoas que participam da vida pública de alguma maneira, 27% limitaram sua atividade política durante o ano passado ao voto. Esse índice vem caindo gradualmente após um pico de 55% em 2004, o que mostra que as eleições para a Duma em 2007 e a votação para presidente de 2008 não conseguiram mobilizar os eleitores.

Outras formas de participação foram ainda menos populares: 8% afirmaram ter participado de ações para melhorar seus bairros, enquanto 4% coletaram doações para os necessitados ou vítimas de desastres.

Somente de 1% a 2% participaram ativamente de campanhas políticas, governos autônomos locais, sindicatos, manifestações ou assinaram petições públicas. E os entrevistados que assumiram ter envolvimento com partidos políticos, greves de trabalhadores ou eventos organizados por comunidades religiosas não chegaram a 1%.

Foram entrevistadas 1,6 mil pessoas em 46 regiões do país, com margem de erro de 3,4 pontos percentuais.

Serguei Mitrôkhin, líder do partido de oposição Iábloko, afirmou que as autoridades estimulam a atitude passiva da sociedade.

“A população é desmoralizada pelas autoridades que por sua vez preferem manter as coisas deste jeito, pois estão acostumadas a agir sem o consentimento público”, disse Mitrôkhin.

A apatia pública já está sendo refletida nas avaliações dos atuais dirigentes. O apoio maciço ao presidente Dmítri Medevdev, ao primeiro-ministro Vladímir Pútin e ao partido dominante Rússia Unida vem caindo desde janeiro.

O Rússia Unida venceu a última e principal votação regional em março, mas com uma margem inferior à dos anos anteriores. Porém, é em relação à minoria ativa, e não às massas passivas que a elite dominante parece estar preocupada, diz o analista político Mark Feigin.

“Os ativistas políticos compõem de 2% a 5% da população, mas são capazes de mobilizar os outros em prol de suas causas – se eles conseguirem ao menos chegar a um consenso entre si”, disse Feigin, que também é membro do grupo de oposição Solidariedade. “As pessoas que poderiam promover mudanças e inspirar os demais ainda estão divididas”, completou.

Feigin afirma que alguns indivíduos da elite de negócios também possuem um espírito ativista, embora uma espécie de contrato silencioso com o governo os impeça de se envolver na política.

O analista político pró-Kremlin Igor Iurgens sugeriu a mesma coisa em uma entrevista recente ao jornal The Moscow Times. “Parte da elite não pensa apenas em fazer dinheiro, mas reflete sobre o futuro do país, por mais pomposo que isso pareça”, disse.


 

Números

61

por cento dos pesquisados declararam ao centro de pesquisas de opinião pública VTsIOM ignorar fatos políticos - em 2007, eram 39%.

27

por cento dos pesquisados afirmaram participar da vida pública de alguma maneira. Em 2004, esse índice atingiu um pico de 55%.

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